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Luca Waldschmidt não é só solução para os penáltis: é solução para quase tudo (a crónica do Benfica-Marítimo)

Este artigo tem mais de 3 anos

Na ausência de Pizzi, Waldschmidt foi o responsável pela marcação do penálti — mas fez muito mais do que isso. Atacou, defendeu e foi o melhor da vitória magra do Benfica frente ao Marítimo (1-0).

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O avançado alemão parece ter voltado às melhores indicações que deu no início da época

AFP via Getty Images

O avançado alemão parece ter voltado às melhores indicações que deu no início da época

AFP via Getty Images

A equipa, como Jorge Jesus disse e repetiu ao longo de várias semanas, estava a pôr a cabeça de fora. Na antecâmara da receção ao Marítimo, este domingo, o Benfica trabalhava em cima de quatro vitórias consecutivas no Campeonato, todas sem sofrer golos, para além da eliminação do Estoril que garantiu a presença na final da Taça de Portugal. Ultrapassado o vasto surto de Covid-19 que afetou a equipa, ultrapassado o mau momento que chegou a atirar os encarnados para o quarto lugar, o sol parece ter voltado a brilhar para os lados da Luz. Ainda que, nos últimos dias, tenha surgido uma nuvem negra que promete alguns aguaceiros.

Vlachodimos perdeu a titularidade em fevereiro, no jogo da primeira mão das meias-finais da Taça contra o Estoril. Na altura, a opção por Helton Leite foi natural — a habitual mudança na baliza entre as diferentes competições. Mas três dias depois, para o Campeonato e contra o Moreirense, o ex-Boavista voltou a ser titular. Tal como foi nos dois jogos da eliminatória europeia com o Arsenal e nas partidas da Liga contra o Farense, o Rio Ave, o Belenenses SAD, o Boavista e o Sp. Braga. Leite falhou apenas a segunda mão contra o Estoril, onde Vlachodimos voltou à baliza — na habitual mudança na baliza entre as diferentes competições que deixava claro que a opção primordial de Jorge Jesus para aquela posição tinha mudado.

Para Jesus, a quem Vlachodimos nunca encheu as medidas, a gota de água foi o golo sofrido pelo grego contra o Sporting, já nos descontos e por intermédio de Matheus Nunes, que valeu a vitória leonina. O guarda-redes ainda foi aposta nos dois jogos seguintes, no empate com o V. Guimarães e a vitória com o Famalicão, mas não aguentou mais: na opinião do treinador, Helton Leite joga melhor com os pés e tem mais confiança nas saídas da baliza. E Vlachodimos, ciente de que perdeu a titularidade no Benfica e enquanto estava ao serviço da seleção grega, disse recentemente à imprensa do país que quer deixar a Luz no final da temporada. Sobre isso, Jesus tem uma opinião vincada.

“Os jogadores têm na sua carreira duas escolhas. Há a individual e a coletiva, a equipa onde está inserido. Todos olham com estes dois princípios. A individual e a dos interesses da equipa. Ele teve uma opinião individual, que projeta para o futuro dele. Não foi o momento certo, quando estão nas seleções têm de falar das seleções e não dos clubes. Não têm nada que falar dos clubes. Teve a opinião dele. Ficámos a saber qual é a ideia dele (…) Teve uma opinião. Já expliquei a forma como acho que jogadores pensam. Uns pensam mais coletivamente, outros mais neles. Todos têm estas formas de pensar. Da minha parte, castigo não tenho para lhe dar. Se estivesse a jogar, tirava-o da equipa, era esse o castigo. Porquê? Para ele e para todos. Não autorizo que me perguntem por que é que não jogam. Eu é que sou o treinador”, atirou o treinador na antevisão da partida com o Marítimo.

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Era neste contexto que o Benfica recebia esta segunda-feira os madeirenses, que partiam para esta jornada no penúltimo lugar da Liga, com apenas uma vitória nos últimos dez encontros e 15 derrotas em 24 jornadas. Sem Pizzi, que viu o quinto amarelo contra o Sp. Braga e estava castigado, e também sem os lesionados Gabriel e Nuno Tavares, Jorge Jesus voltava ao 4x4x2 depois de ter jogado com três centrais com os minhotos e optava por Veríssimo e Otamendi no eixo defensivo, deixando Vertonghen no banco. De resto, o normal: Weigl e Taarabt no meio-campo, Everton e Rafa a abrir nas alas, Waldschmidt no apoio a Seferovic e Darwin como suplente. Do outro lado, Julio Velázquez mudava quatro peças face à equipa que foi goleada pelo Famalicão na última jornada e também mudava o sistema, atuando com três centrais — Renê Santos e Andreas Karo em conjunto com Zainadine –, num 5x3x2 com Ali Alipour no lugar do castigado Rodrigo Pinho.

Os encarnados entravam em campo já a saber que teriam de vencer para voltarem a ficar a três pontos do segundo lugar do FC Porto, que já tinha vencido o Santa Clara, para garantir que permaneciam à frente do Sp. Braga, que entrava em campo pouco antes contra o Farense, e para manter pelo menos a distância de 13 pontos para o Sporting, que defrontava o Moreirense horas depois. O sistema tático de Julio Velázquez teve sucesso nos primeiros instantes da partida: a linha de cinco defesas obrigava o Benfica a lateralizar e deixava pouco espaço livre, permitindo até aos madeirenses explorar a profundidade e ir à procura das bolas paradas, já que são a equipa que mais golos marca de cabeça na Primeira Liga.

