“Eu regressei ao Manchester United por duas razões. A primeira é porque amo este clube. A segunda é porque adoro a mentalidade vencedora que este clube transpira.

Eu não voltei para ser cheerleader.

Se vocês querem ter sucesso, então preciso que amem este clube do fundo do coração. Vocês precisam de comer, dormir e lutar por este clube. Quer joguem ou não, precisam de apoiar os vossos companheiros de equipa e dar sempre 100% pelo clube. Estou aqui para vencer e nada mais. Vencer traz-nos felicidade. Eu quero ser feliz, e vocês?”.

As palavras podem não ter sido exatamente estas mas a mensagem, veiculada esta terça-feira pela imprensa inglesa, ficou. Ficou por Ronaldo, ficou para o plantel do Manchester United. A chegada do português a Old Trafford teve o condão de dar outra ilusão ao clube, sendo que a goleada frente ao Newcastle com dois golos do avançado em dia de Ronaldomania na cidade e um pouco por todo o mundo veio apenas confirmar que existem condições para o regresso dos red devils aos bons velhos tempos. A começar pela Liga dos Campeões, onde depois da final perdida de 2011 frente ao Barcelona o clube foi por duas vezes aos quartos.

“Não posso olhar para o plantel e dizer ‘Tivemos um jogo no fim de semana, estamos cansados’. Os atletas estão em forma e temos vindo a ficar mais robustos com o passar dos anos, mas com as contratações que fizemos vai ser mais fácil fazer uma rotação da equipa. Já tivemos desilusões suficientes. Já tivemos noites memoráveis nesta competição, algumas das maiores do clube, e o nosso objetivo agora é seguir o caminho para isso. Acrescentámos experiência, qualidade e juventude, estamos melhor preparados”, destacou na antecâmara da estreia na Suíça Ole Gunnar Solskjaer, treinador do Manchester United.

Num grupo onde partia como favorito mas cruzando com duas equipas de “segunda linha” apostadas em fazer surpresa (Villarreal e Atalanta), a estreia dos ingleses diante da formação teoricamente mais acessível do quarteto assumia uma especial importância e Ronaldo voltava a ser de forma inevitável o destaque dos red devils, até por garantir mais um recorde na Liga dos Campeões: o jogador com mais jogos disputados na prova, igualando o antigo guarda-redes de Real Madrid e FC Porto (e antigo companheiro) Iker Casillas, juntando a essa marca o registo que já lhe pertence de maior goleador da competição.

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Mas a história no sintético de Berna não ficaria circunscrita a esse jogo 177 na Liga milionária, apesar de ter começado da pior maneira: de forma inadvertida, quando estava no período de aquecimento, Ronaldo viu que um steward tinha sido atingido com força com uma bola e interrompeu o treino para se ir inteirar de como estava o azarado. Depois, o jogo começou. E, claro está, Ronaldo marcou. O Young Boys até começou de forma interessante, com duas bolas na profundidade que causaram perigo junto da baliza de David de Gea, mas na primeira oportunidade o Manchester United inaugurou o marcador com Bruno Fernandes a cair na esquerda, a cruzar de trivela e a encontrar o ‘7’ ao segundo poste para o 1-0 (13′).

Ronaldo marcava o seu golo 135 na Champions (registo máximo) e igualava Lionel Messi no registo de equipas a quem marcou na competição (36). Tanto ou mais impressionante, o avançado chegou aos 63 golos em 68 jogos desde que chegou aos 30 anos, mais 35 do que qualquer outro jogador. E a conta só não aumentou porque, na sequência de uma transição rápida após defesa de David de Gea, o remate do dianteiro após nova assistência de Bruno Fernandes foi bem travado por David von Ballmoos (25′). No entanto, e a partir do minuto 35, o encontro mudou de forma radical de características depois do vermelho direto a Wan-Bissaka por entrada imprudente, o que levou à entrada em campo de Diogo Dalot.

Com a saída de Jadon Sancho, o Manchester United colocava-se num 4x4x1 mais assumido, com Fred e van de Beek mais ao meio, Bruno Fernandes e Pogba a fechar nos corredores laterais e Ronaldo sozinho na frente numa ideia que tentava explorar as saídas rápidas. Após o intervalo, a equipa passou para um 3x5x1, com Varane no lugar de Van de Beek para permitir outra projeção dos laterais. O jogo, esse, foi aquilo que se poderia esperar, com os suíços a forçarem para chegar ao empate e Ronaldo sempre à procura da profundidade como num lance onde caiu na área e pediu penálti. E o Young Boys conseguiu mesmo chegar ao empate, com Ngamaleu a desviar na área um cruzamento na direita de Elia (66′).

O encontro não estava fácil para os ingleses e o esforço a que as principais unidades da frente tinham sido sujeitas causou de tal forma mossa que, a cerca de 20 minutos do final, Solskjaer abdicou de Ronaldo e de Bruno Fernandes para lançar em campo Matic e Lingaard. A ideia passava por estabilizar o meio-campo e procurar outra disponibilidade física no ataque à profundidade, havendo também a colocação de Pogba em zonas mais centrais para segurar o jogo. No entanto, o Manchester United não só falhou na tentativa de voltar de novo para a frente do encontro como não teve a bola suficiente para evitar a pressão helvética, acabando por sofrer o 2-1 no último minuto de descontos após um passe desastrado de Lingaard bem aproveitado por Theoson-Jordan Siebatcheu para aumentar a surpresa por culpa de Solskjaer.