Mais de três dezenas de bancos da UE e do Reino Unido utilizaram paraísos fiscais de baixo imposto ou imposto zero e 29 “pareciam estar a declarar” lucros em países onde não empregavam, segundo um estudo da Transparency International.

“Entre os 39 bancos da União Europeia e do Reino Unido analisados no estudo, 31 estavam a utilizar paraísos fiscais de baixo imposto ou imposto zero, enquanto 29 pareciam estar a declarar lucros elevados em países onde não empregavam efetivamente qualquer pessoal”, indicou, em comunicado, a rede anti-corrupção Transparency International Portugal (Transparência e Integridade), citando dados do relatório “Murky havens and phantom profits: the tax affairs of EU and UK banks”.

Segundo o documento, estas operações podem revelar que os bancos estão a transferir os seus lucros para reduzir a sua fatura fiscal. Desde 2015, os bancos da União Europeia são obrigados a publicar relatórios country by country sobre impostos, lucros e colaboradores.

“As práticas questionáveis destacadas pela nossa investigação continuam a escapar ao escrutínio público”, apontou a responsável pelo Transparency International EU, Elena Gaita, exemplificando que o HSBC relatou lucros de 1,59 mil milhões de euros na Arábia Saudita, apesar de não ter funcionários no país.

Por outro lado, o Deutsche Bank reportou lucros de 418 milhões de euros em Malta, onde não tem colaboradores desde 2016.

Só pudemos examinar o comportamento fiscal dos bancos porque estes estão sujeitos às regras de declaração de impostos da União Europeia, país por país”, notou Elena Gaita.

Para esta responsável, em causa pode estar “apenas a ponta do iceberg”, pelo que defende ser “essencial” que as regras sejam alargadas a outros setores da economia.