A pintora e pedagoga luso-moçambicana Sílvia Silveira de Bragança morreu na segunda-feira, aos 83 anos, em Goa, na Índia, indicou esta quarta-feira à agência Lusa fonte da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA).

Nascida em Goa, em 1937, onde teve a sua primeira aprendizagem na pintura com o professor Ramachondra Naique, Sílvia de Bragança foi professora primária durante cinco anos, e depois em Lisboa no ensino médio.

Participou em exposições em Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique, incentivada pelo professor e pintor António Quadros.

Sílvia de Bragança fez o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa entre 1962 e 1966, foi bolseira da Gulbenkian, distinguindo-se “pelo seu pensamento divergente e pela busca das linguagens plásticas não oficiais, na mesma geração de Gil Teixeira Lopes, Rocha de Sousa, Francisco Aquino, Elisabete Oliveira”, recorda a SNBA.

Realizou uma dezena de exposições individuais entre 1971 e 2000, com obras num estilo caracterizado pelo uso de diversos materiais, como folhas de metal, numa primeira fase, depois os tecidos em renda, e, por último, a poesia escrita, inserindo a sua busca dos materiais acessíveis nos países emergentes.

A artista integrava o Conselho Mundial INSEA/UNESCO (Sociedade Internacional para a Educação pela Arte/Organização das Nações Unidas para a Educação, a ciência e a Cultura). A pintora chegou a ter problemas em Moçambique, por, nas décadas de 1960 e 1970, criticar “a opressão colonialista”.

Na primeira exposição individual, em Moçambique, em 1971, numa visita, o filósofo e professor Agostinho da Silva, aconselhou-a: “Não fales, os teus trabalhos dizem tudo. Podes ser presa”.

Foi cofundadora da Associação dos Artistas Portugueses, no pós-25 de Abril. Desde 1968, realizou 15 exposições individuais e 50 coletivas na Ásia, Europa e África, com obras multiculturais inspiradas em temas como a guerra e a paz, a opressão e a liberdade, e outros valores universais.

A sua vida decorreu entre Lisboa, Goa, e Maputo, onde criou raízes, e onde casou com Aquino de Bragança (1924-1986), um dos mais proeminentes historiadores goeses, destacada figura anticolonialista, falecido no desastre de aviação que vitimou Samora Machel.

Sílvia de Bragança homenageou-o em 2017 com uma exposição na Associação 25 de Abril, onde interveio numa conferência com Vasco Lourenço e Pezarat Correia. Publicou diversos livros de educação artística, alguns destinados a crianças, e também sobre Aquino de Bragança.