A meio da tarde desta quarta-feira foi conhecida a notícia do Observador que indicava que o Ministério Público abriu uma averiguação preventiva à compra de duas casas de Pedro Nuno Santos, sobre as quais já tinham surgido notícias em 2023. Durante a tarde, e tendo sido “surpreendido” pela notícia (não foi notificado), o líder do PS dedicou-se a recolher documentos com que apareceu, ao princípio da noite, na sede do PS, para uma conferência de imprensa que serviria um duplo propósito: assegurar que é transparente e está disposto a esclarecer tudo — e acusar Luís Montenegro de não fazer o mesmo, distanciando-se do caso Spinumviva.

Ciente de que não será difícil que a campanha seja tomada por um clima de suspeição em relação aos políticos, com averiguações preventivas abertas tanto a Luís Montenegro como a Pedro Nuno Santos, o líder do PS quis separar os casos.

Desde logo, no que toca à resposta que ambos lhes dão. “Ao contrário de Luís Montenegro, não tenho medo nem do escrutínio do MP nem dos portugueses. Tenho toda a documentação relevante para disponibilizar aos jornalistas. Não vou simular, como Montenegro, que entrego a documentação para fazer o contrário”, disparou quando passavam poucos minutos do início da declaração, prometendo que esta quinta-feira a documentação relativa ao caso já estará disponível no site do PS e que gostaria de ser ouvido o quanto antes pelo Ministério Público. “Quem não deve não teme, quem não teme não foge”.

E, depois de passar semanas a exigir esclarecimentos a Luís Montenegro e a prometer que, vença ou não as eleições de maio, não desistirá de fazer aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso Spinumviva, insistiu até onde pôde na distinção entre os dois. “Sinto-me, por estar disponível para todos os esclarecimentos, com autoridade para exigir que Luís Montenegro esclareça o que não esclareceu. Não se compreende por que continua a resistir em revelar todos os clientes” da Spinumviva e mostrar o trabalho feito para uma gasolineira de Braga, assim como mostrar todas as faturas do pagamento da sua casa de Espinho, disparou.

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Líder do PS estranha “momento” e explica compra de casas

Quanto à investigação que o implica, cujo “momento e coincidência” — a um mês das próximas eleições — disse “estranhar, como todos os portugueses”, Pedro Nuno Santos assegurou estar “sempre estive disponível para o escrutínio”. Nova farpa: “Quando um político evita a todo o custo o escrutínio, a desconfiança aumenta. Não é o meu caso”.

Por isso, apareceu com uma série de documentos na mão relativas à compra das suas duas casas — uma em Telheiras, outra em Montemor-o-Novo — e das suas contas bancárias, que disse já ter revelado em 2023, quando o caso começou a ser referido nas notícias. Respostas que, frisou, na altura satisfizeram os jornais, tendo até a conta bancária aberta para o seu filho chegado a ser escrutinada.

Desta vez, explicou que pagou a primeira casa — anterior a estas, na Praça das Flores, em Lisboa — com a ajuda dos pais; a segunda foi comprada em 2018, por 740 mil euros, pagos com contas de Pedro Nuno Santos e da sua mulher e com um crédito de 450 mil euros que foi um ano depois saldado com o produto da venda dessa primeira casa; e a terceira casa, comprada em fevereiro de 2022 por 530 mil euros, teve um sinal pago com a conta da mulher — os restantes 530 mil euros foram pagos em parte com uma conta da mulher e em 508 mil euros com uma conta conjunta, e parte desses 508 mil euros são resultado de um empréstimo que ainda estão a pagar.

Pedro Nuno Santos disse aos jornalistas não existir “nenhuma incongruência” e que não saber de onde vem a informação de que teria dado informações diferentes sobre a forma como pagou a casa de Telheiras.

Durante toda a explicação, a mesma narrativa: é normal e aceitável que haja perguntas; é preciso responder-lhes; é isso que quer fazer, não estando “disponível” para que se passe a ideia de que todos os casos são “iguais” e que há uma “equivalência” entre políticos com casos na Justiça.

Quanto ao timing da investigação, “as conclusões são óbvias“, disparou, constantando que ninguém está “livre de uma denúncia anónima”. Mais se saberá a partir do momento em que, como prometeu, a informação fique disponível no site do PS. Para já, ficou o ataque político e a garantia de que não hesitará em dar esclarecimentos, com referências claras a Luís Montenegro.

Ministério Público abre averiguação preventiva a Pedro Nuno Santos