A greve dos trabalhadores da agência de notícias Lusa, marcada para os dias 13 e 14, foi suspensa esta quinta-feira, após a empresa se ter comprometido a voltar a pagar o subsídio de transporte na íntegra, segundo os sindicatos.

Em comunicado, os três sindicatos que convocaram a greve afirmam que foram chamados na quarta-feira “de urgência” pelo presidente do Conselho de Administração (PCA), Nicolau Santos, para uma reunião a realizar esta quinta-feira, a propósito do corte do subsídio de transporte, que levou à marcação da greve de dois dias na agência.

Face à proposta apresentada na reunião pelo PCA sobre o pagamento do subsídio de transporte, “os sindicatos decidiram suspender a greve e convocam um plenário de trabalhadores para segunda-feira, 16 de novembro” para auscultarem os trabalhadores sobre a nova forma de pagamento do subsídio.

“Na reunião, o PCA propôs a manutenção do pagamento dos 69,65 euros através de dois subsídios (40 euros em subsídio de transporte e 29,65 euros em outro subsídio a ser criado), ficando ambos os subsídios inscritos no Acordo de Empresa”, pode ler-se no comunicado conjunto do Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sindicato das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do ambiente, Centro Sul e Regiões Autónomas (SITE/CRSA) e Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços, Comércio, Restauração e Turismo (SITESE).

Segundo o comunicado, a empresa comprometeu-se ainda a pagar o valor integral já na remuneração de novembro e a devolver o valor cortado em outubro. Além da solução proposta pela administração, o plenário a realizar na segunda-feira irá discutir outros temas como “a precariedade, os constrangimentos financeiros da Lusa e o futuro das negociações pecuniárias para 2021″, indicam os sindicatos.

Em 3 de novembro, os trabalhadores da Lusa decidiram, por maioria, fazer greve nos dias 13 e 14 de novembro contra o corte de 29,65 euros da sua remuneração, de acordo com a resolução do plenário. Este corte “significa menos 326,15 euros por ano no rendimento dos trabalhadores” da única agência de notícias portuguesa, aponta o texto.

“Esse corte é concretizado através da rubrica ‘subsídio de transporte’, criada há mais de 20 anos e atribuída a todos os trabalhadores sem quaisquer condicionantes”, refere a resolução do plenário. O corte, explicam, foi efetivado no salário “de outubro, de forma unilateral pela administração da empresa”.

Os trabalhadores da Lusa “exigiram ainda o cumprimento integral do Acordo de Empresa, nomeadamente as cláusulas relativas ao pagamento do trabalho extraordinário e noturno, e a integração nos quadros dos trabalhadores com vínculo precário que respondem a necessidades permanentes”.

Além disso, “os sindicatos tudo farão para inverter a situação e retomar as negociações das matérias pecuniárias previstas no Acordo de Empresa”. A reunião plenária contou com a participação de 106 trabalhadores “online” em simultâneo.