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O Presidente dos Estados Unidos ameaçou esta quarta-feira atacar novamente o Irão pelo segundo dia consecutivo, visando nomeadamente infraestruturas civis, e tomar a ilha de Kharg, um importante polo petrolífero iraniano.
“Provavelmente vamos voltar a atacá-los com força esta noite. Vou dar-lhes um pequeno aviso. Vamos atingi-los com força esta noite, mas veremos como tudo corre”, afirmou Donald Trump perante a imprensa em Ancara, por ocasião da cimeira da NATO, quando questionado sobre o reinício dos ataques norte-americanos contra o Irão.
BREAKING: President Trump announces a new wave of attacks directed at Iran will take place tonight in response to their hostilities in the region.
"We hit them very hard last night. Very, very hard. Probably hit them hard again tonight. I'll give them a little warning, we're… pic.twitter.com/Nxu5mIed6k
— Fox News (@FoxNews) July 8, 2026
Se for necessário, adiantou o líder republicano, os Estados Unidos destruirão as centrais elétricas e as instalações de dessalinização do Irão, e ameaçou tomar o controlo da ilha de Kharg, atacada na terça-feira, uma vez que “não há nada que [os iranianos] possam fazer a esse respeito”.
“Eles lançaram alguns drones e um míssil contra navios que estavam no Estreito [de Ormuz], onde tinham todo o direito de lá estar. Por isso, atingimo-los com força na noite passada”, explicou, durante a conferência ao lado do seu homólogo ucraniano.
“Atacámos a ilha de Kharg ontem à noite”, afirmou, sublinhando, porém, que deu instruções para evitar danos nas infraestruturas petrolíferas: “Eu disse: ‘Não toquem no petróleo. Não atinjam os oleodutos, atinjam tudo o resto’. E foi isso que fizeram”.
Trump admite que a questão do programa nuclear iraniano poderá ser resolvida “sem um novo acordo”
Donald Trump afirmou, ainda durante a conferência de imprensa em Ancara, que o Irão viola “todos os dias” o cessar-fogo acordado com Washington e admitiu que a questão do programa nuclear iraniano poderá ser resolvida sem um novo acordo.
“O Irão mente, faz batota e matou pessoas”, disse o líder norte-americano, que voltou também a criticar o acordo nuclear negociado durante a presidência de Barack Obama, classificando-o como “uma das piores tragédias”. “O nosso acordo é uma barreira contra uma arma nuclear. O acordo dele [Obama] era um caminho para uma arma nuclear”, afirmou.
HAPPENING NOW: President Trump slams Iranian leaders, saying they continue to "lie" and "cheat" during negotiations, warning that the U.S. may now move forward without making a nuclear deal.
"These people, they lie and they cheat, and you have an agreement, and they'll go… pic.twitter.com/OwwDEQUnBt
— Fox News (@FoxNews) July 8, 2026
Trump garantiu que o Irão “nunca construirá uma arma nuclear” ao abrigo da política da sua administração, mas admitiu que um entendimento formal poderá não ser alcançado: “Eles nunca vão construir uma arma nuclear com o nosso acordo. Mas não sei se vamos ter um acordo. Podemos simplesmente resolver isto sem um acordo”.
Porta-aviões dos EUA intercetou 111 mísseis e Trump troca “Irão” por “Japão”
O Presidente dos Estados Unidos afirmou que um porta-aviões norte-americano intercetou 111 mísseis disparados durante um ataque que atribuiu ao Irão, mas confundiu o nome do país e referiu-se, por engano, ao Japão.
“Tivemos 111 mísseis disparados pela República Islâmica do Japão”, disse, corrigindo implicitamente o lapso ao longo da resposta, numa referência ao Irão.
Trump: "We had 11 missiles shot by the Islamic Republic of Japan" pic.twitter.com/FUOFLVZiKh
— Aaron Rupar (@atrupar) July 8, 2026
Segundo Trump, os mísseis foram lançados contra o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln ao longo de cerca de uma hora. “Foram disparados 111 mísseis contra o porta-aviões durante um período de cerca de uma hora. Todos eles foram abatidos”, garantiu aos jornalistas. O Presidente dos EUA indicou que a defesa foi assegurada não só pelos sistemas Patriot, mas também por outras tecnologias de defesa antimíssil.
Trump considera que Putin e Zelensky “vão chegar a um acordo”. “Às vezes, é preciso deixá-los lutar”, diz
A guerra na Ucrânia foi também, sem surpresas, um tema abordado durante a conferência de imprensa conjunta. “Achámos que este seria um bom momento para o Presidente Zelensky e para mim nos reunirmos e vermos o que podemos fazer. Na verdade, desenvolvemos uma boa relação”, afirmou Trump ao lado do seu homólogo ucraniano.
Numa referência ao encontro tenso que ambos tiveram na Casa Branca, em fevereiro de 2025, Trump comentou: “É difícil de acreditar, não é?”
O Presidente norte-americano elogiou ainda o homólogo ucraniano, afirmando que Zelensky “fez um trabalho extraordinário” e que é “muito eficaz”. Por seu turno, Zelensky disse querer discutir com Trump “alguns detalhes muito importantes” e manifestou esperança de que o líder norte-americano contribua para o fim do conflito. “Tenho a certeza de que fará tudo para pôr fim a esta guerra”, disse o Presidente ucraniano.
Trump afirmou que acredita que a Ucrânia e a Rússia acabarão por chegar a um acordo para pôr fim à guerra. Questionado por um jornalista sobre o caminho mais pragmático para alcançar uma paz duradoura, Trump respondeu: “Vão chegar a um acordo”. “Este acordo está a ser negociado há muito tempo. Tem os seus prós e contras. Eles sabem [Putin e Zelensky] o que é”, afirmou. O líder dos EUA disse, no entanto, que tem “um pequeno interesse” na Ucrânia, devido aos minerais: “Estou ansioso para tirar proveito disto no momento certo”.
Para ilustrar a sua visão do conflito, o Presidente norte-americano recorreu a uma comparação. “Imaginem duas crianças num parque que não gostam uma da outra e começam a lutar. Às vezes, é preciso deixá-las lutar”, explicou.
Trump, sitting next to Zelenskyy, on Putin's war against Ukraine: "You have two kids in a park and they don't like each other and they start fighting. Sometimes you have to let them fight. Let them see that it's tough. Fighting is tough." pic.twitter.com/U6tV4lazVb
— Aaron Rupar (@atrupar) July 8, 2026
Questionado sobre se concordaria com a produção de mísseis Patriot pela Ucrânia, sob licença dos EUA, Trump respondeu: “Vamos conversar sobre isso”. Depois deu fortes indícios de que os Estados Unidos estariam preparados para concordar com acordos de licenciamento para os mísseis Patriot. “Um passarinho contou-me isso, sobre o facto de lhes darmos o direito de fabricar mísseis Patriot. Vamos mostrar-lhes como fazer“, disse.
“Assim, não se poderão queixar de que não estamos a fornecer o suficiente. Eu digo: ‘fabriquem vocês próprios'”, acrescentou Trump, sublinhando que a Ucrânia “vai trabalhar com a empresa” para aprender a produzir os mísseis e que este desenvolvimento pode acontecer “muito rapidamente”.
During a press conference at the NATO Summit in Turkey on July 8, U.S. President Donald Trump announced that Washington will grant Kyiv a license to domestically manufacture American Patriot missiles. The system remains Ukraine’s only tool capable of intercepting Russian… pic.twitter.com/TLueZLlyl7
— The Kyiv Independent (@KyivIndependent) July 8, 2026