Pode acompanhar neste artigo em direto todos os desenvolvimentos sobre o ataque ao Presidente dos EUA
São três os crimes de que Cole Allen, de 31 anos, é acusado após alegadamente ter tentado atacar Donald Trump — mas mais acusações deverão surgir nos próximos dias. O anúncio foi feito pelo Ministério Público durante a tarde desta segunda-feira numa conferência de imprensa a propósito do ataque da madrugada de domingo (hora de Lisboa). As autoridades anunciaram ainda que estão a investigar ligações do atirador, que pode vir a ser condenado a prisão perpétua, a grupos de esquerda. A Casa Branca garante uma vez mais que nada falhou na resposta do Serviço Secreto e defende que desacordos “não se resolvem com balas”.
Cole Allen foi detido após ter disparado durante o jantar dos Correspondentes, a decorrer no hotel Washington Hilton. E cerca de um dia depois foi levado a tribunal, onde foi acusado de três crimes: tentativa de assassinato do Presidente dos EUA, transporte de arma para cometer um crime e uso de arma durante crime violento. O jovem ficou em prisão preventiva e será ouvido novamente na próxima quinta-feira.
O primeiro crime pode ser punível com prisão perpétua e os restantes com até 10 anos de prisão e entre 10 anos e prisão perpétua, respetivamente, detalhou mais tarde o Departamento de Justiça dos EUA em conferência de imprensa. “A violência não tem lugar na vida cívica. Não pode ser usada para perturbar instituições democráticas. Estamos a investigar este caso a fundo, vamos aplicar a lei de forma justa”, começou por dizer Todd Blanche, procurador-geral interino dos EUA, nessa comunicação aos jornalistas.
Elogiando o trabalho do Serviço Secreto, que “não falhou” na sua ação, Todd Blanche explicou que esta é uma “investigação ainda a decorrer”. Nesse sentido estas três acusações podem vir a aumentar: “Haverá acusações adicionais à medida que esta investigação continua”, completou depois a procuradora dos EUA para o distrito da Columbia, Jeanine Pirro.
“Mas não se deixem enganar: esta foi uma tentativa de homicídio do Presidente dos EUA. Este é o tipo de situação que não podemos tolerar”, disse.
“Estamos prontos” para um novo ataque, garantem autoridades
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, confirmou depois aos jornalistas que está a ser investigada a ligação de Cole Allen a dois grupos de esquerda, como por exemplo o grupo Wide Awake. A informação foi adiantada no seguimento de uma pergunta feita por uma jornalista presente na sala. E logo aproveitou o procurador-geral interino para criticar “os jornalistas e a comunicação social”, por serem “demasiado críticos e a chamarem nomes horríveis ao Presidente sem motivo ou sem provas”.
“[Por este motivo,] Não nos podemos surpreender que este tipo de ações aconteça. Este homem tinha formação superior, um trabalho… Ele escolheu fazer o que fez”, disse. E vincou: “Nós estamos prontos [para um novo ataque], isto é algo para o qual estaremos sempre preparados.”
“Qualquer pessoa podia entrar no hotel com armas.” As falhas do Serviço Secreto no ataque a Trump
O procurador geral interino dos EUA foi também questionado sobre os tiros disparados na noite do ataque. Em resposta, Todd Blanche disse que “ainda estão a analisar” quem disparou a bala que atingiu um dos agentes do Serviço Secreto: “Queremos ter certezas disso, ainda estamos a analisar.”
“Parece que foram efetuados cinco disparos pelas autoridades. Todas as provas estão a ser analisadas. Acreditamos, conforme consta no relatório, que o suspeito disparou a sua espingarda. Mas quanto a entrar em detalhes sobre balística, não vou fazê-lo ainda”, disse. Isto significa que o agente poderá ter sido baleado por um colega. O responsável detalhou também que segundo os analistas, os cinco disparos foram feitos com a mesma arma e não com armas de vários agentes.
