A primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, está a ser investigada pela justiça italiana devido à libertação inesperada de um polícia líbio procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), avança a agência Reuters.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, Meloni revelou que está a ser investigada por um alegado crime de peculato e de auxílio e cumplicidade com um crime ligado ao caso.
Osama Elmasry Njeem, também conhecido como Osama Almasri Njeem, foi libertado na semana passada depois de ser detido, alguns dias antes, ao abrigo um mandado de prisão emitido pelo TPI. É suspeito de ter cometido crimes contra a humanidade.
Há dois dias, quando confrontada com a libertação, Meloni tinha dito que a mesma fora decretada pelo Tribunal de Recurso de Roma e não por ordem do governo italiano. No entanto, o TPI alega que não foi consultado sobre a decisão de libertar Elmasry Njeem e exigiu explicações a Itália.
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Apesar de estar a ser alvo de uma investigação, a primeira-ministra não tem obrigação de renunciar (tal como acontece em Portugal). E Meloni já deu a entender que não o fará. “Não serei chantageada, não vou permitir que me intimidem, e é por isso que sou, digamos, incómoda para aqueles que não querem que a Itália mude e se torne melhor”, disse Meloni, num vídeo publicado no Facebook. Para além de Meloni, a justiça italiana está também a investigar o ministro da Justiça, Carlo Nordio, o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e o subsecretário do gabinete para assuntos de informações, Alfredo Mantovano.
O polícia líbio Osama Njeem é suspeito de ter liderado o centro de detenção de Mitiga, em Tripoli, onde foram cometidos vários crimes contra a humanidade — como homicídios, violações e tortura, pelo menos desde fevereiro de 2015, de acordo com o mandado de detenção do TPI.
O líbio foi detido no dia 18 num hotel em Turim e libertado na terça-feira e deportado para Tripoli, num avião dos serviços secretos italianos. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, explicou, na quinta-feira, que o procedimento normal para prender alguém procurado por um mandado do TPI não foi seguido, levando o Tribunal de Recurso de Roma a ordenar a libertação.