Um projeto europeu coordenado pela investigadora Cecília Roque, da Universidade Nova, recebeu um financiamento de três milhões de euros para desenvolver métodos sustentáveis de produção de fármacos usados no tratamento do cancro e na vacinação, foi esta sexta-feira anunciado.

Trata-se de uma iniciativa europeia conjunta para inovar na produção de biofármacos, o projeto PURE, com vista a produzir medicamentos de origem biológica, como anticorpos e partículas virais.

Durante os próximos quatro anos, esta equipa internacional e multidisciplinar propõe-se redesenhar a forma como os biofármacos são produzidos”, indicou a instituição portuguesa, em comunicado.

O trabalho, coordenado por Cecília Roque, investigadora principal do Laboratório de Engenharia Biomolecular da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, envolve um consórcio que conta com a participação da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida de Viena — BOKU (Áustria), da Universidade de Bayreuth (Alemanha) e do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica — iBET (Portugal).

“Somos pioneiros no desenvolvimento de novos materiais e processos para a purificação de biofármacos de forma mais eficiente, sustentável e a baixo custo”, referiu Cecília Roque, citada no documento.

De acordo com Cristina Peixoto, do Laboratório de Desenvolvimento de Processos de Purificação do iBET, o processo de purificação dos biofármacos é responsável por cerca de 80% do seu custo total de produção. Os cientistas consideram que conceitos inovadores na purificação de partículas virais e outros biofármacos são “uma necessidade atual”, especialmente perante a pandemia da Covid-19.

Para Cecília Roque, “somente uma mudança radical nas tecnologias de purificação pode reduzir o impacto ambiental da indústria biofarmacêutica”.

Os novos processos de purificação em causa são mais rápidos e eficientes, tendo potencial para tornar os biofármacos — tradicionalmente mais caros e apenas disponíveis a populações privilegiadas — “economicamente acessíveis a populações menos favorecidas”.

Os materiais e processos desenvolvidos cumprem os requisitos de uma economia de base biológica (bioeconomia), por serem completamente degradáveis e combinarem a proteção ambiental com melhorias na economia, segundo os dados apresentados.

O projeto foi apresentado no âmbito do concurso FET Open (Future and Emerging Technologies), uma iniciativa desenvolvida ao abrigo do Programa-Quadro Comunitário de Investigação & Inovação Horizonte 2020, que pretende promover a investigação e a tecnologia “além do que é conhecido, aceite ou amplamente reconhecido”, e incentivar novas ideias que conduzam à descoberta de novas tecnologias.