A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai aplicar meio milhão de euros numa Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) para tratar efluentes das instalações agropecuárias e resolver uma lacuna no campus da academia.

O pró-reitor para a área do património e sustentabilidade, Amadeu Borges, afirmou esta segunda-feira que esta infraestrutura vai permitir a “resolução de uma lacuna importante” no campus, em Vila Real, “potenciando o funcionamento sustentável das instalações agropecuárias”.

O responsável explicou, em comunicado divulgado pela UTAD, que a universidade vai dispor de uma “solução para o tratamento dos efluentes agropecuários, já que a água resultante constituir-se-á como um recurso importante para a rega de jardins e de campos agrícolas, permitindo, assim, promover a reutilização dos recursos hídricos.

Amadeu Borges explicou que a ETAR “terá o funcionamento garantido por eletricidade renovável, através de uma central solar fotovoltaica dedicada, capaz de fornecer 50% da eletricidade necessária”.

Como resultado, o campus universitário passará, em menos de três anos, “a ser responsável por menos 75% das emissões de gases de efeito de estufa, menos 70% de efluentes não tratados, para além das mais de 80 toneladas anuais de resíduos separados e evitados em aterro sanitário”.

O projeto inclui, para além da ETAR, uma estação de abastecimento de cisternas para distribuição de água para rega em jardins e campos agrícolas, os reservatórios de 600 metros cúbicos para armazenamento de água tratada e a aquisição de um trator com pá frontal e cisterna.

A entrada em funcionamento da ETAR irá também fomentar estudos, previstos em sede de candidatura, conducentes à produção de biogás e de monitorização contínua do funcionamento da ETAR, visando a melhoria da eficiência do processo de tratamento de efluentes.

Estes estudos serão desenvolvidos pelo Laboratório de Ciências Térmicas e Sustentabilidade e serão, ainda, realizados estudos, desenvolvidos pelo Centro de Exploração Agropecuária (CEGA), ambos da UTAD, conducentes à valorização das lamas resultantes da ETAR como biofertilizante.

A execução deste projeto tem início previsto para fevereiro de 2021.

A ETAR representa um investimento de cerca de meio milhão de euros e o projeto resulta da candidatura “Valorização ambiental e hídrica dos efluentes agropecuários da UTAD”, submetida ao programa de Desenvolvimento Rural.

A academia transmontana está a apostar em projetos para a sustentabilidade ambiental nas áreas da eficiência energética, no uso eficiente de recursos e na mobilidade sustentável.

Com estes investimentos a UTAD disse que vai alcançar uma percentagem elevada de autonomia em relação a serviços exteriores, designadamente 25% na produção de eletricidade, 75% no recurso a fontes de energia renovável para aquecimento, 85% na produção e tratamento de água para consumo humano e 70% no tratamento de efluentes.