Um inquérito esta terça-feira divulgado revela que 97% dos inquiridos acreditam que a saúde apresenta uma importância extrema, mas apenas 33% consideram que o Governo lhe atribuiu a importância necessária, avança a RTP. O cancro é referido por 75% dos inquiridos como a doença mais preocupante, mas mais de metade dos portugueses consideram insuficiente o investimento do Estado no combate ao cancro.

A sondagem, realizada pela empresa de estudos Gfk Metris para a Apifarma — Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, envolveu uma amostra de 1.001 pessoas com 18 ou mais anos e residentes em Portugal continental, às quais foi feita uma entrevista telefónica entre 27 de outubro e 11 de novembro.

Apesar de a saúde ser uma área que os inquiridos veem como importante, o Governo parece não corresponder às expectativas dos portugueses. 46% considera que o executivo trata a área como indiferente e 20% dos inquiridos dizem mesmo que a saúde é pouco prioritária.

O acesso ao Serviço Nacional da Saúde (SNS) também não satisfaz completamente os inquiridos. Apenas dois em cada três portugueses veem como fácil o acesso ao SNS, sendo que 32% respondem que o é difícil aceder aos cuidados dos Estado. E mais de 40% dos inquiridos consideram que o acesso ao SNS não é “fácil nem difícil”.

Em relação aos tratamentos oncológicos, os resultados são parecidos. De acordo com os resultados, citados em comunicado da Apifarma, 68% dos inquiridos consideram insuficiente o investimento do Estado no combate ao cancro, com 11% a acharem justa a verba destinada a esse fim.

O inquérito revela ainda que mais de metade dos portugueses (60%) classificam como insuficiente ou muito insuficiente o acesso aos tratamentos “mais modernos” para o cancro, apesar de ser a doença “mais preocupante” (75%), excluindo a Covid-19.

Os inquiridos justificam esta preocupação com o cancro com a taxa de mortalidade elevada (25%), o terem ou terem tido familiares com cancro (25%) e com o tratar-se de uma doença que “qualquer um pode ter” (17%).

Em termos de acessibilidade aos cuidados de saúde oncológicos, 44% das pessoas apontam os tempos de espera elevados e 15% a dificuldade em fazer diagnósticos atempados. A primeira consulta é muito demorada para 25% dos inquiridos.

A iniciativa “Cancro: Cada Dia Conta — Da Prioridade à Ação”, lançada pela Apifarma, pretende “tornar a oncologia uma prioridade tanto no plano nacional como no europeu” e “contribuir para a definição de uma estratégia nacional de combate ao cancro”, tendo em atenção a “equidade do acesso à inovação”.