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A Contemporary Amperex Technology Co., Ltd. (CATL), o maior fabricante de baterias de iões de lítio da China, figura entre os maiores fornecedores de acumuladores para a indústria automóvel, equipando veículos eléctricos de diferentes fabricantes, desde os premium BMW, Mercedes, Tesla, Volvo e Jaguar Land Rover, aos gigantes Toyota e Volkswagen, entre muitos outros. A braços com a construção de uma fábrica na Alemanha, em Erfurt, a companhia asiática decidiu juntar-se à alemã BASF, para lançar as bases de um projecto de reciclagem de materiais para baterias.

O acordo-quadro foi assinado na passada quinta-feira e visa encontrar novas “soluções de materiais para baterias, incluindo materiais de cátodo activo (CAM) e reciclagem de baterias”, o que permitirá à CATL fortalecer a sua estratégia na Europa, enquanto impulsiona os planos de expansão da gigante química BASF. Simultaneamente, uma e outra companhia dizem ver neste entendimento uma fórmula de acelerar o seu processo de transformação rumo à neutralidade carbónica.

“A parceria com a BASF é mais um passo importante para cimentar a nossa implantação na Europa”, referiu Zhou Jia, presidente da CATL. “Com a inovadora tecnologia de baterias da CATL e a profunda experiência em materiais da BASF, aumentaremos ainda mais a capacidade de apoiar os nossos clientes em todo o mundo e acelerarmos o esforço global para atingir a neutralidade de carbono.”

O projecto basear-se-á nas primeiras instalações fabris da CATL fora de portas, a fábrica que começou a ser construída em Outubro de 2019 no estado alemão de Turíngia e que deve começar a laborar no final deste ano. Originalmente, foi atribuído a essa unidade produtiva um investimento de 240 milhões de euros, quantia que posteriormente foi revista em alta, passando para 1,8 mil milhões de euros. Isto porque o fabricante chinês de baterias entendeu que os anunciados 14 GWh por ano para aumentar a capacidade produtiva seriam manifestamente insuficientes para responder às necessidades do mercado. “Realisticamente, esperamos – com cálculos muito conservadores – uma procura de 100 GWh em 2025”, explicou então o responsável máximo da CATL na Europa, Matthias Zentgraf.

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Por seu turno, também a BASF está a finalizar a construção de uma outra fábrica na Alemanha, em Schwarzheide, cujo arranque está previsto para 2022. Daí se espera que saiam materiais catódicos para 400.000 carros eléctricos por ano. Logo ao lado está a erguer-se um outro complexo, uma fábrica destinada a assegurar a reciclagem de baterias. A gigante alemã aspira ser líder na reciclagem de acumuladores para a indústria automóvel, pelo que se esta unidade-piloto for bem-sucedida, ou seja, se os processos de reciclagem para extracção de lítio testados em Schwarzheide se revelarem eficazes, então a estratégia será replicada nas restantes fábricas da BASF.

“A transformação para a electromobilidade requer fortes parcerias ao longo de toda a cadeia de valor”, sublinhou Markus Kamieth, membro do conselho de administração da BASF. “Combinar a forte posição da BASF como fornecedor líder de CAM com a experiência da CATL, em baterias de iões de lítio, irá acelerar a inovação e a formação de uma cadeia de valor sustentável para as baterias em todo o mundo”, acrescentou.

Com a associação à CATL agora anunciada, a companhia germânica reforça o seu compromisso com a sustentabilidade, pois recentemente firmou uma outra parceria com a Cellforce, uma nova subsidiária da Porsche em joint-venture com a Customcells, tendo em vista o fabrico de cátodos NCM de elevado rendimento, bem como a reciclagem dos resíduos de produção.