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Os números, as histórias e os mitos: 40 coisas que precisamos de saber nos 40 anos de “The Shining” /premium

É uma experiência intemporal de terror para público e atores e quatro décadas depois há sempre algo a mais a descobrir sobre a adaptação do romance de Stephen King por Stanley Kubrick.

Estreou-se há 40 anos com resultados modestos e más críticas, incluindo as de Stephen King, autor do romance original. Hoje, é tido por clássico e como um dos filmes mais assustadores de sempre. Além de marés de sangue, gémeas diabólicas e machados rachando portas de casa de banho, eis as 40 coisas que precisa de saber sobre “The Shining”, uma experiência intemporal de terror para público e atores.

1. “The Shining” foi o único dos nove últimos filmes de Kubrick a não receber qualquer nomeação para os Óscares ou para os Globos de Ouro.

2. Não só não foi nomeado para qualquer Óscar, como foi indicado para os Razzies – e logo no ano de estreia do “certame” que distingue os piores do ano em Hollywood. Shelley Duvall e o próprio Stanley Kubrick foram nomeados, respetivamente, pior atriz e pior realizador do ano. Perderiam, todavia, para a lendária Brooke Shields, em “Lagoa Azul”, e Robert Greenwald, por “Xanadu”.

3. Estreou-se originalmente em apenas dez salas nos Estados Unidos, eclipsado pela grande estreia desse fim-de-semana: “O Império Contra-ataca”.

4. Curiosamente, “O Império Contra-ataca” tinha sido filmado na mesma época e no mesmo local, os Elstree Studios, em Inglaterra. Stephen King, de visita ao set, conheceu Irvin Kershner, “Kersh” para os amigos, realizador desse que é, para muitos, o melhor filme de toda a saga “Star Wars”. Em sua homenagem, há uma “Senhora Kersh” em “It”, livro em que King estava a trabalhar à época e que sairia pouco depois.

[o trailer de “The Shining”:]

5. Na célebre cena da casa de banho, os aderecistas tiveram de fazer dois tipos de porta – não porque o primeiro fosse difícil de arrombar, mas justamente pelo contrário. Jack Nicholson, que foi “fire marshal” (não exatamente um bombeiro, mas mais o equivalente a um polícia de fogos, figura que não existe em Portugal, mas, se calhar, devia), arrombava-a com demasiada facilidade para os efeitos do terror pretendido, pelo que foi preciso fazer um modelo mais forte.

6. Modelos de porta à parte, para filmar todos os takes pedidos pelo ultra-perfeccionista Kubrick, terão sido necessários três dias e 60 portas para rodar a cena.

7. A cena em que o mar de sangue escorre de debaixo dos elevadores foi conseguida em apenas três takes – uma raridade absoluta em Kubrick. No entanto, tinham sido precisos antes nove dias até que o departamento de efeitos especiais aparecesse com uma mistela vermelha que o realizador achasse realmente convincente como sangue.

8. Foram necessárias 900 toneladas de sal para construir o labirinto de “neve” do final do filme – ou, como os hipertensos lhe chamam, kryptonite.

9. A rodagem, prevista para durar 17 semanas, durou 51.

10. Steven Spielberg teve de adiar a rodagem de “Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida”, que também aconteceu nos Elstree Studios, devido ao atraso de Kubrick com “The Shining”. O facto não impediu Steven e Stanley de se conhecerem e ficarem amigos até ao desaparecimento do segundo.

11. Stephen King não gostou dos atores nem da adaptação, muito distante do romance original. Descreveu o filme como “um carro bonito sem motor”.

12. Vários documentários, entrevistas e artigos relatam o purgatório passado por Shelley Duvall na rodagem. Do pedido de Kubrick à equipa para que todos a tratassem mal às desandas públicas do realizador dizendo-lhe que estava a fazer perder o tempo de toda a gente, Duvall sobreviveu para contar e acredita que terá sido apenas a estratégia de Kubrick para levar Wendy, a personagem, ao limite. Solidário, Nicholson declarou em mais do que uma ocasião que foi o trabalho mais difícil a que alguma vez viu um ator ser sujeito.

Segundo o Livro do Guinness, a cena em que Wendy (Duvall) sobe a escadaria de costas enquanto mantém Jack (Nicholson) à distância com um taco de basebol é a mais repetida da história do cinema: qualquer coisa como 127 takes.

