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Seferovic, Jesus e as forças que se tornaram fraquezas por um ataque sem cabeça (a crónica do Benfica-Nacional)

As ausências pelo surto de Covid-19 fazem diferença? Sim. As infeções que afastaram jogadores deixaram mossa? Também. Mas não foi por isso que o Benfica jogou tão pouco e empatou com o Nacional (1-1).

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Seferovic teve uma noite para esquecer e foi a imagem de um ataque encarnado sem ideias para ultrapassar organização defensiva dos insulares

AFP via Getty Images

Seferovic teve uma noite para esquecer e foi a imagem de um ataque encarnado sem ideias para ultrapassar organização defensiva dos insulares

AFP via Getty Images

“Temos de trabalhar com os jogadores que temos, acreditamos em todas as possibilidades e nas qualidades dos jogadores mas dez jogadores é muita gente, mais a equipa técnica… Estamos confiantes e os que jogarem têm de dar o melhor de si, por eles e pelos que estão em casa. Esperamos que o Benfica consiga dentro do possível um ritmo alto de forma a corresponder às dificuldades que o Nacional nos possa colocar para criar situações de golo. Se tivesse a certeza que o futebol parava e a partir daí a pandemia fica controlava, era da opinião que o futebol devia parar e já. Mas não é por esse motivo que estão a acontecer tantos problemas de Covid-19, não é por aí…”.

Benfica empata na Luz com Nacional e pode ficar a seis pontos do Sporting antes do dérbi

Durante algumas semanas, a pandemia era tema de conversa nas conferências de Jorge Jesus quase numa forma paralela que se tornava principal: o treinador sentia que a “evolução na continuidade” que a equipa deveria ter depois de uma fase mais conturbada da temporada que coincidiu com as duas únicas derrotas na Primeira Liga estava a ser feita de forma mais lenta pelas baixas que a equipa ia sofrendo. Agora, a pandemia é o inevitável tema principal e o técnico procura formas paralelas de a contornar, até pela recusa do Nacional em adiar este encontro que seria uma folga nos problemas encarnados e pelo facto de se sentir incapaz de fazer aquilo que dá mais ou menos mérito a um treinador: montar uma estratégia a prever tudo o que possa acontecer num jogo.

“Ontem [Sábado] tinha uma equipa na cabeça, agora tenho de ter outra porque dois jogadores vão ficar de fora. Todos os dias isto é uma incerteza. Pode-se pensar num onze mas no outro dia pode-se ficar sem dois ou três jogadores. Nenhum treinador estava habituado a isto, sinto-me impotente, não tenho força para reverter seja o que for, tem de ser com os jogadores que estão em condições que vou para a luta. Não há nada que possa fazer”, admitiu, num domingo marcado pelos casos positivos de Vlachodimos e Everton, já depois de Helton Leite, que se juntaram a Gilberto, Diogo Gonçalves, Otamendi, Vertonghen, Grimaldo, Nuno Tavares e Waldschmidt.

Tenho de ter 11, vamos com 11 para a frente. Aqueles dois guarda-redes que têm jogado mais são excelentes mas acreditamos muito no Svilar, que tem andado a jogar na equipa B e que tem muita qualidade. Temos a segurança total para o jogo, a certezinha absoluta que não é por causa dele que as coisas podem correr mal. Vais mostrar todo o seu valor, vaticinou o técnico dos encarnados.

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Baixas pela pandemia. Impacto da pandemia. Influência da pandemia. Não adiamentos nem com a pandemia. A realidade era incontornável mas Jesus começou a tentar dar a volta ainda antes do apito inicial, tentando no meio da crise encontrar oportunidades e transformando as fraquezas em forças no culminar de um microciclo depois da derrota com o Sp. Braga nas meias da Taça da Liga onde teve de chamar jogadores da equipa B, trabalhar com três defesas diferentes ou fazer sessões com grupos mais limitados (até por não ter os seus habituais adjuntos, todos eles infetados). “Temos estado a sofrer e vamos continuar a sofrer mas somos a equipa que vai criar imunidade de grupo mais rápido, digo eu. Sem tantos jogadores… Vamos passar a tempestade e depois vamos ficar muito fortes”. Até pode ser assim mas, para já, continua a tormenta. E com uma ressalva importante: se é certo que todo o contexto de Covid-19 tem influência, não foi por isso que o Benfica não foi além do empate.

Assumindo as palavras de Jesus na véspera, as três alterações na equipa em relação à derrota na meia-final da Taça da Liga tiveram motivos distintos: Svilar foi pela primeira utilizado na presente temporada (na equipa A) porque Vlachodimos e Helton Leite estão de fora e era a única alternativa; Ferro ocupou o lugar de Todibo na defesa porque a equipa voltava à linha de quatro defesas e também porque o francês emprestado pelo Barcelona falhou no golo decisivo dos minhotos; Chiquinho entrou como falso ala esquerdo muito provavelmente porque Everton estava a ser trabalhado para ser mais uma vez titular mas soube entretanto que está infetado. E até foi o antigo jogador do Moreirense a dar o mote para um arranque em força. Depois, um eclipse quase total.

