Os franceses Cécile Kohler e Jacques Paris, detidos há mais de três anos no Irão, foram acusados de “espiar para Mossad”, os serviços secretos israelitas, “conspirar para derrubar o regime” e “corrupção na terra” — crimes que no país são puníveis com a pena de morte. A notícia é avançada pela AFP, que cita fontes diplomáticas e do círculo próximo do casal.

“Fomos informados destas acusações”, revelou esta quarta-feira uma fonte diplomática ocidental, descrevendo as alegações como “infundadas.” A informação foi também confirmada pela irmã de Cécile Kohler à imprensa francesa. “Tudo o que nós sabemos é que foram vistos por um juiz, que confirmou as três acusações”, afirmou, acrescentando que não se sabe quando foram notificados. “Eles ainda não têm acesso a advogados independentes”, denunciou.

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Até agora, escreve o Le Monde, o Irão tinha acusado o casal de atividades de espionagem, mas sem nunca especificar para que país. A detenção levou as autoridades francesas a apresentar uma queixa contra o Irão no Tribunal Internacional de Justiça, sediado em Haia, por violação dos direitos consulares de proteção.

A notícia sobre as acusações surge um dia depois de uma visita consular do encarregado de negócios da Embaixada de França em Teerão ao casal — uma professora de literatura de 40 anos e o marido, de 72. Os cidadãos franceses foram detidos a 7 de maio de 2022, no último dia de uma viagem turística ao Irão. Até ao mês passado estavam detidos na prisão de Evin, conhecida pelas denúncias de tortura e abuso sexual. A infraestrutura foi alvo de um bombardeamento de Israel no final do mês de junho, antes do cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos, que provocou 79 mortos.

Tortura e abusos sexuais a mulheres. Evin, a prisão criada pelo Xá e bombardeada por Israel

As notícias sobre o ataque levaram a família do casal a exigir provas de vida na passada sexta-feira. “Não sabemos nada sobre o destino de Cécile e Jacques, não sabemos se ainda estão vivos, não sabemos onde estão”, lamentou a irmã da professora. As autoridades francesas, no entanto, tinha já recebido garantias de que não tinham ficado feridos, declarações que não convenceram os familiares: “Estão longe de ser uma garantia.” A visita consular dissipou algumas dúvidas, ainda que o Ministério dos Negócios Estrangeiros não tenha divulgado detalhes sobre o encontro, nomeadamente o local em que teve lugar.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França reafirmou as críticas às autoridades iranianas, sublinhando em comunicado que os dois franceses estão detidos de “maneira totalmente arbitrária.”