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Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
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TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

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Conhecer o país, comer e beber bem e fugir da solidão: um fim de semana numa excursão de terceira idade

O destino era a Feira de São Mateus. Antes, um passeio por Penacova. Depois, um cruzeiro no Mondego. Com tempo para compras, atrasos nos autocarros e novas paixões depois dos setenta anos.

São oito da manhã de sábado e eu estou parado em frente ao Jardim Zoológico à espera do autocarro. A Carla, guia turística responsável pelo núcleo lisboeta da excursão, apresenta-me a uns quinze viajantes, todos eles na terceira idade, quase todos reformados, quase todas mulheres. Diz-lhes que desta vez haverá uma surpresa: “O Pedro vem aqui nesta excursão para fazer uma reportagem para o Observador”. João, corrijo eu. “João, desculpe”, diz ela. Esta apresentação assim, a frio, conjugada com a evidente diferença de idades, faz-me recear que me vejam como um intruso, como um visitante que nem bilhete pagou e que se sintam eles próprios como animais enclausurados, tímidos perante a máquina fotográfica, o meu olhar, o meu caderno, a minha caneta. Sento-me num murinho, um pouco afastado do grupo, e meto conversa com a dona Ana e a dona Maria José, que me falam de uma excursão infestada de mosquitos a Palma de Maiorca que fizeram com outra agência há precisamente um ano.

O tempo vai passando, são já quase nove e o autocarro não chega. Sente-se uma ligeira tensão no ar. “Eu não faço ninguém esperar, mas ai se me fazem esperar a mim”, ameaça a dona Maria do Céu. Cheira a motim no ar e eu esfrego as mãos de contente. O perigo infelizmente dissipa-se com a chegada do autocarro, que já transporta a comitiva da Margem Sul, liderada pelo senhor Joaquim e respetiva mulher, donos de um café no Seixal onde angariam fregueses para viagens como esta.

Sento-me no banco da frente, de onde ouço os lamentos do motorista, o senhor Zé, por não terem descriminado a paragem em Aveiras, o que o deixa em perigo no caso de ser mandado parar pela polícia. Avisa ainda que o seguro não cobre acidentes no sítio onde iremos tomar o pequeno-almoço. “E se alguém parte uma perna?”, atira. Parece-me exagero, mas deixo-me ficar calado.

Às nove e meia chegamos a Aveiras e, mal desço o autocarro, vejo duas senhoras consternadas diante do perigo causado pela rampa de acesso ao interior do snack-bar. “Venha por aqui, dona Alzira, que estes degraus são um perigo”, dispara uma delas.

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O senhor Joaquim vai promovendo as excursões seguintes: uma mariscada em Santiago de Compostela, uma peregrinação a Fátima e um passeio à Feira do Cavalo, na Golegã

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Tomado o pequeno-almoço, volto a subir para o meu lugar e ouço um senhor atrás de mim afirmar que só lhe apetece é ganir, para gáudio das senhoras que o rodeiam. Tento ouvir a conversa entre duas reformadas que vai decorrendo atrás de mim, mas não consigo perceber se o Óscar de que falam, que alegadamente “mija a toda a hora” e gosta muito de uma tartaruga, é um gato ou um marido. O sono vai-se dissipando à medida que as músicas se sucedem, até que o “Ó Malhão, Malhão” leva a audiência ao rubro. Aplaudem mais ou menos sincronizados com o ritmo da música, galvanizados por uma pandeireta que a mulher do senhor Joaquim acabou de tirar da mochila.

Ainda nem onze da manhã são e já recebi três chocolates de pessoas diferentes. Sinto-me como se as minhas avós se tivessem centuplicado e embarcassem rumo à Feira de São Mateus comigo ao seu lado.

Decido ir para os bancos de trás do autocarro, o lugar dos rufias. Mal chego, a dona Dália inicia o que parece ser uma competição para ver quem teve trabalhos mais pesados ao longo da vida, quem começou a trabalhar mais cedo e quem fez descontos durante mais tempo. Percebo que a mesma senhora, que trabalhou numa retrosaria dos doze aos vinte e quatro anos, passando depois pelos ramos da pastelaria e da roupa interior feminina, se declara vencedora das três grandes provas, apesar de um ou outro comentário irónico do senhor Carlos. Enquanto isso, o senhor Joaquim vai promovendo as excursões seguintes: uma mariscada em Santiago de Compostela, uma peregrinação a Fátima e um passeio à Feira do Cavalo, na Golegã. Deixo-me ficar por ali e percebo que o gangue do banco de trás costuma viajar em conjunto.

O monólogo da dona Dália é interrompido pela dona Maria do Céu, que me conta que costumava ir de segunda a segunda com a dona Helena, sentada ao seu lado, a bailaricos e danceterias em Alhos Vedros. Eram clientes habituais do Kleópatra, mas já se deixaram disso porque com esta idade começam a não estar para grandes avarias.

