PZ: o eletro-irónico de pijama está de volta /premium

12 Abril 2019294

PZ, o alter-ego de Paulo Zé Pimenta, apresenta o seu quinto álbum, "Do Outro Lado", um trabalho mais maduro, consistente e pessoal. Antes de subir ao palco do Pérola Negra falou com o Observador.

Nasceu no Porto e conheceu os clássicos da música dos anos 80 através do pai, que o levou a ver Madonna, Michael Jackson, David Bowie ou Guns N’Roses ao vivo em Alvalade. Sozinho descobriu mais tarde o poder da música portuguesa, onde António Variações, GNR, Mind Da Gap ou Pedro Abrunhosa são referências. Aos 16 anos já fazia as suas próprias canções e com o irmão criou uma editora, a Meifumado.

Paulo Zé Pimenta é PZ, o alter-ego nascido em 2005 à boleia do primeiro álbum, Anticorpos, editado depois de estudar nos EUA e regressar ao Porto com uma depressão. A música curou-o e, por isso, nunca mais a largou. Com influências no techno, hip, hop, jazz ou até mesmo no fado, PZ mistura tudo e todos no seu universo, tanto no reportório como nos vídeos que faz. É dono de uma linguagem própria, cheia de irreverência e criatividade, onde a realidade se mistura com a ficção de uma forma livre e capaz de surpreender. O seu processo criativo acontece em casa, num quarto que também é um estúdio, e de pijama vestido. É, aliás, de pijama que sobe ao palco, uma morada que já lhe provocou medo.

Refugia-se muitas vezes no humor, às vezes negro e incompreendido, na espontaneidade natural e numa informalidade em que tudo parece fácil e simples. A sua música tem tanto de interventiva, nas críticas que faz “aos dias de neura” e “às pessoas bestas”, como de infantil, quando graças a ela volta “à infância feliz” e à brincadeira própria de uma certa inocência.

Para ouvi-lo é preciso estar-se disponível para abraçar o novo e o diferente, sem reservas nem pudores. Do Outro Lado é o seu álbum “mais forte, sólido e consistente”, conta, uma viagem pessoal, com principio meio e fim, à maturidade e às certezas que só ela pode trazer. No sábado, dia 13, no Pérola Negra, no Porto, inicia mais uma viagem, a sua digressão. Braga, Lisboa, Aveiro, Setúbal e Coimbra são as próximas paragens. Antes de ouvir PZ, é preciso conhecê-lo.

[“Realidade Paralela”, tema do novo álbum de PZ:]

Para quem não te conhece, quem é o PZ? Fala-me das tuas origens.
Nasci em 1980 na Lapa, no Porto, mas a minha família é de Famalicão. No primeiro ciclo fui estudar para o Colégio do Rosário e aos 18 anos fui para os Estados Unidos estudar new media arts, estive lá quatro anos. Ah, e tenho um irmão mais velho, o Zé Nando.

O que se ouvia em tua casa?
Ouvia-se muitos The Smiths, na altura eu nem gostava muito, era muito novo. Foi daquelas bandas que me foi entrando no ouvido e fui aprendendo a gostar. A nossa relação familiar dava para isso. Todos os sábados ouvíamos música, íamos para o Algarve e ouvíamos as bandas que começaram a surgir nos anos 80 no carro. O meu pai levava-nos aos concertos em Alvalade, por exemplo, vi Madonna aos seis anos, depois Michael Jackson e David Bowie. Mais tarde, em teenager, comecei a ouvir bandas como os Guns N’Roses intensamente, a consumir música todos os dias e a saber todas as letras de cor. Mais uma vez, o meu pai é que nos mostrava tudo, desde os Led Zeppelin ao Leonard Cohen. A música para ele era um hobby, pintava e também aprendeu a tocar piano, mas não era muito a cena dele. Sempre ouvi o que ouvia na altura, mas procurava uma coisa mais alternativa, não gostava tanto do comercial e do pop, era sempre uma coisa com qualidade, mas algo diferenciada.

Uma coisa é gostar de ouvir música e ir a concertos, outra é fazer disso vida. Quando pensaste nisso pela primeira vez?
A partir dos 16 anos já fazia música sozinho. O meu irmão também foi estudar produção para os EUA e foi-me introduzindo a esse mundo, numa altura em que surgiram as produções techno e trip-hop.

