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E foi ao sexto jogo, depois de quatro derrotas e um empate, que o FC Porto conseguiu finalmente vencer a Juventus. Com golos de Taremi e Marega, ambos no arranque de cada uma das partes, a equipa de Sérgio Conceição colocou-se na frente da eliminatória e parte em vantagem para o jogo da segunda mão, marcado para o dia 9 de março, em Turim.

O futebol é bonito porque há histórias como a de Manafá, que deixou meia Europa a olhar para ele (a crónica do FC Porto-Juventus)

Esta foi, além disso, a quinta vez que o FC Porto venceu a primeira mão de uma eliminatória europeia por 2-1 em casa — sendo que, nas quatro anteriores, o registo divide-se em duas qualificações e duas eliminações. Ainda assim, o resultado desta quarta-feira contra a Juventus não deixa de ter uma particularidade interessante: sempre que venceram por 2-1 em casa na primeira mão dos oitavos de final, os dragões acabaram por sagrar-se campeões europeus. Em 1987, antes de bater o Bayern Munique na mítica final de Viena, o FC Porto derrotou o Dínamo Kiev por este resultado no primeiro jogo dos oitavos, sendo que em 2004, antes da igualmente memorável final de Gelsenkirchen contra o Mónaco, tinha vencido o Manchester United na mesma fase e pelo mesmo marcador.

Quem volta a não levar de Portugal grandes memórias é a Juventus. A última vez que os bianconeri tinham perdido por 2-1 na primeira mão de uma eliminatória europeia tinha sido contra o Benfica, na Luz, em 2013/14 — na altura, Garay, Lima e Tévez marcaram os golos da partida, sendo que a Juventus acabou mesmo por ser eliminada e o Benfica seguiu para a final da Liga Europa, onde perdeu com o Sevilha. Já o FC Porto, e por oposição à positiva vitória, voltou a sofrer golos depois de cinco partidas limpas para a Liga dos Campeões: algo que, para Pepe, não apaga em nada o mérito dos dragões.

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“Neste tipo de jogos é complicado sofrer golos em casa, mas fizemos um grandíssimo jogo. Conseguimos colocar neste jogo o que faltou contra o Boavista. Estamos de parabéns pela concentração, consistência pelo jogo e respeito pelo adversário. Agora está tudo em aberto. Trabalhámos em equipa, como exige este grupo”, começou por dizer o capitão do FC Porto. “Estudámos bem o adversário. Tivemos quatro dias para preparar este jogo. Deu para trabalhar com os companheiros, a equipa assumiu bem o que o treinador pediu e colocámos em prática a pressão alta. Era um jogo importante para nós e correspondemos”, completou o internacional português, que afirmou ainda ter “um carinho imenso” por Cristiano Ronaldo, que cumprimentou antes do apito inicial e após o final do jogo.

Sérgio Conceição, ainda assim, não escondeu que o golo marcado por Chiesa já dentro dos últimos 10 minutos acabou por ser um duro golpe para os dragões. “A prova da solidez da nossa exibição é que o campeão italiano só aos 78 minutos é que fez um remate perigoso. É a prova mais evidente de que fizemos um jogo muito sólido. Estivemos bem, podíamos ter feito o 3-0 pelo Sérgio Oliveira. É um amargo de boca, os jogadores não mereciam aquele golo que sofremos”, disse o treinador, que fez uma análise global ao jogo na flash interview.

“Conseguimos entrar a ganhar mas não foi por acaso. Fizemos uma pressão mais alta sobre o adversário, a sair quando a bola está parada e os jogadores interpretaram bem o que queríamos. O 1-0 foi importante mas continuámos bem organizados, fosse no bloco mais alto ou mais baixo. Os jogadores interpretaram o que queríamos, chegámos aos corredores laterais de forma eficaz, muito fortes. Correu bem, eles interpretaram da melhor forma o que lhes foi pedido e estão de parabéns, foram eles os grandes obreiros da vitória”, acrescentou Sérgio Conceição, que afastou antecipações da segunda mão e apontou baterias à próxima “Champions”, na segunda-feira, contra o Marítimo.