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A realização dos encontros da Liga espanhola tem um efeito pouco usado no resto das principais ligas de agarrar numa jogada em específico e passar a mesma através de diversos ângulos em movimento, o que permite não só dar um outro sentido estético aos melhores golos como perceber de forma mais pormenorizada os passos que são feitos antes dessas oportunidades, sejam elas ou não concretizadas. No entanto, há outra marca nos encontros em Espanha mais “apurada”: agarrar num gesto, numa frase ou numa conversa para tentar mostrar todo o filme. E o jogo do Atl. Madrid frente ao Villarreal promete dar que falar nesse sentido com um português à mistura.

Após sair em vantagem pela margem mínima ao intervalo com um autogolo polémico de Alfonso Pedraza numa bola parada com Savic que foi analisada durante algum tempo pelo VAR até ser considerado lance legal (25′), Diego Simeone sentiu que o encontro estava tudo menos controlado, até pelas oportunidades dos visitados travadas pelo gigante Oblak, e trocou Lemar (já com amarelo) por João Félix. E o português nem estava a conseguir ter muito jogo, face à boa pressão do Villarreal para resgatar pelo menos um ponto. No entanto, e na primeira chance que teve nos pés, o internacional ganhou uma segunda bola à entrada da área após corte de Pau Torres, parou no peito e rematou de primeira sem hipóteses para Asenjo para o 2-0 que fechou as contas (69′).

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A reação, essa, foi diferente do habitual: em vez de ir festejar com os companheiros para a zona da bandeirola de canto, João Félix ficou no mesmo sítio, olhou de forma fulminante para a zona dos bancos, colocou o dedo na boca a mandar calar alguém e gritou “Toma, cala a boca car****” antes de ser abraçado pelos colegas de equipa e voltar ao seu meio-campo ainda que com cara de poucos amigos. Na imprensa espanhola houve uma pergunta rápida a surgir: para quem era aquela crítica? Uma questão que ainda vai continuar a ser abordada…

No final, e apesar das muitas oportunidades do Villarreal para no mínimo reduzir a desvantagem entre bolas no poste, defesas de Oblak e remates ao lado, o Atl. Madrid conseguiu segurar a vantagem e regressou aos triunfos na fase menos conseguida da temporada, tendo conseguido uma vitória histórica que torna Diego Simeone no treinador com mais vitórias na história dos colchoneros a par da referência Luis Aragonés. Já João Félix chegou ao décimo golo da temporada, superando o registo que tinha conseguido na última época de 2019/20.

“Quem é que Félix mandou calar? Temos de lhe perguntar. O melhor é perguntar-lhe porque é que ele fez aquilo. Fez um golaço, entrou bem e é disso que precisamos nele. Adoro jogadores rebeldes”, disse Diego Simeone numa primeira fase à Movistar. “Não me lembro da última vez que o Félix tinha marcado. Já tinha sido há algum tempo. Adoro jogadores rebeldes, com orgulho”, acrescentou mais tarde o argentino na conferência de imprensa.