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O golo de Linda Sällström em Helsínquia no terceiro minuto de descontos do jogo entre Portugal e a Finlândia funcionou como um autêntico balde de água fria para a Seleção Nacional, que ficou apenas a poucos segundos de dar um passo quase gigante rumo à qualificação para o segundo Campeonato da Europa consecutivo depois da promissora estreia em 2017 nos Países Baixos com um triunfo e duas derrotas na fase de grupos com Espanha, Escócia e Inglaterra. No entanto, e apesar desse desaire, havia um playoff que mantinha viva a esperança. E a própria reação da equipa no encontro seguinte, ganhando frente à Escócia por 2-0, mostrou bem a identidade da equipa, que conseguiu a sua maior pontuação num apuramento para a fase final de um Europeu de seniores.

A melhor pontuação (ainda) não chegou: Seleção feminina vence Escócia e vai discutir apuramento para o Europeu no playoff

“Há um sentimento agridoce. Não só pelo último jogo, com a Finlândia, mas não podemos esquecer as inúmeras oportunidades contra Chipre e Albânia. Também com a Finlândia, em casa, onde empatámos. Podíamos estar a ter outro tipo de destino. Quero realçar a resposta do grupo, que ao saber que não podia apurar-se foi incrível. O jogo não foi tão bem jogado da nossa parte mas foram umas guerreiras muito disponíveis e estou orgulhoso pela campanha que realizámos. Fizemos 19 pontos, a maior pontuação de sempre. A campanha tem sido brilhante e em abril vamos concretizar os nossos objetivos. Estas exibições e o comportamento, a disponibilidade e a paixão que têm deixam-me tranquilo”, comentara Francisco Neto, selecionador nacional, em fevereiro.

Agora chegara o momento de todas as decisões, frente a uma Rússia que mudou de treinador no final de 2020 e que teve um mês de estágio sem olhares indiscretos que permitissem perceber o que estava a ser trabalhado. “Estamos focados no objetivo de tentar potenciar as jogadoras e que não percamos a nossa forma de estar e a organização que temos vindo a demonstrar. Temos de ‘ser Portugal’ e estar ao mais alto nível. Temos alguma perspetiva do padrão que a Rússia poderá apresentar mas também não gostamos de fazer futurologia. Mais do que nunca, tivemos de nos focar em nós, na nossa organização e maneira de jogar, pois é isso que controlamos. Ganhar sem sofrer golos era o cenário perfeito mas a prioridade é ganhar”, destacara o técnico na antecâmara.

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Durante largos minutos, sobretudo na primeira parte, Portugal “foi Portugal”. Foi até mais do que isso, com um bom futebol, capaz de assumir o jogo e controlar mesmo sem muitas oportunidades. No entanto, uma distração de Patrícia Morais num cruzamento que bateu na trave e acabou por não ir para fora acabou por ditar o único golo da partida para a Rússia, dando vantagem ao conjunto de Leste para a segunda mão na terça-feira.

Portugal teve uma entrada forte que por pouco não resultou logo em golo, com Cláudia Neto a ser carregada já perto da área em zona central para um livre direto que saiu a rasar a trave da baliza de Elvira Todua (3′). Mesmo correndo de quando em vez o risco de perder bola na construção, a equipa nacional apostava na saída a partir de trás tendo Dolores Silva na primeira fase e colocando várias vezes Francisca Nazareth a descer no terreno e a criar desequilíbrios. Com isso, foi sendo melhor, com e sem bola, beneficiando de mais uma boa oportunidade para marcar num remate de fora da área de Tatiana Pinto para grande defesa de Elvira Todua (16′). Apesar do domínio, faltava a Portugal o último passe, sendo que foi através de um desvio de Anna Belomyttseva para a própria baliza que veio o sinal seguinte de perigo antes de Carolina Mendes falhar o desvio na área a dois minutos do intervalo na sequência de um cruzamento de Andreia Norton desviado por uma adversária.

Apesar de ter conseguido alguns espaços à entrada do último terço após recuperações de bola em zonas mais adiantadas, a Rússia enquadrou apenas um remate fraco de cabeça de Nelli Korovkina na sequência de um livre lateral, para defesa fácil de Patrícia Morais. No entanto, não precisou de muito mais para inaugurar o marcador no arranque da segunda parte, com um cruzamento largo da direita que bateu na trave, a guarda-redes nacional demorou a reagir por distração pensando que a bola iria sair pela linha de fundo e Nelli Korovkina aproveitou para encostar com sucesso para o 1-0 que premiava a eficácia russa na partida (51′).

Apenas três minutos depois, Carolina Mendes teve um desvio perigoso ao primeiro poste após canto mas o golo acabou por mexer em demasia na partida, com Portugal a sentir mais dificuldades na luta do meio-campo, a ter mais problemas nas segundas bolas e a deixar-se levar pelo peso anímico da desvantagem. Já sem a mesma disponibilidade física e com os setores mais desligados e sem tanta capacidade de chegar à frente, a Seleção não conseguiu inverter a desvantagem e é nessa posição que se vai deslocar à Rússia para o jogo decisivo, com a certeza de que as contas estão mais complicadas mas nem por isso decididas pelo equilíbrio entre as equipas.