Portugal fechou o ano de 2023 com 329 pedidos de patentes junto do Instituto Europeu de Patentes (IEP), um aumento de 5,4% face ao período homólogo. São mais oito patentes do que em 2022, quando tinha sido estabelecido um novo recorde nacional. No Patent Index 2023, relatório partilhado esta terça-feira, a evolução portuguesa é descrita como estando “bem acima da média da União Europeia”.

No total, olhando para países que fazem parte da União Europeia e para outros como a China, a Coreia do Sul ou os EUA, o Instituto Europeu de Patentes recebeu 199.275 pedidos de patentes no ano passado, o “número mais elevado até à data” e que representa um aumento de 2,9% face a 2022 (mais 5.648 patentes). Cerca de 57% do total de pedidos tiveram origem fora do território europeu.

Portugal com novo recorde de pedidos de patentes em 2022. Lisboa regista o maior crescimento

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Em Portugal, o Norte continua a ser o líder do ranking regional, com 48% do total de pedidos (158 pedidos). Segue-se a região Centro, que, apesar de manter o segundo lugar, destaca-se por registar “uma queda de quase 30% nos pedidos de patentes em 2023, em comparação com o ano anterior”. Lisboa mantém-se no terceiro lugar da lista, com 72 pedidos, menos sete do que em 2022.

Se o ranking regional permanece sem alterações no que às posições dos três primeiros lugares diz respeito, o mesmo não acontece com a lista de requerentes. Após dois anos consecutivos a ocupar o primeiro lugar, a startup Feedzai cai para décimo. A Universidade de Aveiro, que em 2022 também estava em posição de ‘ouro’, desce para o sexto lugar, ex aequo com a NovaDelta (que deixa de ocupar o terceiro lugar). O novo top três desta categoria é, desta forma, ocupado pela Nos Inovação (28 pedidos), pela Universidade do Porto (com 14 pedidos) e pela Sword Health (com 13 pedidos), unicórnio com ADN português que “entrou diretamente” na lista para a terceira posição.

Nas primeiras 10 principais requerentes, “metade são universidades ou centros de investigação — um número superior ao da maioria dos países europeus”, destaca o Instituto Europeu de Patentes em comunicado.

A nível global, a Huawei (que já tinha liderado em 2021 e 2022) mantém-se como a principal requerente, seguida da Samsung (que sobe dois lugares face ao ano anterior), da LG (que desce um lugar) e da Qualcomm (que também cai uma posição). No que a países diz respeito, a origem dos pedidos é encabeçada pelos Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, a China e a Coreia do Sul, em destaque por crescer 21% em relação a 2022.

O Instituto Europeu de Patentes salienta que o crescimento global dos pedidos foi “alimentado principalmente pelos aumentos acentuados da República da Coreia e da República Popular da China”, sendo que a primeira entrou pela primeira vez no top 5. Os pedidos de Pequim, por sua vez, “mais do que duplicaram desde 2018”.

Em Portugal, a tecnologia informática voltou a ser a área com mais pedidos de patentes, seguida pela tecnologia médica. O terceiro setor é o das “outras máquinas especiais”, que abrange desde ferramentas para a agricultura ao fabrico de objetos em 3D, uma área que “quase duplicou em relação ao ano anterior”. Já o setor farmacêutico, que costumava ser uma das indústrias líderes em inovação no país, “apresentou a maior queda (-29,6%), tendência também refletida a nível global”.

Desta vez, o Patent Index analisou também a contribuição das mulheres para a inovação, chegando à conclusão que 52% dos pedidos provenientes de Portugal “nomearam pelo menos uma mulher como inventora”. “Este valor foi quase o dobro da média dos 39 Estados-membros da IEP (27%) e colocou Portugal em segundo lugar entre todos estes Estados, sendo apenas ultrapassado pela Sérvia”, afirma o IEP.

António Campinos, presidente do Instituto Europeu de Patentes, afirma que a “inovação permaneceu vibrante em todo o mundo em 2023” e diz que o facto de terem sido examinados “mais pedidos do que nunca” confirma “tanto a atratividade do mercado tecnológico europeu como a elevada qualidade dos produtos e serviços”.