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A presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, acusou esta quinta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de estar “muito distante da realidade” ao considerar que a subida da taxa de inflação “não é uma situação alarmante”.
“Temos um Governo, liderado por um primeiro-ministro, que está muito distante da realidade e acho que isso se percebe até por várias intervenções, nomeadamente, a de hoje sobre a inflação [em que diz] que ainda não é uma situação alarmante”, disse.
Mariana Leitão falava aos jornalistas à margem de uma visita à 42.ª Ovibeja, local onde decorria, ao mesmo tempo, uma reunião do Conselho de Ministros.
Segundo a presidente da IL, a subida da taxa de inflação para 3,4% em abril está a sentir-se “verdadeiramente” na vida das pessoas quando “vão ao supermercado”, quando “querem atestar o carro” e no “preço da habitação”.
“E a verdade é que este Governo ao longo de dois anos não tem conseguido dar resposta às necessidades das pessoas e nem tão pouco ir ao encontro daquilo que seria o necessário para garantir que as pessoas tenham uma vida mais desafogada”, justificou.
Questionada quanto a medidas concretas para alterar o paradigma, Mariana Leitão defendeu um olhar diferente “para o Estado e para o peso que o Estado representa” e, consequentemente, “uma baixa de impostos direta sobre o IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares)”.
De acordo com Mariana Leitão, a despesa do Estado “continua a aumentar, porque cada vez que os preços aumentam o Estado arrecada mais dinheiro com isso” e “as pessoas estão sempre a perder poder de compra”, seja “no IVA [Imposto sobre o Valor Acrescentado], no preço dos combustíveis, no preço das casas [ou] no IMT [Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis]”.
“Era muito importante que o Governo conseguisse estar à altura das circunstâncias [e] ter noção concreta daquilo que são as dificuldades que as pessoas estão a passar e, com isso, fazer aprovar as medidas necessárias para fazer face à situação cada vez mais dramática com que os portugueses estão a deparar”, afirmou.
Ainda assim, Mariana Leitão referiu não ter “ilusões” de que o Governo “o vá fazer”, pois “nas últimas intervenções [e] nos últimos debates que tem havido o primeiro-ministro e o Governo percebe-se perfeitamente que também não há este entendimento daquilo que é a situação real das pessoas”.
“Se não há esse entendimento, também dificilmente [haverá medidas que] vão ao encontro daquilo que são as reais necessidades”, acrescentou.
A taxa de inflação acelerou para 3,4% em abril, mais 0,7 pontos percentuais do que no mês anterior, novamente impulsionada pelos combustíveis, segundo a estimativa rápida divulgada esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em abril, a variação do índice referente aos produtos energéticos aumentou para 11,7%, após uma subida de 5,7% em março.
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