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Depois de o Desp. Aves se ter sagrado o primeiro vencedor da Liga Revelação, em 2019, a temporada passada acabou sem campeão e sem título devido à pandemia. Esta terça-feira, depois de derrotar o Leixões, o Estoril agarrou o primeiro lugar do Campeonato das equipas Sub-23 — naquele que poderá ter sido o primeiro passo de uma temporada memorável do clube, que luta pela conquista da Segunda Liga e consequente promoção à Primeira.

O jogo decisivo, porém, terminou com muita confusão à mistura. O Estoril estava obrigado a ganhar — começou a partida a três pontos do então líder Leixões, numa fase de apuramento de campeão onde também estavam Sp. Braga, Famalicão, Belenenses SAD e Marítimo — e foi precisamente isso que fez, em casa, no Estádio António Coimbra da Mota. O encontro dificultou-se para o Leixões logo aos 10 minutos, quando Mário Júnior foi expulso com vermelho direto depois de derrubar Lucho Vega quando este seguia isolado para a grande área. O resultado foi para o intervalo ainda sem golos mas Lucas Macula, no arranque da segunda parte, abriu o marcador e colocou o Estoril a vencer.

Dez minutos depois, o Leixões ficou reduzido a nove elementos. André Lacximicant também foi expulso — e também com o vermelho direto –, numa decisão que pareceu estar relacionada com as palavras que dirigiu ao árbitro João Marques. A equipa de Matosinhos, que só precisava de empatar para ganhar a Liga Revelação, acabou por sofrer o segundo e decisivo golo já nos descontos, por intermédio de Rúben Pina. Durante os sete minutos de tempo adicional, que se mantiveram muito quezilentos e intensos tal como tinha sido toda a segunda parte, vários jogadores e elementos das equipas técnicas que estavam nos bancos de suplentes acabaram por envolver-se em confrontos, com tentativas de agressão e a necessidade da intervenção dos agentes policiais presentes. A partida terminou aí: e o Estoril confirmou a vitória e o primeiro lugar da competição.

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Depois do apito final, porém, a situação pouco ou nada acalmou. Os festejos do Estoril continuaram a ser interrompidos pelo inconformismo dos jogadores do Leixões, sendo que um atleta da equipa de Matosinhos interrompeu mesmo a flash interview de Vasco Costa, treinador dos estorilistas, para gritar “vergonha!” ao microfone do Canal 11. José Augusto Faria, técnico do Leixões, acabou por ser o autor de várias frases polémicas na conferência de imprensa, entre críticas à arbitragem e a garantia de que não “condena” a atitude dos jogadores no final da partida.

A festa dos jogadores do Estoril na altura de levantar o troféu

“Há pessoas que não andam no futebol, que pensam que andam… As Sofias desta vida têm de aprender muito para andar no futebol, porque o futebol tem de ser dos homens do futebol (…) Tenho 34 anos, estou a começar a minha carreira, posso até não chegar a um grande, mas tenho um orgulho tremendo de dizer que já treinei um clube enorme que o Leixões (…) No final, o que aconteceu é que não é fácil ver um título fugir pelas mãos quando é algo que não controlamos, que é por intermédio de terceiros. Estamos a falar de jovens, a iniciar carreira, a crescer, que são o futuro do futebol nacional, numa competição que é fantástica, que promove os jovens… E que infelizmente, por tudo aquilo que viram, não foi permitido alcançar o objetivo. Tenho um balneário inteiro de lágrimas nos olhos, tenho atletas que sentem este símbolo e que no fim não controlam as emoções, num lance junto ao banco do Estoril. Querem que diga o quê? Se é lamentável? É. Se os condeno? Não. Porque é muito difícil controlar”, explicou o treinador, numa declaração que parece visar uma das jornalistas e comentadoras do Canal 11.

Entretanto, em comunicado, o Leixões saiu em defesa de José Augusto Faria. “Em defesa da honra e bom nome de José Faria, não podemos calar a revolta pelo assassinato de carácter que estão a fazer a alguém que em nada proferiu qualquer insulto machista. Quando José Faria falou em “Homens do futebol”, na conferência de imprensa após o jogo com o Estoril Praia, abordou todo o universo do futebol. Todos, Homens e Mulheres. Sem exceção. Nós, Leixões, orgulhamo-nos de ter várias Mulheres na nossa estrutura e sermos um clube de igualdade de género. Somos um clube inclusivo. Das mães, das filhas, das irmãs. Das Sereias do Mar”, indicou o clube de Matosinhos.

(artigo atualizado às 11h24 com o comunicado oficial do Leixões)