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Para quem vivia na cidade de Lisboa no início de 1570, o novo ano não parecia prometer nada de bom. Há vários meses que uma epidemia devastava a cidade, obrigando à fuga de muitos e provocando a morte da maioria. As ruas estavam praticamente vazias e a população tinha sido reduzida quase para metade. O que poderia 1570 trazer que 1569 já não tivesse oferecido?

Os primeiros casos começaram a surgir em abril de 1569. Em tudo se assemelhavam à epidemia que tinha assolado a Europa em 1348. Nesse ano, a doença que ficou conhecida por Peste Negra reduziu a população para metade. Na cidade de Florença, o número de habitantes desceu de 100 mil, em 1338, para 50 mil, em 1351, e em Veneza de aproximadamente 110 mil para 70 mil — uma situação que se repetiu um pouco por toda o continente. A peste terá chegado a Portugal numa altura em que já estaria a perder forças, no final de setembro de 1348 (o historiador A. H. de Oliveira Martins, citando o Livro da Noa de Santa Cruz de Coimbra, fala no dia 29), mas isso não a impediu de fazer um número elevado de vítimas, sobretudo na região de Lisboa. Em 1569, quando regressou, não foi muito diferente.

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