804kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Marcelo teve alta, vai ser reavaliado amanhã e já avisou Costa: "Ainda não é desta que morro"

Este artigo tem mais de 6 meses

PR desmaiou numa faculdade e foi assistido no hospital. Saiu ao início da noite, com um relato detalhado e provocações para Costa e para um dos "candidatos a candidato a Belém": Não foi desta".

i

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

O Presidente da República sentiu-se mal na Faculdade de Ciências e Tecnologia, no Monte da Caparica, esta quarta-feira, foi transportado para o hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, onde esteve a fazer exames, e teve alta ao início da noite. “Aconteceu-me o que aconteceu em Braga em junho de 2018, também num dia muito quente”, diz o Presidente referindo que teve “uma quebra de tensão”. Até já foi questionado sobre o relatório preliminar da TAP — que não leu, porque só vai ler o final — e atirou: “Não querem que a minha tensão se altere outra vez, pois não?”

O Presidente fez um relato detalhado do que lhe aconteceu: “Foi uma quebra de tensão repentina, o chamado fenómeno vagal, senti tudo a ser distanciado”. Disse ainda que antes dos discursos da cerimónia onde estava ia fazer um brinde com moscatel, que começou por recusar, mas depois dos discursos acabou por “beber o moscatel quente e isso deve ter interagido com a digestão do Fortimel“, explicou recordado que não costuma almoçar — tomando apenas o suplemento nutricional que já referiu outras vezes.

Durante o tempo em que esteve no hospital, foram várias as declarações, incluindo do primeiro-ministro, que revelou já ter falado com o Presidente, referindo o seu “bom humor”. À saída do hospital, o Presidente confirmou esse estado de espírito e revelou que quando falou com Costa, gracejou: “Dou-lhe uma tristeza, ainda não é desta que morro. Temos sempre essa brincadeira de saber quem faz o elogio fúnebre do outro”. Além disso diz ter recebido também um telefonema “de um dos chamados candidato a candidato a Belém e disse-lhe ‘calma ainda não é ocasião de começar a campanha eleitoral”. Quem? Marcelo jura que não se lembra.

Preferiu sair ainda esta quarta-feira do hospital e explicou porquê: “Não quis ficar porque as análises e contraprova foram claramente positivas, se tivesse havido uma dúvida ficaria.” Diz também que fez exames para despistar possibilidade de enfarte, tendo ficado com um holter (dispositivo portátil que monitora continuamente a atividade elétrica cardíaca) e em contacto com o hospital. A sua situação clínica será reavaliada esta quinta-feira.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Saiu do hospital com a recomendação de “beber mais água, não tomar bebidas muito diuréticas ou com muito açúcar”. Quanto à agenda carregada que tem, admitiu que “hoje tinha um programa cheio, mas muito em família” e espera que “não se repita nos próximos cinco anos”.

Deixou ainda um elogio ao SNS, correu muito bem”, embora também tivesse dito que “calhou num mau dia porque houve greve de médicos e estavam os serviços mínimos que foram excecionais. Mostra que o SNS e os médicos, mesmo em greve, cumprem os serviços mínimos”.

Como tudo aconteceu

Durante a tarde, em comunicado, a Presidência da República tinha confirmado a notícia avançada pelo Correio da Manhã: o chefe de Estado teve uma “indisposição”. A nota dava ainda conta da assistência de Marcelo “no Hospital de Santa Cruz por precaução”. Foi nessa altura, que Costa terá falado com o Presidente ao telefone e descreveu um Marcelo “muito otimista“, “bastante bem disposto” e “com sentido de humor”. O chefe do serviço de cardiologia, Miguel Mendes, também veio entretanto dizer que o Presidente estava “muito bem, normal, na plena posse das suas capacidades”.

“Aparentemente o que se passou foi uma situação benigna fruto do calor“, disse o médico à porta do hospital que revelou ainda que Marcelo apresentou “testes com resultados normalíssimos”. “Está igual a si próprio”, acrescentou mesmo na mais recente atualização do estado clínico do Presidente da República.

“Está em condições de falar convosco já, a gente é que não deixa”, acrescentou ainda o médico da Presidência da República Daniel Matos — antes do tempo, já que horas depois Marcelo falou mesmo aos jornalistas e saiu do hospital. Também disse que não existe nenhuma indicação específica para Marcelo mudar de ritmo. Aliás, o chefe da Casa Civil veio logo de seguida acrescentar que, no hospital, Marcelo já tinha gravado “mensagens para os três eventos que tinha ao fim da tarde” desta quarta-feira e a que já não vai poder ir.

O Presidente desmaiou ao início da tarde, durante a visita à faculdade, tendo sido retirado para uma sala do laboratório do pólo da Universidade Nova no Monte da Caparica. Marcelo aguardou no local pelos bombeiros da Trafaria, que o transportaram até ao hospital. Depois de recuperar os sentidos, o Presidente fez toda a viagem de ambulância ao telemóvel. Chegou ao Hospital de Santa Cruz às 16h06, numa ambulância dos bombeiros, que seguia à frente de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) e de um carro com elementos do corpo de segurança pessoa do Presidente da República.

De acordo com a agenda oficial do chefe de Estado, este evento não estava programado, mas a Universidade Nova de Lisboa confirmou ao Observador que Marcelo Rebelo de Sousa estava no local para a inauguração do Laboratório de Nanocaracterização e Materiais Avançados da Faculdade de Ciências e Tecnologia, juntamente com a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e com a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato.

