Dina Sousa é mãe de Lourenço, um homem trans. Atravessou vários momentos, sem saber muito bem o que sentir, o que fazer, tantas dúvidas e tantos porquês, como arrumar as emoções, noites sem dormir, muita ansiedade, uma depressão. O filho tinha 28 anos quando lhe disse. Ela perguntou-lhe o que era isso de ser trans e ele respondeu que tinha nascido com o sexo feminino, mas identificava-se com o género masculino, que já tinha o nome escolhido, nada o impediria de mudar, já tinha sofrido demasiado. Era um homem, não era uma mulher.

“Fiquei como uma estátua, não conseguia reagir, só me apetecia fugir. O meu marido também estava assim.” No dia seguinte escreveu na internet: “ajuda aos pais de filhos trans”. E apareceu-lhe a AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género, um grupo de familiares de pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans. Pediu ajuda para sair daquele turbilhão. Sentiu que precisava de vir à superfície e respirar.

Não foi logo, ainda demorou a sossegar. Mas Dina Sousa entendeu muita coisa. Lourenço tem hoje 31 anos. Antes daquela conversa em que disse à mãe que era trans, já tinha dito aos pais que era lésbica, rapou o cabelo, começou a fazer musculação. Tinha, na altura, 16 anos. “Era uma coisa que não se via, a sociedade não precisava de saber, encarei com mais facilidade”, lembra a mãe. Doze anos depois, já não foi assim. Muita informação para digerir, uma mudança a acontecer, contar à família alargada. “Quando os nossos filhos falam connosco, já passaram por muito”, diz Dina, a meio da conversa. “Só com apoio psicológico é que consegui ultrapassar os obstáculos que a sociedade nos impõe ao longo da vida, para não acolher o nosso filho tal como ele é.”

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