Sinal dos tempos que atravessamos: em vez de ser um evento contínuo, como é normal, a 18ª edição do Doclisboa foi dividida em seis tempos, que terão lugar entre 22 de Outubro e 10 de Março de 2021. São eles: Sinais (22 de Outubro a 1 de Novembro; Deslocações (5 a 11 de Novembro); Espaços de Intimidade (3 a 9 de Dezembro); Arquivos do Presente (14 a 20 de Janeiro); Ficaram Tantas Histórias por Contar (14 a 20 de Janeiro) e De Onde Venho, Para Onde Vou (4 a 10 de Março). No primeiro momento, passarão o filme de abertura, “Nheengatu — A Língua da Amazónia”, de José Barahona, e mais cinco fitas, representando os outros tempos do Festival.

Sinais inclui ainda um amplo ciclo de cinema da Geórgia, na Cinemateca, intitulado A Viagem Permanente — O Cinema Inquieto da Geórgia; o ciclo Corpo de Trabalho, com filmes em sala e online, em dois programas diferentes; e a secção Verdes Anos e duas sessões especiais da Cinema de Urgência. Os filmes online do Corpo de Trabalho e a Verdes anos podem ser vistos em dafilms.com  O Doclisboa realiza-se na Culturgest, Cinemateca e cinemas São Jorge e Ideal. Toda a programação pode ser consultada aqui.

Escolhemos sete títulos de entre as fitas que compõem Sinais:

“Nheengatu — A Língua da Amazónia”

De José Barahona

Um documentário em que o realizador brasileiro José Barahona vai em busca do nheengatu (ou “língua boa”), uma língua de contacto da família do Tupi-Guarani, que no século XVII, por ordens do Marquês de Pombal, foi imposta aos povos indígenas do Brasil para gerar homogeneidade linguística entre colonizadores, colonizados e escravos. (Dia 22, Culturgest, 21.30)

“Kubrick by Kubrick”

De Gregory Monro

Um mergulho em profundidade no universo cinematográfico de Stanley Kubrick, através de um acervo de entrevistas inéditas ou muito pouco conhecidas, dadas pelo realizador de “2001: Odisseia no Espaço” e “Barry Lyndon” ao longo de vários anos. Há também depoimentos de arquivo por nomes como Michel Ciment, Malcom McDowell, Jack Nicholson ou Peter Sellers. (Dia 25, Culturgest, 19.00)

“La Mami”

De Laura Herrero Garvín

No cabaré Barba Azul da Cidade do México, as mulheres que lá trabalham dançam e bebem com os homens que podem pagar. A casa de banho das mulheres é o único lugar onde podem repousar e desabafar. “La Mami”, a responsável pelas casas de banho do cabaré, toma-lhes conta das malas, dá-lhes carinho, conselhos e ânimo. (Dia 24, Cinema São Jorge 18.00 / Dia 25, Cinema São Jorge, 15.00)

“Le Kiosque”

De Alexandra Pianelli

A realizadora deste documentário é uma jovem artista plástica cuja mãe trabalha num quiosque de jornais num bairro chique de Paris, e que pertence à família há quase um século. A filha vai dar uma ajuda à mãe e aproveita para filmar a dança dos clientes e amigos que por lá passam todos os dias, constatando também a crise da imprensa escrita. (Dia 25, Cinema São Jorge 18.00 / Dia 31, Cinema São Jorge, 18.00)

“Automotive”

De Jonas Heldt

O documentarista alemão Jonas Heldt reflecte aqui sobre o valor do trabalho tradicional na era do digital e dos robôs, seguindo duas funcionárias da Audi. Eva tem 30 anos e é caça-talentos para a grande marca germânica, enquanto que Seda, 10 anos mais nova, tem o seu posto na linha de montagem robotizada. Como será o futuro de ambas? (Dia 30, Cinema São Jorge, 19.00 / Dia 1 de Novembro, Cinema São Jorge, 15.00)

“Merry Christmas, Yiwu”

De Mladen Kovacevic

A China continua a ser uma mina inesgotável para os documentaristas. Neste filme, o sérvio Mladen Kovacevic visita a cidade de Yiwu, na qual 600 fábricas produzem artigos natalícios para todo o mundo, e os seus trabalhadores querem ter o iPhone mais recente, serem ricos, casarem-se e serem felizes. Entretanto, vivem em dormitórios sobrelotados. (Dia 31, Cinema São Jorge, 18.00)

“Corn Island”

De George Ovashvili

A história deste filme, um dos muitos e muito variados que vão passar na retrospetiva A Viagem Permanente — O Cinema Inquieto da Geórgia, centra-se num avô e na sua neta, ambos naturais da Abecásia, que cultivam milho numa ilha fluvial. A sua vida precária e dura é ameaçada quer pela situação militar tensa na região, quer pelos caprichos da natureza. “Corn Island” concorreu ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. (Dia 24, Cinemateca, 21.30)