Marcelo “bem disposto”

Pouco depois  chefe da Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo, foi o primeiro a falar à porta do hospital com os jornalistas para garantir, num momento inicial, que Marcelo Rebelo de Sousa se encontrava bem de saúde e que iria realizar exames médicos. “Está bem disposto, já falei com ele, não queria que anulássemos a agenda da tarde nem nada”, afirmou.

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

O responsável explicou que o Presidente da República seguiu para o Hospital de Santa Cruz por ser o estabelecimento onde é normalmente seguido e fará todos os exames necessários nas próximas horas. Frutuoso de Melo já tinha atribuído a causa do desmaio”ao calor, à agenda pesada, provavelmente não teria almoçado”.”Parece um simples desmaio, mas vão fazer os exames que acham necessário”, reiterou então, frisando que Marcelo Rebelo de Sousa chegou mesmo a desmaiar no local, “mas recuperou rapidamente”.

Já o primeiro-ministro tinha falado do episódio à margem de uma visita em Viseu e disse que quando ligou a Frutuoso de Melo para se inteirar do estado do Presidente da República já foi Marcelo que atendeu. Quando questionado sobre conselhos para Marcelo abrandar o ritmo, António Costa disparou: “Abrandar é um conselho inútil para o Presidente. Há pessoas que ganham energia em andamento”.

Também sobre o perfil de Marcelo, o médico da Presidência o fez uma consideração na mesma linha: “Não há nada a fazer. Reconheço a minha incompetência em conseguir frenar a hiperatividade do Presidente. Sempre foi assim e assim será.”

“Estou em crer que não passou de um susto”

Na sede do PSD, também Luís Montenegro disse aos jornalistas que Marcelo Rebelo de Sousa estava “muito bem disposto” quando falaram por chamada telefónica. “Estive a falar alguns minutos com ele, testemunhando via telefone que se encontra muito bem disposto, muito confiante e, naturalmente, a fazer alguns exames que são necessários nesta altura“, declarou à SIC Notícias.

“Quero aproveitar por lhe endereçar, agora pela via pública, o desejo de que se possa restabelecer muito rapidamente e que possa retomar a normalidade da sua vida, que como sabemos é muito preenchida, com uma agenda sempre muito intensa. Estou em crer que não passou de um susto”, acrescentou.

Quando questionado sobre se o Presidente já saberia o que lhe tinha acontecido, respondeu: “Isso não sei, não conversei com esse detalhe. Embora o senhor Presidente da República seja muito dado ao conhecimento médico, não entrámos nessa conversa, mas posso dizer que o senti muito bem disposto, tranquilo, sereno, a aguardar apenas o resultado dos exames.”

O aparato e a mobilização de meios: “Professor Marcelo, pregou-nos cá um susto”

O aparato foi grande nos momentos após o Presidente da República ter-se sentido indisposto. O alerta caiu nos Bombeiros Voluntários da Trafaria às 15h19, sabe o Observador — a primeira chamada foi feita pela GNR da Trafaria e momentos depois cai um pedido do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Do quartel dos Bombeiros da Trafaria saiu de imediato uma ambulância, com dois técnicos de ambulância de socorro; outra, que estava no Hospital Garcia de Orta, também foi enviada para o local onde se encontrava Marcelo Rebelo de Sousa.

Assim que os meios de socorro chegaram, o Presidente da República já se encontrava consciente, explicou o comandante daquela corporação, Afonso Rocha, ao Observador, adiantando que seria uma dessas ambulâncias que acabaria por levar o chefe de Estado para o Hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Um carro da VMER, do Hospital São Francisco Xavier, foi ao encontro da ambulância nas portagens da Ponte 25 de Abril , tendo acompanhado toda a viagem até à unidade hospitalar, que fica em Carnaxide.

Nesse percurso, conta ao Observador o mesmo responsável, uma das bombeiras ainda chegou a brincar com Marcelo Rebelo de Sousa: “Professor Marcelo, você pregou-nos cá um susto”. O Presidente sorriu.

 
Assine o Observador a partir de 0,18€/ dia

Não é só para chegar ao fim deste artigo:

  • Leitura sem limites, em qualquer dispositivo
  • Menos publicidade
  • Desconto na Academia Observador
  • Desconto na revista best-of
  • Newsletter exclusiva
  • Conversas com jornalistas exclusivas
  • Oferta de artigos
  • Participação nos comentários

Apoie agora o jornalismo independente

Ver planos

Oferta limitada

Apoio ao cliente | Já é assinante? Faça logout e inicie sessão na conta com a qual tem uma assinatura

Há 4 anos recusámos 90.568€ em apoio do Estado.
Em 2024, ano em que celebramos 10 anos de Observador, continuamos a preferir o seu apoio.
Em novas assinaturas e donativos desde 16 de maio
Apoiar

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

Ofereça artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.

Há 4 anos recusámos 90.568€ em apoio do Estado.
Em 2024, ano em que celebramos 10 anos de Observador, continuamos a preferir o seu apoio.
Em novas assinaturas e donativos desde 16 de maio
Apoiar
Junte-se ao Presidente da República e às personalidades do Clube dos 52 para uma celebração do 10º aniversário do Observador.
Receba um convite para este evento exclusivo, ao assinar um ano por 99€.
Limitado aos primeiros 100 lugares
Assinar agora Ver programa