A Câmara do Porto lamentou esta quarta-feira a morte de Eduardo Lourenço, aos 97 anos, na terça-feira, em Lisboa, considerando que o filósofo, escritor e crítico literário foi “um dos mais proeminentes pensadores da cultura portuguesa”.

Na sua página na Internet, a autarquia recorda que Eduardo Lourenço foi escolhido em 2019 como o autor homenageado na edição desse ano da Feira do Livro do Porto.

“Eduardo Lourenço foi o autor homenageado na Feira do Livro do Porto, tendo-lhe sido atribuída uma tília de homenagem na Avenida das Tílias, nos Jardins do Palácio de Cristal”, onde foi colocada uma placa onde se pode ler: “Com a saudade não recuperamos apenas o passado como paraíso; inventamo-lo”, refere a Câmara do Porto.

Numa cerimónia em que Eduardo Lourenço esteve ausente, por questões de saúde agravadas pela idade, e se fez representar pelo irmão, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, referiu-se, na ocasião, ao filósofo e ensaísta como “um dos maiores intelectuais portugueses do século XX”.

“As palavras florescem na pena de Eduardo Lourenço como flores aromáticas, eivadas de lucidez e, tantas vezes, de um otimismo encorajador”, acrescentou Rui Moreira, descrevendo um “homem luminoso, alquimista da palavra, indisciplinador”.

Na sua tradicional visita à Feira do Livro do Porto, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacaria a homenagem a “um grande, grande português”.

Apesar de ter nascido no distrito da Guarda, Eduardo Lourenço “desenvolveu desde muito cedo uma ligação ao Porto, onde passou os primeiros anos de vida. Diria, numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, que as suas memórias mais antigas são precisamente da cidade do Porto, onde viveu tempos da infância que o marcaram de forma indelével: ‘As primeiras imagens que tenho da vida são do nevoeiro, das fábricas, do nevoeiro que atiravam as chaminés'”, salienta a autarquia.

Nascido em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, distrito da Guarda, Eduardo Lourenço foi galardoado com o Prémio Camões (1996), o Prémio Virgílio Ferreira (2001) e o Prémio Pessoa (2011).

O filósofo recebeu também as mais altas distinções: era Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, de que também possuía a Grã-Cruz, assim como da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade.

Era ainda Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.

Autor de mais de 40 títulos, que testemunham “um olhar inquietante sobre a realidade”, como destacaram os seus pares, tem em “Os Militares e o Poder”, “Labirinto da Saudade”, “Fernando, Rei da Nossa Baviera” e “Tempo e Poesia” algumas das suas principais obras.

Para esta quarta-feira foi decretado um dia de luto nacional pelo seu falecimento.