Uma Assembleia Geral ordinária que decorreu ao longo de todo o dia na antecâmara do jogo, a curiosidade de ver o terceiro equipamento oficial da nova temporada nos modelos versão XXL colocados junto da Loja Verde no Multidesportivo de Alvalade, várias dezenas de adeptos da formação visitante a aproveitarem o bom tempo e a altura de férias para se deslocarem até Lisboa. À primeira vista, para os mais desligados, este poderia ser mais um encontro oficial no Estádio José Alvalade. Não era. E se é verdade que havia a assinalar o regresso ao recinto após quase dois meses e meio de paragem, a receção ao Sevilha, quarto classificado da última Liga espanhola e presença na Champions, era mais do que um particular.

Logo à cabeça, havia o troféu Cinco Violinos em disputa – um troféu que, segundo se conta em Alvalade, um ex-presidente dizia sempre aos jogadores que tinham de ganhar para que não existisse a necessidade de gastar dinheiro noutro e pudesse estar sempre presente no Museu. Depois, e na sequência do encontro no Algarve frente à Roma, existia a vontade de confirmar algumas das boas indicações deixadas até tendo em conta que o Campeonato começa daqui a duas semanas logo com uma deslocação em Braga e, até lá, só existirá mais um jogo (pelo menos à porta aberta) contra o Wolverhampton no Algarve. Por fim, e como é habitual, algumas das caras novas poderiam apresentar-se aos associados leoninos, casos de Trincão, Rochinha ou Morita, além dos mais jovens a trabalhar com a equipa A (St. Juste continua lesionado).

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Quem eram os Cinco Violinos, a famosa linha avançada que marcou mais de 1.200 golos?

Na última partida realizada à porta fechada, poucas horas depois da vitória diante da Roma, o Sporting teve a primeira derrota da pré-temporada num particular com o Portimonense onde utilizou uma segunda linha de início (0-2). Antes, ganhou a Sporting B (2-1), Vilafranquense (1-0), Estoril (4-0) e Belenenses SAD (2-0) e empatou com o Casa Pia (1-1) também à porta fechada na Academia, averbando mais duas igualdades com Saint-Gilloise (1-1) e Villarreal (1-1) em particulares realizados durante o estágio no Algarve. Contudo, a primeira grande referência a nível de opções foi o triunfo com o conjunto de José Mourinho, com uma opção pouco habitual de Paulinho ficar no banco e todo o ataque ter unidades mais móveis.

O maior reforço é Pedro Gonçalves ser de novo Pote (a crónica do Sporting-Roma)

Essa era uma das curiosidades para a receção ao conjunto da Andaluzia. Com Adán certo na baliza, uma defesa com Gonçalo Inácio de novo à direita em vez de Neto, Coates e Matheus Reis para Nuno Santos ocupar a ala esquerda tendo Pedro Porro no corredor contrário e um meio-campo com Ugarte e Matheus Nunes, Rúben Amorim apostou num ataque diferente com Trincão na direita, Pedro Gonçalves na esquerda e Paulinho no meio, deixando Edwards e Rochinha de fora. Um ataque que, na teoria, será o mais próximo daquele que mais vezes jogará, sendo que, ao contrário do que tem sido habitual, desta vez não ficava nenhum dos jovens avançados no banco entre os 11 suplentes (Rodrigo Ribeiro e Chermiti).

No final, e em resumo, Amorim levou 45 minutos para aprender como uma equipa pode secar por completo a ideia de jogo do Sporting e ganhou 45 minutos para confirmar como a formação leonina melhora sempre que consegue ser fiel ao seu ADN futebolístico. E se na primeira parte a questão do ter mais ou menos avançados não se colocou porque o conjunto verde e branco não criou sequer uma oportunidade, a segunda metade veio levantar mais uma vez essa dúvida: sem Slimani, sem um outro avançado, tendo dois jovens jogadores a deixar indicações positivas mas que nem foram para o banco no jogo de apresentação, será este um plantel suficientemente largo para todas as provas? O técnico acha que sim. Mas, contra o Sevilha, a maior conquista de todas foi mesmo perceber a qualidade que Pote lhe dá como médio, entre duas outras boas exibições de Porro (pela largura que dá à direita) e de Morita (a segurar meio-campo).