Casa Branca defende que desacordos “não se resolvem com balas”
Ainda antes de ser conhecida a acusação que recairia sobre Cole Allen, a Casa Branca fez uma conferência de imprensa, na qual a postura do líder americano no momento do ataque foi elogiada. E onde se abriu a porta a dois dos motivos que, aos olhos de Washington, motivaram o ataque: a falta de financiamento do Departamento de Segurança Interna e o “culto de ódio da esquerda contra o Presidente”.
“A calma do Presidente Trump perante o caos, enquanto um outro indivíduo tentativa tirar-lhe a vida foi notável de testemunhar e é algo que nunca vou esquecer”, começou por dizer Karoline Leavitt. Depois a porta-voz da Casa Branca acrescentou que “o Presidente Trump é destemido porque ama este país, e está dispostos a colocar a vida dele em risco para cumprir as promessas que fez aos americanos que o elegeram”.
Mas não ficou por aqui: “Apesar de sermos abençoados por termos um Presidente destemido, não devíamos viver num país onde há um medo constante de violência política”. E, salientando que nos EUA não pode haver medo de discordar, vincou que os “desacordos têm de se manter pacíficos”. “Debater, manifestações pacíficas e votar: é assim que se resolvem desacordos. Não com balas”, reforçou Karoline Leavitt.
“Esta violência política vem de uma demonização sistémica de Donald Trump e dos seus apoiantes. Esta retórica violenta e odiosa e constantemente dirigida a Donald Trump, dia após dia, ajudou a legitimar a violência.” Para a porta-voz, “aqueles que constantemente e falsamente rotulam o Presidente dos EUA como fascista, como uma ameaça à democracia e o comparam a Hitler, estão a alimentar este tipo de violência” — que Karoline Leavitt apelidou como “culto de ódio da esquerda contra o Presidente e de todos o que o apoiam”.
Aproveitando a conferência de imprensa, Karoline Leavitt salientou que o ataque que ocorreu na madrugada de domingo “serviu para relembrar, uma vez mais, como é importante fundar o Departamento de Segurança Interna”. “É vergonhoso que o Congresso dos EUA tenha mantido este departamento vital sem fundos durante 73 dias, o maior ‘shutdown’ de uma agência federal da história dos EUA”, disse. E acrescentou que “o Serviço Secreto é parte vital” deste departamento.
Consequentemente, o serviço que tinha como objetivo proteger o Presidente dos EUA “tem sido diretamente impactado” por esta medida. “Os agentes puseram a sua vida em risco, colocaram o seu corpo à frente do corpo de Donald Trump. Estes homens e mulheres são heróis, cumprem o seu dever diariamente e fazem-no independentemente do tormento político em volta do seu departamento. Esta falta de financiamento devia ser um escândalo nacional. Esta é uma emergência nacional”, vincou.
Questionada sobre o protocolo de segurança do evento, a porta-voz da Casa Branca lembrou que Trump disse acreditar “que o protocolo funcionou”. “A ameaça foi neutralizada momentos depois. Foram segundos até nos mandarem baixar, tudo aconteceu em segundos. O Serviço secreto fez bem o seu trabalho e o Presidente ficou muito satisfeito com o seu trabalho”, afirmou Karoline Leavitt. Contudo, não negou que venha a ser equacionada uma mudança nos protocolos de segurança.
E sobre a realização de um novo jantar (que poderá ser feito dentro de 30 dias), Karoline Leavitt lembrou que na Casa Branca não há um espaço grande o suficiente — daí a importância do salão que Trump mandou construir (defendendo que ataques como o deste fim de semana não aconteceriam): “Infelizmente não temos uma sala grande o suficiente aqui na Casa Branca, daí o projeto do salão de baile não ser apenas um projeto divertido; é mesmo um projeto crítico para a segurança nacional.”
O salão de baile será “um edifício maior e seguro neste complexo” que é um dos mais seguros que existe, afirmou Karoline Leavitt.
Karoline Leavitt afirmou ainda que Donald Trump “não quer que lunáticos mudem a forma americana de viver”. “Acho que é uma coisa muito corajosa de se dizer”, reconheceu. E acrescentou que o Presidente “quer andar pelo país, encontrar-se com americanos, celebrar o aniversario da nação… Há muitos eventos entusiasmantes em que o Presidente quer e irá estar”, rematou.
[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]