Depois da Luz, Alvalade: no âmbito de um outro processo que nada tem a ver com o do rival Benfica, inspetores da PJ encontram-se também esta manhã nas instalações da Sporting SAD num processo em que existem suspeitas de um alegado branqueamento de capitais na sociedade na altura em que a Holdimo, atualmente a maior acionistas depois do clube, entrou no capital social dos verde e brancos. Em causa está um período da Sporting SAD compreendido entre 2011 e 2014, quando Godinho Lopes foi presidente do clube e ainda nos primeiros meses de Bruno de Carvalho na presidência, confirmou o Observador e também o clube, em comunicado oficial.

Sobrinho. Quem é o maior investidor individual no Sporting

De recordar que, em junho de 2013, no âmbito da reestruturação financeira feita entre a Sporting SAD e a banca (Millenium BCP e o na altura BES), foi anunciado um conjunto de medidas à CMVM entre as quais um aumento de capital de 20 milhões de euros através da conversão de um crédito com a Holdimo, grupo com capital angolano que tem Álvaro Sobrinho como principal investidor, que passou a deter 23,5% da sociedade leonina. Em troca, os leões receberam várias percentagens de passes de atletas que tinham sido vendidos nos anos anteriores. (foi nesse acordo que ficou fechada a emissão a 12 anos, até 2025, de 80 milhões de euros de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis, a serem subscritos pela banca com taxa de juro anual bruta condicionada a 4%).

Os inspetores estarão em Alvalade à procura das provas da origem do capital investido pela Holdimo de Álvaro Sobrinho, que tem Nuno Correia da Silva como representante na Conselho de Administração como administrador não executivo, na Sporting SAD, até esse acordo que converteu os 20 milhões de euros em causa em crédito, valor que tinha sido pago antes em troca de percentagens dos passes de jogadores. Mais tarde foi anunciado que o grupo angolano aumentou a participação na SAD para quase 30% mas a operação está fora do âmbito deste caso.

Empresa angolana passa a ter 30% da SAD dos leões

Entre essas partes dos direitos económicos que tinham sido vendidas mas que entretanto foram resgatadas em junho de 2013 no âmbito da reestruturação financeira estavam os passes de Bruma (50%), Betinho (40%), Cédric Soares (25%), André Martins (25%), Ricardo Esgaio (25%), Adrien Silva (20%), Elias (20%), Tiago Ilori (20%), Jeffrén (20%), João Mário (15%), Capel (15%) e Schaars (15%), entre outros. Ou seja, a Holdimo fazia nessa altura entrar capital através da garantia de parte dos direitos económicos de jogadores, cedendo depois todas essas percentagens dos passes em troca de crédito no capital social da sociedade verde e branca.

Holdimo nega “qualquer dívida à Sporting Futebol SAD”

“A Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD confirma a realização de buscas por parte da Polícia Judiciária às suas instalações. Em causa um alegado crime de branqueamento de capitais referente ao período de 2011 a 2014. A Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD disponibiliza-se para colaborar com as autoridades para o esclarecimento de todo este processo. Congratulamo-nos ainda com o esforço do Ministério Público e das autoridades competentes em prol da verdade desportiva e da transparência, contribuindo para a dignificação do futebol português, neste e noutros processos”, confirmou o clube leonino em comunicado.