Passaram poucas horas desde a publicação do decreto presidencial que determinava a demissão do ministro dos Transportes da Rússia até Roman Starovoit ter sido encontrado morto no seu carro, um Tesla estacionado num parque de estacionamento de Moscovo. Segundo a versão preliminar das autoridades russas, o homem de 53 anos suicidou-se. 

“Hoje, na localidade de Odintsovo [em Moscovo], Roman Vladimirovich Starovoit foi encontrado morto no seu carro com um ferimento causado por uma bala”, afirmou um porta-voz da Comissão Investigativa da Rússia, citado pela imprensa russa. O mesmo responsável indicou que as autoridades estavam a “trabalhar no local” para tentar “determinar” a causa da morte. Ainda assim, não é claro quando é que o homem de 53 anos morreu: há versões a circular nos meios de comunicação sociais russos que sugerem que se suicidou no sábado.

Antes de liderar o Ministério dos Transportes, onde chegou em maio de 2024, Roman Starovoit foi governador da região de Kursk, atacada pela Ucrânia numa surpreendente incursão em agosto do ano passado. O motivo da saída não foi revelado — o texto do lacónico comunicado da presidência da Rússia apenas diz que o governante foi “demitido” das suas funções. Pouco depois, soube-se que Andrei Nikitin seria o próximo ministro dos Transportes.

Em todo o caso, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deixou claro que o Presidente russo não perdeu a confiança em Roman Starovoit. O responsável pela comunicação russa apenas esclareceu que, na opinião de Vladimir Putin, as “qualidades de Andrei Nikitin vão contribuir para que a tutela, a tutela mais importante, como disse o Presidente, cumpra as suas tarefas e funções”.

Perante a falta de informações oficiais, têm surgido algumas teorias sobre o que terá acontecido. Uma delas consiste na possibilidade de Vladimir Putin já ter tomado a decisão de demitir Roman Starovoit há vários meses, mas apenas ter agido agora. O sucessor já teria sido escolhido; aliás, Andrei Nikitin tornou-se vice-ministro dos Transportes em fevereiro de 2025, após se demitir do cargo do governador da região de Novgorod.

Independentemente de quando Vladimir Putin tomou a decisão, certo é que a maneira como a região de Kursk foi gerida durante os mandatos de Roman Starovoit, que esteve no cargo desde 2018 até maio de 2024, pode ter influenciado não só a demissão do ministro, como também a sua morte. Em abril deste ano, o sucessor do homem de 53 anos em Kursk, Alexei Smirnov, foi detido por suspeitas de fraude. O caso está relacionado com um alegado desvio de fundos no âmbito da construção de fortificações de defesa na região de Kursk.

De acordo com o que apurou o jornal russo Kommersant, alguns dos nomes envolvidos neste processo que motivou a detenção de Alexei Smirnov terão testemunhado contra Roman Starovoit — e terão envolvido o nome do antigo ministro neste caso de desvio de fundos, que poderá chegar a mil milhões de rublos.

Mesmo que Roman Starovoit não tenha estado diretamente envolvido neste alegado processo de desvio de fundos, certo é que aconteceu durante o seu mandato enquanto governador de Kursk. Poderia, assim, ser responsabilizado pela falta de defesa de Kursk, que poderá ter motivado os ataques ucranianos em agosto de 2024 contra aquela região russa.

Funcionário do Ministério dos Transportes morre no mesmo dia do que o ministro

Praticamente ao mesmo tempo que as autoridades anunciaram que tinham encontrado Roman Starovoit morto, foi registada mais uma morte do Ministério dos Transportes. Andrey Korneichuk, vice-líder do Departamento de Gestão de Propriedade da Agência Federal de Estradas, morreu esta segunda-feira, após ter-se sentido mal durante uma reunião.

De acordo com o que avançaram vários meios de comunicação sociais russos, Andrey Korneichuk “levantou-se subitamente, caiu e morreu” durante uma reunião. Ao jornal russo RBK, uma fonte informada sobre o assunto garantiu tratar-se de uma paragem cardíaca. “Não se trata de um crime”, assegura.

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