A primeira ameaça foi precisamente do Marítimo, na sequência de um cruzamento de Hermes na esquerda (1′), e a verdade é que o Benfica só conseguiu completar uma jogada ao fim de 10 minutos. Nesse lance, Seferovic cabeceou muito por cima (10′) mas ditou o mote para a restante primeira parte, em que os encarnados acabaram por ser naturalmente superiores. A equipa de Jorge Jesus voltou a causar perigo com um cruzamento de Rafa na sequência de uma recuperação de bola em zona adiantada (14′), Everton rematou rasteiro de fora de área para Amir encaixar (17′) e o Benfica ia tendo posse e ascendente — embora não conseguisse ser acutilante o suficiente para criar grandes oportunidades de golo. O Marítimo forçava as lateralizações, privilegiava os bloqueios do corredor central e não oferecia espaços, tornando muito difíceis as movimentações de jogadores normalmente mais livres como Everton, Rafa ou Taarabt.

A boa exibição dos madeirenses, porém, acabou por ser traída por uma grande penalidade. Hermes fez falta sobre Rafa e Waldschmidt, na ausência de Pizzi, assumiu a conversão do penálti: o avançado alemão marcou a primeira grande penalidade de que o Benfica beneficiou esta temporada no Campeonato, chegou aos 10 golos esta época e foi recompensado pela exibição positiva que estava a realizar, sendo um dos melhores elementos da equipa. Depois de alcançada a vantagem, os encarnados voltaram a ficar muito perto de marcar, com Seferovic a rematar para a defesa de Amir depois de um bom desenho com Rafa e Waldschmidt (29′), e os últimos primeiros minutos da primeira parte já foram algo incaracterísticos, com várias faltas, dois cartões amarelos para o Marítimo e pouco discernimento de parte a parte.

Os últimos cinco minutos antes do intervalo, contudo, demonstraram a ideia que os madeirenses tinham ido praticar à Luz: transformar qualquer falta no meio-campo adversário, por mais atrasada que fosse, numa bola parada colocada a pingar na grande área de Helton Leite. Karo ficou muito perto de empatar, com um remate na cara do guarda-redes encarnado depois de um livre batido ainda muito longe da baliza, mas o guardião ex-Boavista evitou o golo (41′). À ida para o intervalo, o Benfica estava a vencer pela margem mínima, estava a jogar mais mas não estava a ser asfixiante — e essa margem de erro permitia ao Marítimo, sempre de bola parada, deixar a ideia de que o resultado permanecia em aberto.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Marítimo:]

Na segunda parte, a atitude do Benfica pouco se alterou. A equipa de Jorge Jesus só acelerava quando a bola chegava aos pés de Rafa ou Waldschmidt e demorava muito tempo a juntar os setores, com o meio-campo a atuar longe do ataque. Por outro lado, o Marítimo regressou mais pressionante, a tentar encurtar os espaços ao longo de todo o relvado para provocar o erro do adversário. Foi nesta fase, porém, que os encarnados tiveram uma enorme oportunidade para aumentar a vantagem: num lance de laboratório no seguimento de um livre, Waldschmidt cruzou na direita e Otamendi, na pequena área, atirou a bola ao lado de forma inexplicável (54′). Uma jogada que mostrava que, apesar da clara desinspiração, o Benfica poderia acabar com a partida de um momento para o outro.

Com o avançar dos minutos, o ímpeto que o Marítimo demonstrou no início da segunda parte foi-se dissipando. O Benfica ia controlando o jogo com total naturalidade e com bola, apesar de raramente chegar com perigo à baliza adversária, e dava prioridade ao corredor direito, onde Rafa e Waldschmidt estavam num plano de entendimento claramente superior ao de Everton e Seferovic — por culpa, principalmente, do brasileiro, que voltou a realizar uma exibição muito apagada. Jorge Jesus mexeu pela primeira vez precisamente para tentar corrigir esse desequilíbrio: Cervi entrou para o lugar de Everton logo depois de um minuto louco na Luz, em que Helton Leite evitou o golo do Marítimo com uma grande defesa a um remate de Winck e Amir evitou o golo do Benfica com uma grande defesa a um remate de Seferovic no contra-ataque sequencial (62′).

A cerca de 20 minutos do final, Julio Velázquez mexeu pela primeira vez e tirou Jean Irmer e Joel Tagueu para lançar Pedro Pelágio e Correa. A entrada dos dois jogadores coincidiu com outra fase menos positiva do Benfica, em que a equipa de Jorge Jesus não imprimia grande velocidade ao jogo nem conseguia propriamente ligar os setores, e a dupla substituição do treinador espanhol acabou por provocar um novo bom período dos madeirenses, que voltaram a pressionar em todo o terreno. Milson e Guitane ainda entraram no Marítimo, Darwin, Vertonghen e Chiquinho ainda entraram no Benfica (que acabou o jogo com três centrais) mas já pouco aconteceu até ao apito final, à exceção de uma boas ocasiões de Correa e Chiquinho.

O Benfica venceu o Marítimo pela margem mínima e graças à primeira grande penalidade de que beneficiou no Campeonato esta temporada e não deixou fugir o FC Porto, mantendo-se a dois pontos do segundo lugar e com mais três do que o Sp. Braga, que bateu o Farense. Num jogo que nunca conseguiu ser acutilante, onde desperdiçou várias oportunidades claras e poderia ter sido surpreendido nas raras ocasiões em que os madeirenses chegaram à baliza de Helton Leite, os encarnados conseguiram segurar os três pontos — e muito graças à exibição de Luca Waldschmidt. O avançado alemão parece ter voltado definitivamente aos melhores indicadores que deixou no início da época, é a melhor ligação entre o meio-campo e o ataque e cumpre de forma exímia as tarefas defensivas, aparecendo muitas vezes em movimento de recuperação. Foi a solução para a marcação da grande penalidade, na ausência do crónico Pizzi, mas deixou claro que pode ser a solução para praticamente tudo.

 
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