13. A frase mais famosa do filme não constava do guião. Foi Jack Nicholson que improvisou o célebre “Heeeeeeere’s Johnny!”, glosando o “The Tonight Show” de Johnny Carson. Kubrick, que vivia em Inglaterra e a quem a referência pouco dizia, esteve quase para a deixar de fora.

14. Apesar da estreia modesta e das más críticas, o filme resistiria em cartaz todo o Verão e acabaria por conseguir números bem interessantes para a Warner. E teria uma segunda vida a partir do final de Setembro, quando a emissão de aniversário do “The Tonight Show” de Johnny Carson devolveu o mimo e abriu ao som do grito de Jack Nicholson, levando milhões de espectadores mainstream às salas para ver um filme que, de outro modo, lhes teria provavelmente passado ao lado.

15. Robert De Niro e Robin Williams foram considerados para a personagem de Jack Torrance. Kubrick afastaria o primeiro por considerá-lo pouco psicótico para o papel e o segundo por considerá-lo demasiado psicótico para o papel.

16. Jon Voight, ou outro ator de aspeto mais “normal” ou “bondoso”, teria sido a escolha de Stephen King para protagonista. Segundo ele, a escolha de Jack Nicholson denunciava imediatamente uma personagem desequilibrada, sem a pureza e bondade donde importava que Jack Torrance caísse ao longo da espiral do mal que vai tomando conta dele em “The Shining”.

17. King foi também crítico da falta de importância dada por Kubrick aos temas do alcoolismo e da desintegração da família na adaptação.

18. Segundo o Livro do Guinness, a cena em que Wendy (Duvall) sobe a escadaria de costas enquanto mantém Jack (Nicholson) à distância com um taco de basebol é a mais repetida da história do cinema: qualquer coisa como 127 takes.

19. Saul Bass terá desenhado cerca de 300 versões do cartaz do filme até ouvir um “OK. Esse ‘tá bom” de Kubrick.

Brian De Palma foi um dos primeiros críticos do filme quando estreou. Segundo ele, “Kubrick não sabe fazer um filme de terror porque não gosta nem percebe de pessoas”

20. 29.º melhor “thrill” de sempre para o American Film Institute

21. 61.º melhor filme de sempre para os utilizadores do Internet Movie Database

22. 62.º melhor filme americano de sempre segundo uma sondagem da BBC

23. 5º melhor filme de terror de todos os tempos para a Total Film

24. Eleito em 2003 filme mais assustador de sempre pelo Channel 4

25. 9º filme mais assustador de sempre para a Entertainment Weekly

26. Jack Torrance é o 25º melhor vilão de sempre para o American Film Institute

27. “Heeeeere’s Johnny!” foi eleita 68ª melhor deixa de sempre pelo American Film Institute e 36ª pela revista Premiere

28. Estudos conduzidos por matemáticos do King’s College concluíram que se trata do filme de terror perfeito, dado o equilíbrio conseguido entre suspense, choque e sangue. Como é que estas pessoas fazem estes cálculos, não sabemos, mas vamos querer o mesmo que eles comeram.

29. 4 mil crianças fizeram audição para o papel de Danny Torrance, finalmente conquistado pelo jovem Danny Lloyd, que cativou Kubrick essencialmente pela sua capacidade de se manter concentrado durante longos períodos de tempo.

As palavras contidas no típico sinal de “Do Not Disturb” (“Não Incomodar”) colocado à porta dos quartos de hotel, têm exatamente 2, 3 e 7 letras. O número do quarto diabólico onde a mulher deslumbrante e, de súbito, monstruosa, toma banho é o 237. Os pais da pessoa que descobriu isto deviam pensar, seriamente, no que fizeram a esta criança.

30. O jovem Danny, então com 6 anos, terá sido um dos poucos elementos de toda a equipa que Kubrick tratava bem. O realizador conseguiu fazer toda a rodagem sem que a criança se apercebesse de que estavam a fazer um filme de terror e acreditando que se tratava apenas de um vulgar drama familiar. Só 11 anos mais tarde, aos 17 de idade, Danny terá visto o filme completo.

31. Jovens prodígios que atuaram em filmes para toda a família perderam-se na vida; Danny Lloyd que fez de criança com poderes paranormais num filme de terror completamente alucinado tornou-se um respeitável professor de Biologia em Elizabethtown

32. Foi somente a 2ª adaptação de um romance de Stephen King ao cinema, depois de Brian de Palma ter levado “Carrie” ao grande ecrã quatro antes. A lista de adaptações cinematográficas de King ronda hoje as 50 – and counting.

