Um ano depois das primeiras diligências, a Polícia Judiciária (PJ) voltou ao terreno para fazer mais buscas no âmbito da Operação Concerto, visando esta quinta-feira várias autarquias, entre as quais a do Barreiro, apurou o Observador.
A diligência, que passou despercebida com a atualidade dominada pelo início do julgamento da Operação Marquês e a morte do futebolista português Diogo Jota (e do seu irmão André Silva) num acidente de viação, inseriu-se na investigação da PJ e do Ministério Público, num inquérito a cargo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que tem como principais alvos os empresários de comunicação Luís Bernardo e João Tocha.
De acordo com a informação avançada pelo DCIAP há exatamente um ano, a Operação Concerto investiga “suspeitas de que diversas empresas comerciais da área de prestação de serviços de comunicação e marketing participaram num esquema concertado que passava pela apresentação de propostas em concursos públicos, criando falsamente um cenário de aparente concorrência e legalidade”.
Os alegados factos decorreram entre 2020 e 2024 e estará em causa a prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, prevaricação, participação económica em negócio e abuso de poder.
Só entre 2012 e 2024, as empresas Wonderlevel Partners (WLP) e First Five Consulting (F5C) faturaram juntas cerca de 8,2 milhões de euros em contratos públicos. A F5C de João Tocha ficou com a maior parte, mas a WLP, do antigo assessor de imprensa do ex-primeiro-ministro José Sócrates, conseguiu angariar cerca de 3,6 milhões de euros em contratos públicos.
Segundo uma investigação feita anteriormente pela revista Sábado, a F5C de João Tocha e a WLP de Luís Bernardo participaram como concorrentes em diversos procedimentos concursais, nomeadamente em procedimentos de consulta prévia — nos quais são convidadas a participar três empresas. Além das empresas de Tocha e de Bernardo, o terceiro participante foi a sociedade Sentinelcriterion, Lda, que pertencerá a um sobrinho de Bernardo.
A PJ adiantou então que os referidos procedimentos concursais terão ocorrido “em clara violação das regras aplicáveis à contratação pública, designadamente, dos princípios da concorrência e da prossecução do interesse público, causando elevado prejuízo ao erário público“.
Já em março deste ano, uma investigação do Expresso e da SIC Notícias apontavam para o domínio de Luís Bernardo junto de autarquias socialistas. Entre um total de 45 contratos celebrados pela WLP com municípios, 39 tinham sido adjudicados por câmaras lideradas pelo PS. Antes de ser empresário na consultoria de comunicação, Luís Bernardo foi assessor, jornalista e militante/dirigente da Juventude Socialista.
O Observador contactou já a Câmara Municipal do Barreiro para obter mais esclarecimentos, aguardando ainda por uma resposta.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 7.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui e o sexto aqui]