Lembras-te dessa tua primeira música/experiência?
Sim, chamava-se “Foz Girl”, já tinha um sintetizador e já fazia beats sozinho, dava uns ares de Jim Morrison. Aliás este tema ainda está disponível na internet e a ainda hoje em dia acho uma música interessante. Era cantada em inglês, ainda não tinha uma voz… a voz de PZ.

Qual era o teu estado de espírito quando regressaste dos EUA?
Quando voltei em 2002 voltei com uma depressão, não sabia bem o que havia de fazer. Estive lá quatro anos e hoje olho para trás e acho que fui um bocadinho cedo, gostei muito e aprendi muito, mas se calhar senti falta do apoio da minha família. Quando voltei não sabia mesmo nada. Na altura ainda fui trabalhar para Serralves como voluntário para fazer alguma coisa e foi aí que comecei a fazer música. A minha família disse me “agora não te preocupes com nada”, deu me essa liberdade. Por caso, sempre tive essa sorte.

Foi com essa liberdade que criaste a tua própria editora?
Sim, comecei a tocar muito com o meu irmãos e dois amigos na garagem de casa, sessões de improviso total, tardes inteiras e tocar sem pensar em nada. Nessa altura eu e o meu irmão resolvemos assumir a música de vez e criámos uma editora, a Meifumado, em 2004. Fomos bater à porta de outras editoras, mas éramos muito novos, não sabíamos bem como o mundo ou o mercado da música funcionavam, toda a gente achava que o que nós fazíamos era um bocadinho alternativo demais e então decidimos criar a nossa própria editora. No início não foi fácil, a editora profissionalizou-se só em 2008 quando criámos os Paco Hunter, a primeira banda com que subi a um palco.

Que banda era essa?
Foi um disco que fiz com o meu irmão e que adoro, é quase uma ode ao nosso pai que faleceu na altura. Reunimos todas as influências dele com um lado muito humorístico, porque falámos de cidades que nunca estivemos. Foram 30 dias a fazer 20 músicas. Adorei esse tempo. Foi um luto que precisávamos de fazer do nosso pai e ajudou o facto de estarmos sempre juntos a fazer música.

Antes disso, surge o primeiro álbum de PZ.
Sim, o Anticorpos surgiu em 2005, um ano depois de fundarmos a editora. Esse álbum deu o mote para PZ e nasceu com o tema “Sofá Efervescente”, que é quase um hino pessoal. A partir daí começaram a surgir vários temas e de repente no final do álbum já estava curado da depressão, já tinha arranjado um sentido para a minha vida. Decidi chamar Anticorpos porque foi a cura para a doença e quase a minha entrada na idade adulta.

"Em 2005 quando estava a escolher o nome para o álbum, queria algo pessoal e achei que as iniciais do meu nome ligavam bem. É uma mistura entre eu e um alter-ego e nas próprias músicas debato-me sobre isso, principalmente nas letras."

Chegaste a tocar esse álbum ao vivo?
Não, na altura tinha muito medo de me expor, era um projeto muito pessoal. Fiquei muito contente com esse álbum, mas não sabia bem o que fazer com ele. Foi tudo feito em casa, com meus sintetizadores e o meu sample, mas como poderia tocar isso ao vivo?

Quando assinas PZ, és tu ou uma personagem?
Olha é estranho porque há realmente pessoas que me chamam PZ, isso surgiu no Rosário quando era miúdo. O nome Paulo Zé é comprido, nos anos 80 eram típicas estas conjugações com Zé. Tenho amigos que me chamam Tó Zé mas o PZ ficou mais entranhado. Em 2005 quando estava a escolher o nome para o álbum, queria algo pessoal e achei que as iniciais do meu nome ligavam bem. É uma mistura entre eu e um alter-ego e nas próprias músicas debato-me sobre isso, principalmente nas letras.

