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Talvez desconheça o nome, mas Neste é sinónimo de combustíveis pouco fósseis, mais amigos do ambiente. A empresa finlandesa lidera a produção mundial do chamado gasóleo “renovável” e de combustível para a aviação “sustentável”. Ora, numa altura em que os principais fabricantes de automóveis aproveitam as benesses da regulamentação europeia para baixar a sua média de emissões de dióxido de carbono (CO2) através da venda de modelos híbridos plug-in (PHEV), a maioria equipada com motor a gasolina, eis que a Neste acena com a possibilidade de pôr à venda também uma gasolina menos lesiva em termos de emissões de CO2, que vai começar a ser testada na Suécia tendo em vista a comercialização global.

Tal como o “MY Renewable Diesel”, um gasóleo que é feito à base de ingredientes como óleo de cozinha usado e restos de gordura decorrentes do processamento de peixe e de carne, entre outros, a gasolina “renovável” da Neste também é produzida recorrendo sobretudo a matérias-primas renováveis. Na sua composição, mais de 75% das matérias são de base biológica, sendo o restante representado por componentes de gasolina “normal”, para que o produto final obedeça às especificações do padrão EN228. Só que enquanto a empresa assegura que o diesel que coloca no mercado “produz até 90% menos emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao longo do ciclo de vida do combustível, quando comparado com o diesel fóssil”, a fórmula da gasolina da Neste ainda está aquém dessa marca. Por enquanto, esse combustível “renovável” assegura a redução em 65% da emissão de GEE, mas a companhia diz acreditar que vai ser possível igualar a eficiência do diesel, isto é, atingir os 90%.

Outra das vantagens apontadas pela empresa reside na ampla faixa de utilização da nova gasolina que, mais uma vez como o “MY Renewable Diesel”, pode ser utilizada por qualquer tipo de veículo que consuma este combustível, sem obrigar a quaisquer alterações. O mesmo acontece com toda a cadeia de distribuição, da refinaria às estações de serviço.

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Os testes estão a ser levados a cabo pela Powertrain Engineering Sweden, que fornece a Volvo e outros construtores de automóveis, e completam as análises laboratoriais com ensaios em estrada, recorrendo a dois veículos. A ideia é apurar a fórmula, para conseguir baixar as emissões antes de o produto entrar na derradeira etapa de testagem, que antecede necessariamente a sua comercialização.

De recordar que, embora a União Europeia, venha a apertar cada vez mais a malha das emissões, impondo que os GEE baixem 55% até 2030, as estimativas europeias também reconhecem que, nessa altura, 60% da frota ainda vai ser representada por veículos equipados com motor de combustão interna.

A Neste não revelou os ganhos conseguidos com a “sua” gasolina, mas não deverá diferir muito do diesel, que reduz apenas 33% de partículas, 30% nos hidrocarbonetos, 24% no monóxido de carbono e 9% nos óxidos de azoto.