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As sucessivas declarações bombásticas do príncipe Harry têm feito soar reações de toda a espécie, incluindo de preocupação. É o caso da biógrafa Angela Levin, autora do livro “Harry: Conversations with the Prince”, de 2018, que no Twitter escreveu esta quinta-feira que o príncipe está “irreconhecível”, o que considera ser “trágico”.

O tweet de Angela não vem ao acaso e é uma resposta ao comentário do jornalista Robert Jobson, também ele dedicado aos temas da família real britânica. Jobson recordou na mesma rede social uma citação de Harry, datada de 2017, sobre o pai: “[O nosso pai] esteve lá para nós — era o único dos dois que restou, e tentou fazer o seu melhor para ter a certeza de que estávamos protegidos e de que éramos cuidados. Mas ele estava a passar pelo mesmo processo de luto também.”

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O recuperar da citação é um claro contraponto face ao que Harry disse na sua mais recente intervenção televisiva, quando, na série documental “The Me You Can’t See”, acusou Carlos, o príncipe de Gales, de não ter dado o conforto necessário na sequência da morte de Diana: “O meu pai costumava dizer-me, quando eu era mais novo, ao William e a mim, ‘Bem, foi assim para mim e vai ser assim para vocês’. Isso não faz sentido. Só porque sofreste não significa que os teus filhos tenham de sofrer — na verdade, muito pelo contrário”. Curiosamente, também o meio Hello! recupera algumas das citações mais favoráveis de Harry face ao pai.

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Sobre esta segunda entrevista, onde Harry acusa ainda a família real de “silêncio e abandono total”, a biógrafa Angela Levin assegura que cada vez mais norte-americanos comentam “o comportamento negativo de Harry em relação à sua família, em particular ao pai e à rainha”. “Os que ouvi são contra a sua falta de educação e [o facto de ele] contar ao mundo detalhes íntimos que são difíceis de acreditar.”

Angela Levin é ainda a biógrafa que assegura que a vida de Harry parece “demasiado” para ele, e que o príncipe deveria deixar a posição recentemente encontrada, a de uma celebridade investida em consciencializar os outros nas temáticas da saúde mental. Mas essas não são as únicas preocupações da também jornalista, que na mesma rede social garante que já antes perguntou ao príncipe, sexto na linha de sucessão ao trono britânico, quem o tinha incentivado a procurar terapia. A resposta, então, foi “William”. Já em 2021, numa entrevista em podcast, Harry assegurou que foi Meghan quem o encorajou nesse departamento.

Katie Nicholl, correspondente real para a Vanity Fair, deixou recentemente um aviso no podcast Royal Beat, no sentido em que os lucros de Harry e Meghan tenderão a diminuir quanto mais eles discutirem assuntos referentes à família real. Apesar da popularidade de ambos nos EUA, comentários recentes como aquele em torno da Primeira Emenda — que Harry considerou “uma loucura” — e o incessante foco na saúde mental podem torná-los menos atrativos aos olhos dos fãs.

Ainda assim, há sensivelmente três semana o The Washington Post escrevia que tanto Harry como Meghan estavam a tornar-se em “típicas mega-celebridades americanas”.