Há temas sobre mim, biográficas, que relatam o que vejo e o que oiço, e outras que são ficcionadas com fundos de verdade, com base na realidade. São imagens que tenho na cabeça e que estão relacionadas com a minha vida. Tento ser genuíno, mas obviamente isto não é um reality show, ou seja, não estou a descrever tudo. Eu como faço outros géneros de música, PZ vai ser sempre o meu projeto mais pessoal.

Em 2012 voltas com esse alter-ego, desta vez para cima do palco.
Sim, já estava com algumas músicas guardadas e apeteceu-me ressuscitar o projeto. Assim nasceu o Rude Sofisticado, o álbum dos “Croquetes”.

Sentes que o “Croquetes” foi o teu primeiro boom?
Sem dúvida, assisti muito a esta revolução digital e PZ surgiu no início da era. Na altura o YouTube começou a ganhar expressão, o realizador Alexandre Azinheira fez o vídeo e aquilo começou a crescer. O Nuno Markl foi uma pessoa importante nesse processo, porque na altura andei a disparar o vídeo para toda a gente para o promover e ele acabou por publicá-lo na página no Facebook. Lembro-me que aquilo passou de mil para 10 mil visualizações, depois as pessoas começaram a aparecer nos concertos e acho que foi por causa de os “Croquetes”. Em todas as carreiras musicais tem de haver um single, o meu felizmente foi este.

[“Croquetes”:]

A ideia de te apresentares sempre de pijama aconteceu quando?
Quando fiz o vídeo para “O Que Me Vales És Tu”, onde às três da manhã pus uma câmara a filmar e comecei a dançar a ouvir a música, o Alexandre Azinheira viu-me de pijama e sugeriu que adotasse aquilo. Decidi assumir a coisa, pois é também um símbolo da maneira como faço a minha música que é, efetivamente, de pijama. Hoje em dia com dois filhos é mais difícil, mas eles já estão habituados, quando digo que é dia de pijama é porque vou trabalhar. É quase farda de trabalho. Decidi transportar isso para o palco e até criar uma certa estranheza no público. A primeira vez que atuei assim foi na festa de aniversario do Canal 180, foi interessante, no final tive um bom feedback, as pessoas acharam piada e correu super bem. A partir desse concerto, apresento-me sempre de pijama em palco.

Há alguma história engraçada associada a isso?
Uma vez roubaram-me as calças do pijama, mas felizmente foi a seguir ao concerto.

Usas sempre o mesmo ou vais variando?
Tenho 3 ou 4, há sempre um de riscas que costumo usar para manter aquela tradição. Antes ofereciam-me mais pijamas, mais a minha mãe no Natal. Decidi levar esse conforto para o palco e é engraçando quando vejo a minha banda, também de pijama, a lavar os dentes no camarim. Parece que estamos naquele momento em que vamos dormir, mas vamos dar um concerto.

O humor é um ingrediente essencial no teu trabalho?
É uma coisa natural. Sempre gostei de ouvir músicas carregadas de ironia, embora depois existam temas em que também gosto de ser sério, mas sempre através daquela capacidade de nos irmos de nós próprios. Gosto de usar o humor como arma nas letras, são anticorpos para certos problemas. Na “Neura”, por exemplo, estamos muito preocupados por ser segunda-feira e lá vem a neura, mas porque não abraçar a neura, cantar sobre ela e desmistificar esses problemas naturais da condição humana? Gosto de celebrar isso, não apenas as coisas boas, mas também as más e não ficar preso a elas. Acredito que há sempre maneiras de dar a volta à situação. Mesmo nos instrumentais eletrónicos gosto de usar algumas melodias meias humorísticas. Isso também leva a uma certa ambiguidade no próprio ouvinte, que às vezes não percebe muito bem o que é a serio e o que é a brincar. É uma fronteira muito ténue, há pessoas que percebem esse humor, são elas que aparecem nos meus concertos e se identificam com esses temas e com essa maneira de cantar.

