Na Europa, todos os fabricantes de veículos estão obrigados a respeitar um limite de 95g de CO2/km para a totalidade da gama, com o valor a poder sofrer algumas correcções ligeiras para se adaptar ao tipo de modelos fabricados. A regra é rígida e as multas para os prevaricadores são tremendas (95€ por grama acima do limite, multiplicados pela totalidade de veículos vendidos em solo europeu), capazes mesmo de os levarem à falência.

Mas Bruxelas decidiu utilizar a técnica da cenoura e do pau. Por um lado, ameaçando com multas milionárias mas, por outro, oferecendo uma cenoura ou outra para que todos conseguissem sobreviver a este “aperto”. As duas cenouras mais populares consistiram em aceitar uma medição altamente favorável para os híbridos plug-in, a quem o método WLTP permite anunciar consumos médios de 2 litros e cerca de 40g de CO2, mesmo quando têm motores a gasolina com 400 ou 600 cv. A cenoura número dois foi a possibilidade de adquirir créditos de carbono aos fabricantes que estão muito abaixo dos 95g, quase sempre marcas que só fabricam eléctricos.

Na conferência Futuro do Automóvel, organizada pelo Financial Times, Samuelsson defendeu que “se os carros eléctricos são o futuro do transporte pessoal, colocar um prazo limite para a comercialização de veículos com motores a combustão levaria os fabricantes a planear atempadamente a mudança para os eléctricos”.

O CEO alega que era preferível, pura e simplesmente, anunciar uma data a partir da qual não seria permitido vender veículos com certos tipos de mecânica ou de emissões, o que seria fácil de ser acomodado por uma indústria que tem de trabalhar com grande antecipação, uma vez que o carro que é desenvolvido hoje só chega ao mercado dentro de quatro ou cinco anos. Mas apesar da posição decidida da Volvo, ao contrário de muitos concorrentes que preferem queixar-se da dureza dos limites impostos, a realidade é que todos os construtores sabiam há mais de cinco anos quais os limites que teriam de respeitar em 2020.

A Volvo é um dos construtores que não corre o risco de vir a pagar multas por exceder o limite de CO2, uma vez que, embora só possua o XC40 eléctrico, compensa com uma gama recheada de versões híbridas plug-in. E Samuelsson já anunciou que, em 2025, a marca sueca espera vender 50% de híbridos plug-in e outro tanto de modelos 100% eléctricos a bateria.