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Pedro Adão e Silva respondeu esta quarta-feira às críticas de que tem sido alvo nos últimos dias devido à sua nomeação para comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e garantiu que não anda “à procura de empregos”, confessando-se “triste” com as acusações feitas por Rui Rio.

O professor de Ciência Política do ISCTE foi o escolhido para chefiar a organização das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, tendo sido revelado que irá auferir um salário de 4.500 euros brutos por mês, além de uma equipa que inclui motorista.

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No entanto, apesar das críticas, Pedro Adão e Silva, revelou numa entrevista à TVI24 que suspendeu o seu vínculo com o ISCTE, apesar de o cargo “não o exigir”. “Em relação à minha situação, vou passar a ser comissário executivo e vou suspender o meu vínculo na universidade”, afirmou Adão e Silva. “Não é um complemento aquilo que é minha remuneração, é algo que substitui a minha remuneração”, justificou.

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Outra das críticas que tem sido feito, à direita, ao docente é a sua pertença em cargos de direção no PS entre 2002 e 2004, durante a liderança de Eduardo Ferro Rodrigues. Adão Silva, dizendo que já não é militante socialista, garantiu que o cargo que vai ocupar não é uma recompensa por ter feito parte do PS.

“Afastei-me da militância no dia em que Eduardo Ferro Rodrigues saiu de secretário-geral do PS. Nunca mais tive nenhum cargo, nunca mais participei em nenhum congresso, nunca mais fiz de um órgão. E há uma coisa que nunca tornei público, mas que nestas circunstâncias tenho de tornar, é que já nem sequer sou militante do PS”, anunciou Adão e Silva, rejeitando que a sua escolha seja mais um caso de “jobs for the boys”: “Não ando à procura de empregos (…) Refuto isso, não faz o meu género.”

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Adão e Silva associou ainda as declarações de Rui Rio a um contexto de “aproximação de campanha eleitoral” e ao “fenómeno do Chega a crescer, que tem um efeito de contágio”, rejeitando liminarmente que o cargo de comissário lhe tenha sido atribuído devido ao espaço de comentário que tem nos media portugueses.

“Fiquei triste por ver que o dr. Rui Rio não acompanha os meus comentários, porque senão perceberia bem que eu digo aquilo que penso em cada momento com liberdade”, garantiu.

O cargo de Adão e Silva prolonga-se até 31 de dezembro de 2026, sendo que as celebrações começam a 4 de Março de 2022, dia em que Portugal passa a ter mais dias em democracia do que em ditadura. O objetivo é assinalar no mesmo ciclo a aprovação da Constituição e as primeiras eleições legislativas e presidenciais.

Além de garantir que não terá uma equipa alargada, Adão e Silva sublinhou que “nunca teria aceitado este lugar sem o envolvimento do Presidente da República”, que, de resto, também já veio defender a escolha. Quanto à possibilidade de ser eleito um novo Governo durante o tempo que estará em funções, o politólogo garantiu que está disposto a deixar o cargo à disposição.

“Assim que houver eleições, com um novo primeiro-ministro, a primeira coisa que eu farei é colocar o meu lugar à disposição”, garantiu Adão e Silva. “Estou mesmo interessado, mobilizado e satisfeito com esta responsabilidade, mas é uma coisa que só farei se sentir que o primeiro-ministro em funções se sente confortável com o meu mandato.”

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