Cantas essencialmente em português, tens alguma referência musical nacional?
Ouvia muito GNR, é capaz de se sentir em algumas músicas minhas, marcou-me muito o primeiro álbum do Abrunhosa, acho o álbum fantástico e foi uma pedrada no charco na música portuguesa. Em hip hop ouvia Mind Da Gap e Da Weasel, mas depois comecei a ouvir um gajo chamado António Variações. Este foi um percurso mais feito por mim, o meu pai não me levava tanto por este caminho, pois nunca ouviu muito música portuguesa. Sinto-me mais confortável em cantar em português, embora também tenha alguns temas em inglês. Claro que português é a minha língua materna, a minha cultura e a minha forma de expressão por excelência. Há certas coisas da cultura portuguesa que eu incorporo nas minhas músicas, cantando em inglês sobre isso não faria sentido nenhum.

"É um processo em que estou ali com mais brinquedos, o meu estúdio é o quarto onde durmo com a minha mulher. Felizmente há espaço para ter uma parede só com sintetizadores e a minha mulher é uma santa porque não protesta muito."

É difícil identificar o teu estilo musical. Concordas?
Sim, talvez. Nesta viagem musical estou a tentar desenvolver um estilo próprio com influências de várias coisas, desde o hip hop ao trip-hop, da música eletrónica mais abstrata até ao jazz, ou mesmo ao fado. É uma misturada, mas tudo feito na minha panela.

Como funciona o teu processo criativo?
Gosto muito de fazer beats e instrumentais em sintetizadores. Sou um bocadinho nerd das novas tecnologias da música, há máquinas que são muito inspiradoras e às vezes consigo desenvolver um beat numa e depois vou para outra. É um processo em que estou ali com mais brinquedos, o meu estúdio é o quarto onde durmo com a minha mulher. Felizmente há espaço para ter uma parede só com sintetizadores e a minha mulher é uma santa porque não protesta muito. Fico ali fechado várias horas, mas depois também gosto de levar as máquinas para o sofá, à noite quando está tudo em silêncio, gosto de desenvolver esses beats, depois surge uma letra à medida que vou desenvolvendo essa parte. Outras vezes isso não acontece.

A inspiração vem de onde?
Pode surgir mais à noite, entre a sala e a ida ao frigorífico, ou entra a ida ao quarto de banho e o sofá, na rua. Nasce muito por acaso entre essas transições, porque parece que andamos sempre em transição de um lado para o outro e até mesmo dentro de casa. O simples facto de uma pessoa se levantar e ir fazer outra coisa, de repente há ali uma ideia qualquer.

A escrita é uma parte que te fascina?
Gosto de escrever, mas não faço propriamente poesia. Gosto muito daquele estilo Almada Negreiros, de escrever rapidamente sobre tudo o que me vem à cabeça. Gosto dessa forma de pensar meia surrealista, tanto na música como na arte plástica ou literária. Sempre gostei muito de ficção científica, do espaço e do universo, e tento incorporar isso em PZ, mais na parte eletrónica, mas por vezes também nas próprias letras.

O vídeo também é uma componente importante no teu trabalho. Como gostas de o explorar?
Eu vejo o vídeo como uma forma de remisturar a própria música. Quando faço as músicas não estou nada preocupado com o vídeo, nem sequer me lembro dele, para mim o importante é a musica. Mas quando o álbum já está praticamente feito aí penso que músicas serão mais fortes e começo a imaginar. Acho que é uma maneira nova de ver a música, mais visual. Há certos temas que se elevam mais com um vídeo clip, é uma experiência totalmente diferente, mas tem que fazer sentido, porque se não fizer, mais vale não fazer. Para mim é diferente ouvir uma música de olhos fechados e ouvir e ver o vídeo clip, agarra mais a pessoa, embora não seja minha forma preferida de ouvir música. Eu gosto de ouvir sem distrações.

Algum vídeo que te tenha marcado especialmente?
O “Cara de Chewbacca”, porque foi improviso. Primeiro tive que arranjar uma máscara. Comprei uma por 70€ na Amazon, ainda a uso nos concertos. Depois convidei a minha prima para fazer o vídeo no Cais de Gaia a um domingo, último dia de verão. Foi tudo assim feito em cima do joelho, mas depois também gosto muito do processo de edição.