A Tânia diz-me que há pessoas que se inscrevem na mesma excursão duas ou três vezes, que não importa para onde vão desde que se façam à estrada. Diz que não andam à procura de grandes paisagens, de conhecer cidades desconhecidas, nada disso. Procuram carinho por terem medo de passar o resto da vida sozinhas.

A competição dos anos de descontos é agora substituída pela discussão acerca de quem tem mais azar ao amor, que acaba empatada três igual entre a dona Maria do Céu e a dona Maria José, ambas já com três maridos mortos, numa espécie de viuvice suprema. A dona Maria José diz-me que já se deixou disso, mas logo a seguir confessa ter um namorado que conheceu pelo Facebook e com quem nunca esteve ao vivo. Uma outra senhora confessa que também ela conheceu o atual companheiro da mesma forma.

O senhor Carlos aproveita a dica e diz que “com o telemóvel também dá para namorar”, que “aquilo vibra e tudo”. Todas se riem. A conversa passa então para uma análise da melhor maneira de se encontrarem pela primeira vez com namorados virtuais e parecem concordar que seria um encontro num lugar público, preferencialmente junto ao Barbas, na Costa da Caparica. Começa então o campeonato de quem, sendo mais velho, parece mais novo, do qual, desta feita, é a dona Helena declarada vencedora. Uma senhora conta que uma amiga sua diz que tem sessenta e dois anos, mas já fez sessenta e nove e percebo que se isto é a versão enjaulada destas feras, nem quero saber como seriam no seu habitat natural.

Paramos no hotel para deixar as malas e conhecer a Tânia, da Liara Tours, que servirá de guia para o resto da viagem e me volta a apresentar ao grupo, novamente como Pedro. Penso em corrigi-la, mas sabe-me bem mudar ligeiramente quem sou durante dois dias e deixo a coisa passar.

Guiados pelo senhor Marques, que apanha boleia a meio caminho, dirigimo-nos então para a Quinta da Boiça, em Canas de Senhorim, onde decorrerá o muito aguardado almoço-bailarico, antes de rumarmos à Feira de São Mateus. Mal o senhor Marques entra no carro, a Tânia dá início a uma sessão de anedotas picantes que faz a delícia dos passageiros.

Ao chegarmos à prometida quinta, apercebo-me de que dois outros autocarros, um vindo do Porto e outro de Vila Nova de Gaia, já lá estão para a festa. Sentamo-nos para comer um banquete infinito quando o Duo Raio-X começa a cantar uma versão mais dançável da “Chuva”, da Mariza, o que traz logo para a pista cinco casais mais extrovertidos. O vinho já foi servido e, talvez por isso, uma intrépida excursionista gaiense prende um guardanapo ao rabo-de-cavalo para se mascarar de freira durante uma versão luso-castelhana do “Hallelujah”.

Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Seguimos para a Feira de São Mateus, onde alguns andam em montanhas-russas, tomam de assalto os carroceis e regressam munidos de chapéus vermelhos, oferecidos na compra de caipirinhas

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

A Tânia diz-me que há pessoas que se inscrevem na mesma excursão duas ou três vezes, que não importa para onde vão desde que se façam à estrada. Diz que não andam à procura de grandes paisagens, de conhecer cidades desconhecidas, nada disso. Procuram carinho por terem medo de passar o resto da vida sozinhas. Enquanto a Tânia me conta tudo isto, passa em frente à nossa mesa um casal a dançar agarradinho o “Nem às Paredes Confesso”. A timidez do homem impede-o de encostar às ancas da parceira os dedos das mãos, que permanecerão respeitosamente apontados para o céu.

Convido a dona Antónia (acompanhada na excursão pela filha, também ela já reformada) para dançar, mas ela diz-me: “Se eu dançasse, alguma linguaruda ainda ia dizer ‘Aquela Antónia, morreu-lhe um filho há quatro meses e já dança’”. Insisto, mas nada feito, “tenha lá paciência”.

O bailarico é interrompido depois dos enchidos, do prato de bacalhau, do prato de vitela e das sobremesas para que possamos ir com o dono da quinta provar os vinhos que ali se fazem. A caminho da adega, ouço um reformado atrás de mim gritar “eu faço o que eu quero”, enquanto usa uma mesa de jardim como tambor para marcar o ritmo da canção que já mal se ouve cá fora. A adega atolada divide-se em três grandes grupos: os que se passeiam a conversar alto, a tirar selfies sentados nas cadeiras vintage ou a fazer comentários sobre como se fazia vinhos antigamente; os que, irritados, mandam calar o primeiro grupo; e os que estão genuinamente interessados em ouvir a explicação do dono da quinta. Esta grande divisão desaparece, contudo, assim que a prova de vinhos começa.