33. De Palma foi, justamente, um dos primeiros críticos do filme quando estreou. Segundo ele, “Kubrick não sabe fazer um filme de terror porque não gosta nem percebe de pessoas.”

34. Pessoas que não acreditam em coisas mas acreditam em coisas acreditam que “The Shining” está cheio de pistas deixadas por Kubrick para confessar que, sim, senhor, filmou a “chegada do homem à Lua”. Entre elas, a aparente presença do número 11 em diferentes momentos do filme (que seria uma referência à Apolo 11), o facto de a máquina de escrever de Jack ser uma Adler (isto é, “águia” em alemão, como a “Eagle”, nome do módulo que alunou), o gerente de hotel vestido com as cores americanas (representando, alegadamente, o governo) e outras coisas fáceis de ver quando, provavelmente, também não se levou a vacina contra o sarampo.

35. O perfeccionismo, chatice ou loucura de Kubrick chegavam a este ponto: quando Jack está a teclar, neurótica, repetida e obsessivamente, a frase: “All work and no play makes Jack a dull boy” (“Tanto trabalho e nenhuma diversão aborrecem o menino Jack”), o realizador garantiu que o som era feito por alguém que teclava efetivamente aquela frase e não qualquer outra à máquina. Não fosse – dizemos nós – algum anti vaxxer achar ter ouvido teclar: “Sim, fui eu que filmei aquilo do homem na Lua. Foi tudo feito na Tóbis, um estúdio simpático nos arredores de Lisboa. Alguém aceita chá?”

Passaram 40 anos da estreia de “The Shining” e ainda aqui estamos a falar do filme. Passaram seis meses da estreia da sequela, “Doctor Sleep”, e nem chegámos a ouvir falar dela

36. Alguns planos emblemáticos, como aquele que acompanha Danny de triciclo pelos corredores do Overlook Hotel, foram feitos com uma steadycam. “The Shining” foi um dos primeiros filmes a usá-la, pouco depois de “O Caminho da Glória”, de Hal Ashby, “O Homem da Maratona”, de John Schlesinger, e do grande “Rocky”, de John G. Avildsen. Em “The Shining” é operada pelo homem que a inventou: Garrett Brown.

37. As palavras contidas no típico sinal de “Do Not Disturb” (“Não Incomodar”) colocado à porta dos quartos de hotel, têm exatamente 2, 3 e 7 letras. O número do quarto diabólico onde a mulher deslumbrante e, de súbito, monstruosa, toma banho é o 237. Os pais da pessoa que descobriu isto deviam pensar, seriamente, no que fizeram a esta criança.

38. Ironicamente (ou talvez não), um filme que é tido como um dos mais assustadores de sempre mostra apenas uma morte, a do cozinheiro dick Hallorann (Scatman Crothers)

39. Em 1982, quando a Warner obrigou Ridley Scott a inventar um final feliz para “Blade Runner” e não havia já um tostão para mais um dia de filmagens, o realizador telefonou ao amigo Kubrick. Havia, no início de “The Shining”, uma série de planos aéreos das montanhas do Colorado, até chegar ao Overlook Hotel, que lhe davam imenso jeito para compor o final em que Harrison Ford e Sean Young partem para longe, enquanto Ford diz em off qualquer coisa ingénua e incoerente com o filme como “não sabia quanto tempo ela viveria, mas sabia que íamos viver o mais possível o tempo que tivessem”. E, se Ridley bem conhecia Stanley, este pelava-se de medo de voar, de modo que, provavelmente, tinha pedido a alguém para filmar planos aéreos durante um mês para, depois, poder escolher meia dúzia à vontade. Em cheio no alvo: Kubrick tinha semanas e semanas de filmagens de que usara apenas alguns trechos e emprestou os brutos a Scott, na condição de que não aparecesse nenhum dos planos selecionados para “The Shining”. Stanley, afinal, até sabia ser bom companheiro.

40. Passaram 40 anos da estreia de “The Shining” e ainda aqui estamos a falar do filme. Passaram seis meses da estreia da sequela, “Doctor Sleep”, e nem chegámos a ouvir falar dela.

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