Luís Montenegro considerou a reunião extraordinária do Conselho Europeu em Bruxelas “muito importante” num contexto crítico da “segurança coletiva”. “É altura de reafirmarmos a unidade e firmeza da Europa na defesa dos princípios da soberania”, disse esta quinta-feira aos jornalistas, à saída da reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.

O primeiro-ministro adianta que Portugal vai “sustentar” — numa posição de “unidade” com os parceiros europeus — que “qualquer visão de alternativa às Nações Unidas não terá o nosso acolhimento”. “Não há alternativa às Nações Unidas”. Se a ideia de haver um Conselho de Paz para Gaza pode ter algum acolhimento por Portugal, Montenegro vê como “desajustado” tudo o que possa dar a essa ideia uma “natureza genérica de intervenção concorrencial com o espírito” das Nações Unidas.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou ser “altura de reafirmar a unidade e a firmeza” da União Europeia na relação com os Estados Unidos, porque só assim a Europa conseguirá “salvaguardar” os seus interesses face a Washington.

“Eu creio que é a altura de reafirmarmos a unidade e a firmeza da Europa na defesa dos princípios da soberania, da integralidade territorial dos seus Estados, de, privilegiando a nossa relação transatlântica com os Estados Unidos da América, de sermos intransigentes nesse domínio”, declarou o chefe de Governo. Falando numa “reunião informal muito importante, numa altura crucial do ponto de vista político, do ponto de vista económico, do ponto de vista da segurança coletiva”, Luís Montenegro adiantou que, “uma lição que se pode tirar” das atuais tensões, entretanto atenuadas, “é que quando a Europa está firme e unida os seus pontos de vista podem ser salvaguardados”.

Montenegro promete defender “posição de unidade” da Europa

Luís Montenegro disse que, perante os restantes líderes europeus, irá defender “uma posição de unidade” no que se refere à participação dos Estados-membros no Conselho de Paz, criado por Donald Trump, mas deixou um aviso.

“É importante que fique muito assente que qualquer visão alternativa às Nações Unidas não terá o nosso acolhimento. Não há alternativa às Nações Unidas, é nas Nações Unidas que o contexto multilateral se expressa e a concertação das Nações se deve evidenciar”, acentuou. O primeiro-ministro referiu, contudo, que “a ideia de poder haver um Conselho de Paz para acompanhar e monitorizar o processo de paz na Faixa de Gaza pode eventualmente ter algum desenvolvimento e alguma participação”.

“Tudo aquilo que possa extravasar esse objetivo, de uma natureza genérica de intervenção de alguma maneira concorrencial com o espírito e funcionamento das Nações Unidas, parece-nos completamente desajustado”, frisou. Montenegro disse, no entanto, que não pretendia adiantar mais nada sobre este assunto de momento, porque “quem procura uma solução de unidade, de solidariedade e de uma posição conjunta, também precisa naturalmente de ouvir os outros parceiros”.

“É isso que Portugal fará”, referiu. Nestas breves declarações aos jornalistas, Montenegro foi ainda questionado se discutiu e coordenou com o Presidente da República, mas também com os dois candidatos presidenciais — António José Seguro e André Ventura –, as posições que Portugal irá assumir nesta cimeira.

Sem responder se falou com os dois candidatos, o primeiro-ministro salientou que Marcelo Rebelo de Sousa está “no exercício pleno da sua função” e frisou que “toda a cooperação institucional continua a ser feita entre o Governo e o Presidente da República”. “Posso confirmar que já falei algumas vezes com o senhor Presidente da República sobre este e outros temas da nossa agenda interna e externa”, disse.

Sobre se admite mudar a sua posição de neutralidade relativamente às eleições presidenciais, depois de a RTP ter avançado que Luís Marques Mendes deverá apoiar António José Seguro na segunda volta, Montenegro disse apenas que não tem nada a acrescentar sobre a matéria.