"Descubro que o senhor Mário vira a dona Albertina nascer. Tinham oito anos de diferença. Passou a vida a perguntar por ela e ninguém lhe sabia dizer sequer se era viva ou morta, solteira ou casada. Nada. Levaram vidas separadas, tiveram filhos e netos e viram-se de novo sozinhos aos setenta anos. Reencontraram-se e começaram a namorar e agora vão os dois juntos para todo o lado, de mãos dadas."

Imediatamente a seguir a isso, as mais aventureiras do grupo lançam incursões isoladas às figueiras. Uma delas regressa ao salão de baile a sorrir, munida de um saco de plástico cheio de figos. Consigo finalmente convencer a dona Antónia a dançar comigo durante uns segundos, até que me pede que paremos por se sentir observada.

Com a pista de novo a meio gás, sento-me a conversar com a dona Albertina e com o senhor Mário, um excursionista lisboeta de noventa anos que me conta ter sido várias vezes condecorado pelo Estado pelo seu trabalho de enfermagem durante e após a Guerra do Ultramar. O senhor Mário vira-se para mim e atira: “Três num dia/ E cada vez três/ Sete numa noite/ E uma num mês. Sabe o que é?”. Eu penso durante um bocado, em silêncio, mas não consigo adivinhar. Digo-lhe: “Não sei, o que é?”. Ele responde-me: “Não sei, também já não me lembro”. Rimo-nos os dois. A seguir, descubro que o senhor Mário vira a dona Albertina nascer. Tinham oito anos de diferença. Passou a vida a perguntar por ela e ninguém lhe sabia dizer sequer se era viva ou morta, solteira ou casada. Nada. Levaram vidas separadas, tiveram filhos e netos e viram-se de novo sozinhos aos setenta anos. Reencontraram-se e começaram a namorar e agora vão os dois juntos para todo o lado, de mãos dadas. Nunca casaram. Não são marido e mulher. São namorados e assim serão até ao dia em que o primeiro deles morrer.

A pista de dança reanima e esmorece com a chegada de um lanche ajantarado, o que soaria a brunch tardio, mas é na verdade uma grelhada mista com arroz de feijão antes das seis da tarde. O Duo Raio-X toca o “Sailing”, do Rod Stewart. Três senhoras ficam ali no meio, abraçadas, a balançar o corpo ao som da música.

Depois brindamos, o cozinheiro pega no microfone para cantar o “Mestre da Culinária” e despedimo-nos de todos, trocando votos de boa viagem. Uma excursionista passa por mim e diz-me que já foi em muitas viagens, mas nunca viu nada assim. Seguimos para a Feira de São Mateus, onde alguns membros da comitiva andam em montanhas-russas, tomam de assalto os carroceis e regressam munidos de chapéus vermelhos, oferecidos na compra de caipirinhas. Só me apercebo de tudo isto no dia seguinte, quando me mostram as fotografias tiradas pela máquina automática de uma das atrações e os vídeos de viúvas montadas em zebras ou a rodar dentro de bules de chá.

Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR Reportagem: fim de semana numa excursão para idosos em Penacova, Viseu e Coimbra. 17 e 18 de Setembro de 2022 Lisboa, Penacova e Coimbra TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

O motor do barco entope e ficamos ancorados no Mondego uma meia hora. Tento espalhar o pânico anunciando que não há salva-vidas suficientes, mas ninguém me liga, estão todos a reviver o dia anterior

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No dia seguinte, paramos uns minutos na Serra da Atalhada para ver moinhos convertidos numa espécie de AirBnB e tirar uma fotografia de grupo. A genica dos excursionistas volta a surpreender-me quando vejo a dona Leonor, certamente sexagenária, a descer uma rampa bastante inclinada correndo como uma criança. Depois, passeamos uns minutos por Penacova onde os participantes se atestam de caixas de doces para oferecerem aos netos, voltamos ao hotel para almoçar e partimos finalmente para Coimbra, o destino final desta odisseia, onde nos metemos num cruzeiro pelo rio Mondego. O motor do barco entope à conta das algas e ficamos ancorados entre as duas margens durante meia hora. Tento espalhar o pânico anunciando que só há coletes salva-vidas para metade dos tripulantes, mas já ninguém liga nenhuma, por estarem todos a reviver o dia anterior e a pensar nas histórias que contariam ao regressarem a casa.

Ao chegarmos a Lisboa, a Carla, entusiasmada, anunciou ao microfone que pela primeira vez numa excursão sua se formara um novo casal. Os jovens amantes trocam um beijo tímido nos bancos de trás do autocarro enquanto o resto dos excursionistas vai agitando os braços e cantarolando a “Paixão” do Rui Veloso, que ecoa pelas colunas do autocarro. Ao descer, aperto a mão do motorista e sussurro para dentro: “Play it once, Sam. For old times’ sake”.

João Pedro Vala é escritor, autor do romance “Grande Turismo”. Passeio das Virtudes é uma rubrica sobre vidas portuguesas e portugueses nas suas vida (o Observador viajou a convite da Liara Tours)

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