A cooperativa cultural Circolando apresenta, a 09 e 10 de dezembro, no Porto, a 1.ª edição do festival “20 Volts”, com a estreia nacional de “La Bête a.C d.C”, de Wagner Schwartz.

Em entrevista telefónica à agência Lusa, Pedro Vilela, curador do “20 Volts”, festival transdisciplinar que reúne um conjunto de artistas e obras, terminadas e em processo de criação, de vários países, destacou a estreia do espetáculo “La Bête a.C d.C”, do artista brasileiro Wagner Schwartz, que parte do “La Bête”, exibido em 2017 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e que foi “censurado pela extrema direita no Brasil”.

“É uma obra importantíssima no Brasil e é a primeira vez que Wagner apresenta o espetáculo em Portugal”, conta o curador, revelando que em cena vai estar o corpo de um bailarino que é uma “espécie de escultura viva”, e que pode ser “tocada” e “manuseada pelo próprio público”.

Pedro Vilela recorda que no Brasil a obra “La Bête” foi “perseguida pela extrema-direita brasileira”, e que o autor foi alvo de “ameaças de morte” e de um “linchamento virtual”, levando-o a viver na atualidade em Paris.

O espetáculo, recriado em ano de covid-19 para o festival “20 Volts” da Circolando, vai estrear-se no dia 10, pelas 20:00, no Auditório da Central Elétrica, junto à estação de Campanhã, no Porto. Tem uma duração de 50 minutos, e vai ter uma “nova forma de interagir com o corpo do bailarino, por causa da pandemia”, acrescenta Pedro Vilela.

O espetáculo “On The Road”, um tributo de Tó Trips (Dead Combo) e Tiago Gomes ao livro homónimo do escritor norte-americano Jack Kerouac (“Pela estrada Fora”), é outro dos destaques da “20 Volts”, que Pedro Vilela enumerou à Lusa.

O espetáculo, apresentado pela primeira vez em 2007 na exposição “Remembering Jack Kerouac”, revela um novo olhar em torno da obra do escritor norte-americano, considerada a “bíblia” da geração Beat, lê-se no dossiê de imprensa enviado à Lusa.

A performance “On the Road” é interpretada por Tó Trips, na guitarra e efeitos vários, Tiago Gomes, na leitura de excertos do livro, e por Raquel Castro, no vídeo-beat.

A apresentação está agendada para o dia 09 de dezembro, às 20:00, no Auditório, da Central Elétrica, e tem uma hora de duração.

Segundo adiantou Ana Carvalhosa, da direção da Circolando, a 1.ª edição do “20 Volts” vai ser feita a “uma escala mais reduzida, porque se vive um ano de pandemia e não pode haver muito público”, mas a intenção para as edições futuras do “20 Volts” é “fortalecer e ampliar” o festival.

Nesta primeira edição do “20 Volts” a escolha dos projetos a apresentar procurou o “diálogo” com o tema “corpo-arquivo”, e divide-se em seis ciclos, designadamente conferências performativas, mostras de processos, apresentações de performance, artes visuais, conversas com os artistas de três países (Brasil, Inglaterra e Portugal), e lançamento de publicações.

Cada dia vai terminar com uma roda de conversa entre o público e os artistas, momento em que se prevê o lançamento de várias publicações, tais como “VOLT #0 2020 Corpo-arquivo”, da Circolando (09 de dezembro), e “Nunca juntos mas ao mesmo tempo”, de Wagner Schwartz (10 dezembro).

Na programação do “20 Volts” inclui-se também, por exemplo, a performance-conferência “Coleção de Pessoas”, de Raquel André, apresentada no dia 09, na Sala L, da Central Elétrica, pelas 18:00, e o espetáculo “Feedback”, de André Braga e Cláudia Figueiredo, que é também no dia 09, mas na Black Box da Central Elétrica, às 19:00.

A performance-conferência “Irredutível”, de Rui Paixão, e o projeto “LandMarks #7 — Pateh, uma história inacabada”, de Rebecca Moradalizadeh, são outros eventos previstos.

Toda a programação é de entrada livre mediante reserva, através do ‘link’ bit.ly/3odbtfd.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.507.480 mortos resultantes de mais de 65,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 4.803 pessoas dos 312.553 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.