Até ao intervalo, o Benfica não criou uma oportunidade; no segundo tempo, tem uma chance flagrante e outro remate com perigo para defesa de Daniel Guimarães. Se do meio-campo para a frente os encarnados tinham muito menos baixas, basta dizer que Darwin Núñez e Seferovic perderam mais de metade das bolas que lhes chegaram aos pés. O suíço tornou-se mesmo um exemplo paradigmático de uma noite em versão lei de Murphy onde tudo o que podia correr mal, correu ainda pior. E como se não bastasse, a defesa teve uma exibição sem grandes desafios mas falhou numa bola parada onde Jesus dizia que a equipa dificilmente era surpreendida. No final, o empate foi o reflexo do demérito próprio e pode deixar a equipa a seis pontos da liderança antes do dérbi.

Ficha de jogo

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Benfica-Nacional, 1-1

15.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Benfica: Svilar; João Ferreira, Jardel, Ferro, Cervi; Weigl, Pizzi; Rafa (Pedrinho, 62′), Chiquinho (Taarabt, 77′); Darwin Núñez (Gonçalo Ramos, 62′) e Seferovic

Suplentes não utilizados: Fábio Duarte, Todibo, Samaris, Gabriel, Tiago Araújo e Ferreyra

Treinador: Jorge Jesus

Nacional: Daniel Guimarães; Kalindi, Pedrão, Rui Correia (Lucas Kal, 86′), Witi; Nuno Borges, Francisco Ramos, Koziello (Rúben Micael, 58′); Thill (Camacho, 58′), Rochez e Gorré (João Victor, 90+4′)

Suplentes não utilizados: Riccardo, Alhassan, Rúben Freitas, João Vigário e Danilovic

Treinador: Luís Freire

Golos: Chiquinho (14′) e Rochez (48′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Jardel (71′), Pedrão (79′) e Rúben Micael (90+2′)

Com um início afirmativo e muito confiante, com Weigl a descer quase para terceiro central apenas para fazer a primeira fase de construção e permitir que os laterais ganhassem metros, o Benfica começou desde cedo a fazer um jogo quase todo no meio-campo do Nacional, sem grande envolvimento com os avançados mas com uma grande dinâmica entre os quatro elementos de Weigl a Pizzi, passando por Rafa e Chiquinho. Mais do que aquilo que fazia em posse, era sem bola que os encarnados se destacavam, não permitindo transições e queimando linhas de pressão adversárias e criando muito volume de jogo. Chiquinho, na sequência de uma combinação entre Rafa e João Ferreira com assistência do lateral após boa variação de Weigl, viu o seu primeiro golo anulado por posição irregular (8′ )mas, ainda dentro do quarto de hora inicial, fez mesmo o 1-0 de cabeça após cruzamento de Pizzi da direita para o segundo poste (14′). Depois, abrandou o ritmo. E esteve mesmo vários minutos sem rematar.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Benfica-Nacional em vídeo]

O Nacional também não conseguiu grandes situações na área contrária, com Gorré a deixar o sinal de maior perigo num remate de meia distância para defesa segura de Svilar. No entanto, também houve pouco Benfica a partir daí. Pouco ou nenhum em algumas fases até ao intervalo. E aí a desinspiração dos avançados fez-se sentir mais, com Darwin Núñez a ter o complexo de Sansão e a perder força no jogo em profundidade com o novo look de cabelo cortado e Seferovic a exteriorizar por mais de uma vez uma noite para esquecer entre bolas perdidas. A juntar a tudo isso, o número de passes errados no meio-campo adversário aumentou e muito. O intervalo chegou com a vantagem pela margem mínima e apenas mais um remate, num desvio de cabeça de Seferovic após canto muito por cima. Se o jogo tinha prometido no arranque, os 30 minutos que se seguiram foram uma desilusão.

No arranque da segunda parte, e contrariando a ideia de total solidez defensiva dos encarnados nas bolas paradas, o Nacional chegou ao empate na primeira aproximação à baliza e na sequência de um canto: lance trabalhado na esquerda do ataque, marcação curta para cruzamento tardio que pudesse desposicionar a defesa encarnada e desvio de cabeça na pequena área de Rochez a aproveitar a apatia dos jogadores da casa (48′). Ainda a frio, e já depois de meia hora muito aquém, o Benfica tinha como missão ir de novo em busca da vantagem que permitisse voltar aos triunfos na sequência da igualdade no Dragão. No entanto, as dificuldades foram mais que muitas, entre protestos das águias e dos insulares em lances de cortes com o braço na área que Rui Costa mandou seguir.

Gonçalo Ramos, que entrou para o lugar de Darwin Núñez (que mostrou algum desagrado pela alteração, o que mereceu umas palavras de imediato por parte de Luisão), teve um remate cruzado na área para defesa de Daniel Guimarães e, a seis minutos do final, a assistência de Taarabt para Seferovic ter apenas de encostar na pequena área terminou com o suíço a perder-se em voltas antes de Rui Correia salvar a situação. Se é verdade que o Nacional, que ainda teve um livre em boa posição muito por cima de Rochez e um remate também ao lado de Rúben Micael, mostrou uma boa organização coletiva com Rui Correia e Nuno Borges em destaque, o futebol lento, previsível e com muitos passes errados do Benfica foi o principal “culpado” para o empate. Porque até mesmo sem os 11 jogadores ausentes, os encarnados têm capacidade para fazer mais. Muito mais. Pelo menos o triplo.

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