A produção artesanal de amêndoas da Páscoa ainda se mantém nos Açores, feitas em panelas de cobre e com açúcar de beterraba, apesar de a procura ser menor do que nas décadas de 80 ou 90.

Na freguesia da Fajã de Cima, no concelho de Ponta Delgada, a fábrica Pérola da Ilha “não abdica da produção de amêndoa especificamente nesta altura do ano”, como disse à agência Lusa o diretor de produção, Francisco Paquete.

A unidade fabril, para além da Páscoa, promove produções pontuais para exportar para as comunidades de emigrantes radicadas nos Estados Unidos, bem como para escoar para as outras ilhas dos Açores.

Com origem no Médio Oriente, trazidas para Portugal por influência da confeitaria francesa, as amêndoas doces eram antes produzidas em conventos.

Francisco Paquete acompanha diariamente o fabrico da amêndoa, que leva 10 horas a ser confecionada, e considera que o segredo da qualidade do produto da Pérola da Ilha “reside na sua produção quase artesanal”.

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“Esta é uma altura em que temos que nos dedicar a este produto, existindo vários tipos de amêndoa, como amêndoa lisa cores, a do tipo francês, a popular — que é muito apreciada pelo povo micaelense — e a sobremesa, a par do confeito, que não é uma amêndoa mas que requer também o uso das panelas de cobre”, afirma o empresário.

Francisco Paquete refere que a tradição da amêndoa mantém-se nos hábitos de Páscoa dos açorianos mas “já foi mais procurada”, sendo que “nos anos 80 e 90 o fabrico e a procura eram muito maiores”.

“Com a vinda da amêndoa e dos ovos de chocolate a venda caiu para cerca de metade”, frisou, para salvaguardar que na década de 80 fabricavam-se 30 mil quilos de amêndoa, sendo que atualmente atingir os 15 mil é uma boa meta.

De acordo com o empresário, a amêndoa da Pérola da Ilha “difere da que vem do continente e de outros países por ser mais tenra em termos de textura no trincar”.

Mas a estrela das amêndoas da Pérola da Ilha é a amêndoa popular, que “não tem concorrência, que é mais procurada pelos açorianos e feita com amendoim”, sendo ainda mais acessível em termos de preço.

Francisco Paquete aponta que a produção de amêndoa é escoada pelo comércio tradicional e pelas superfícies comerciais, mas há quem procure diretamente a loja da Pérola da Ilha.

Curiosamente, a produção da amêndoa por parte da Pérola da Ilha — que existe desde a década de 60 e foi fundada por Zélia e António Poim — aconteceu por acidente.

O proprietário, na altura, adquiriu umas panelas para aumentar a produção do amendoim com açúcar, mas estas destinavam-se à produção de amêndoa.

Foi o conhecimento logístico transmitido à Pérola da Ilha por um outro empresário, da então fábrica Mira Lagoa, que permitiu arrancar a produção de amêndoas, aproveitando as panelas.

Francisco Paquete afirma que houve uma altura em que o açúcar que era usado na confeção da amêndoa derivava do cultivo local da beterraba, cuja cultura entretanto desapareceu.

O empresário tentou usar açúcar extraído a partir da cana, mas os resultados não foram os desejados, utilizando agora o açúcar da beterraba importado dos Países Baixos, salvaguardando que, mais do que por razões comercias, existem motivações culturais e tradicionais associadas à sua produção.

Além das amêndoas, a unidade fabril, com 22 funcionários, comercializa aperitivos e congelados.