Com vários jogadores com passagem por Portugal e até por Alvalade no onze (Acuña, Fernando, Óliver Torres e Corona) e no banco (Gudelj), o Sevilha, do também antigo treinador do FC Porto Julen Lopetegui, conseguiu agarrar cedo no jogo ainda que sem oportunidades perante várias dificuldades do Sporting. Por um lado, a dificuldade em preencher espaços perante a largura de jogo conferida pelos espanhóis; depois, por alguns erros na primeira fase de construção que levaram a perdas de bola ainda no seu meio-campo. Só mesmo a pressão alta quando a bola caía nos centrais andaluzes tinha alguns frutos mas foi também assim que o Sevilha inaugurou o marcador: Adán bateu rápido na frente mas mal, Óliver Torres recuperou e assistiu logo Corona e o agora extremo (outra vez mas à esquerda) atirou cruzado na área para o 1-0 (15′).

Sem bola, os espanhóis faziam uma pressão que cortava quase por completo qualquer tentativa de saída dos leões; em posse, fruto da superioridade numérica no meio-campo e das movimentações de Fernando, Rakitic e Óliver Torres, conseguiam trabalhar os melhores sentidos de jogo mediante os equilíbrios ou não da equipa da casa. E como um mal nunca vem só, Ugarte, que parecia em dificuldades desde os minutos iniciais, teve mesmo de dar lugar a Morita na altura da paragem para hidratação (25′). A troca não trouxe por si qualquer mudança porque o problema era mais quantitativo do que qualitativo e, até ao intervalo, só o Sevilha conseguiu criar perigo e por duas ocasiões Rafa Mir tentou aumentar a vantagem espanhola até Nuno Santos, na sequência de um canto, ter o primeiro remate para defesa apertada de Bono (45′).

Tal como já se tinha previsto pelo que se via ao intervalo, Lopetegui promoveu uma autêntica revolução para a segunda parte com a entrada de sete novos jogadores da baliza ao ataque ao contrário de Amorim, que manteve a mesma formação que terminou o primeiro tempo. E, logo no primeiro ataque, En-Nesyri ficou muito perto de marcar depois de um cruzamento de Munir numa saída rápida mas Adán esteve ainda melhor na “mancha” enquanto Coates continuava a protestar com o árbitro auxiliar. A partir daí, o jogo mudou mesmo de vez num misto entre a atitude completamente mudada dos leões e a falta de ligação entre setores dos espanhóis com especial enfoque no aumento das dificuldades do setor defensivo.

Paulinho, que praticamente andou a só a correr sem tocar na bola durante 45 minutos, teve uma primeira oportunidade num desvio que saiu ao lado depois de um cruzamento de Porro na direita que nasceu de um passe longo a virar o centro de jogo de Coates, algo que não acontecera na metade inicial (50′). A seguir, saindo para uma zona entre linhas fora do raio de ação dos centrais, recebeu de Morita, rodou e atirou forte de pé esquerdo a rasar o poste (52′). E, já depois de uma confusão sem necessidade iniciada por Acuña junto do banco verde e branco, Pedro Gonçalves visou também a baliza que já pertencia a Dmitrovic mas o remate cruzado saiu ao lado (59′). A equipa reagiu, o público reagiu, o Sevilha não tinha reação.

O perigo chegou também na sequência de cantos, num Sporting transfigurado com os mesmos jogadores que voltou a ameaçar o empate num desvio de cabeça de Matheus Reis ao primeiro poste que saiu ao lado, mas o golo continuava sem surgir, o que levou Amorim a fazer mais duas alterações com as entradas de Rochinha e Marcus Edwards e as saídas de Matheus Nunes e Francisco Trincão. Mais do que isso, tirou Pedro Gonçalves da linha da frente para uma posição ‘8’ como aquela que ocupava no Famalicão mas tendo os ensinamentos de dois anos no ataque. Foi isso que fez a diferença: Pote assistiu Marcus Edwards que, isolado, fintou o guarda-redes mas atirou às malhas laterais (76′); depois arriscou um remate de longe que saiu a rasar o poste (80′); e a seguir assistiu Paulinho na diagonal para o avançado fuzilar (82′) e levar todas as decisões do troféu para os penáltis, onde Fatawu atirou à trave e o Sevilha ganhou por 6-5.