Glenn Greenwald, um dos fundadores do portal de investigação The Intercept, bateu com a porta acusando a direção do portal de “censura” por, alega, terem impedido que Greenwal publicasse um artigo muito crítico para Joe Biden, candidato democrata às eleições dos EUA. O jornalista, que ganhou notoriedade por publicar as histórias contadas por Edward Snowden, garante que a direção do jornal quis que fossem excluídas as parte do texto onde se falava dos negócios do filho de Biden na China e na Ucrânia.

Numa longa exposição, Greenwald diz que está “completamente irreconhecível” o portal de informação que ajudou a fundar em 2013. “As mesmas tendências de repressão, censura e homogeneidade ideológica que afetam a imprensa nacional, de uma forma geral, engoliram o órgão de comunicação que ajudei a fundar”, diz Greenwald, algo que acabou por “culminar na censura” de um dos seus artigos. Algo que o jornalista atribui ao facto de Biden ser “apoiado veementemente” por todos os diretores do The Intercept em Nova Iorque.

A direção do portal recusa a acusação e diz que Greenwald tem “distorções e imprecisões” no seu texto. O jornal irá apresentar a sua versão dos acontecimentos mas, para já, limita-se a dizer que “é importante deixar claro que o nosso objetivo em editar o seu trabalho era assegurar que seria rigoroso e justo”. Na opinião da direção do jornal, o texto que Greenwald queria publicar era uma tentativa de “reciclar as acusações duvidosas de uma campanha política – a de Donald Trump – e branqueá-las como se fosse jornalismo”.

Greenwald é um antigo advogado que reside no Brasil e que trabalhava no The Guardian US quando o jornal fez várias notícias sobre a informação passada pelo denunciante que se viria a identificar como Edward Snowden, acerca das atividades de espionagem levadas a cabo pela agência norte-americana NSA. Esse trabalho foi premiado com um prémio Pulitzer em 2014, partilhado com mais dois colegas  (Ewen MacAskill e Laura Poitras).

Antes de ser conhecido o pedido de demissão, Greenwald participou no conhecido podcast de Joe Rogan e reconheceu que este artigo – que falava sobre “o verdadeiro escândalo” em torno de Biden e do seu filho Hunter – estava a dar-lhe problemas, mesmo sem ter sido publicado. “Penso que nunca tive tanto nojo dos meus colegas de profissão como tenho sentido nestas últimas semanas, por causa desta história”, afirmou Greenwald, acrescentando que “eles [os diretores do The Intercept] estão desesperados por fazer com que Biden ganhe as eleições. Por isso não querem publicar nada que possa ameaçar isso”.