[“Cara de Chewbacca”:]

O percurso que se seguiu foi experimental ou a caminhar para algo mais sólido?
Foi um explorar de caminhos novos que representam as fases diferentes da minha vida, tendo como base algo que criei em 2005, com o Anticorpos, tentando manter-me fiel a essa premissa de fazer uma coisa mais pessoal. Se no primeiro álbum estava numa depressão, em 2012 já tinha a minha vida mais resolvida, já tinha um filho, já sabia o que queria, já estava melhor comigo próprio. O Rude Sofisticado é um álbum com um toque mais humorístico. Em Mensagens da Nave Mãe foi o álbum de solidificação da minha carreira, foi uma continuação. É talvez o meu álbum mais pop, embora não goste muito de criticar a minha própria música. No Império Auto-Mano é onde experimento mais, é o disco mais eclético, com géneros mais distintos dos outros. Acho que o público demorou um bocadinho a conhecê-lo.

É quase naquela lógica do primeiro estranha-se, depois estranha-se?
Sim, se sem bem que na sociedade de hoje em dia é sempre muito difícil arranjar tempo para ouvir um álbum uma segunda vez.

Lamentas isso?
Claro, até sinto isso na minha própria vida. Antes conseguia estar horas no sofá a ouvir música, atualmente já não consigo. Falta-me tempo. Hoje em dia oiço muito pouca coisa nova, infelizmente. Na própria sociedade é tudo mais rápido, há muito mais oferta, parece que estamos sempre a fazer zapping e não estamos na televisão, estamos na vida real. As minhas letras são um bocado sobre isso, refletem de alguma forma essa realidade. Nós associamos música a certos momentos e eu estava muito habituado a ouvir muita música feita por outros e hoje em dia já sou eu a fazer coisa autorreferenciais. Agora lembro-me de certos momentos quando estava a fazer aquela música ou aquela letra…

Que momentos gostarias que as pessoas associassem à tua música?
Boa pergunta. Quando estão a olhar para croquetes na montra de um café, quando estão sentados no sofá sem fazer nada, quando veem alguém que é uma besta e lhe querem dar um banano. Sei lá, esses momentos naturais.

Achas que a tua música funciona como um calmante ou um estimulante?
Penso que as duas coisas. Pode ser um calmante quase como um escape, de ouvir uma coisa divertida, mas também pode ser um estimulante e um empurrão. Há pessoas que não têm estômago para certas músicas.

Quando começaste a desenhar este novo álbum?
Tinha algumas músicas inacabadas, aliás, metade do álbum são sempre coisas inacabadas. Estou sempre a produzir e às vezes até estou a fazer o disco, faço um beat novo que me soa bem e incluo já no processo de mistura. Senti necessidade de criar uma coisa nova, mas tive um empurrão importante. O Filipe Santos é o autor de uma série que vai estrear em maio na RTP Play, chama-se Menos Um. Através do Facebook, ele disse que queria muito falar comigo porque gostava que eu fizesse parte daquilo. Fui lanchar com ele e apresentou-me o guião de uma comédia meia surreal. A história centra-se numa personagem, o Alex, que é um músico que está a começar a carreira, tem uma residência num bar e quando ele toca transforma-se em PZ. Aquela cena de alter-ego, identifiquei-me quando li.

Quando vais para o palco, mesmo de pijama, também te transformas?
De certa forma sim. Há sempre uma exposição associada, um nervosismo, uma ansiedade. Sou naturalmente mais tímido e mesmo em palco não sou muito extrovertido, não sou uma pessoa de dar saltos, mantenho uma certa calma. Já tenho uma forma natural de abordar a personagem que no fundo sou eu próprio. Quando uma pessoa vai para o palco há sempre uma transformação.

Continuando na história da série…
Ele pediu-me cinco temas, uma para cada episódio, isso fez-me rematar músicas que tinha inacabadas. Quando voltei de Lisboa, de gravar a série, achei que cinco músicas era pouco e comecei a fazer outras novas, então decidi lançar um álbum novo. Talvez este seja o meu álbum mais forte. Talvez seja um humor um bocadinho mais negro e acho que me exponho mais nas letras, voltei um bocadinho a génese PZ. Tinha muitas referências a álbuns anteriores, coisas a bater certo nesta fase da minha vida, tudo se conjugou para ser assim uma evolução natural de PZ.

"Normalmente quando acabo de fazer um disco acho sempre que é o melhor, mas afinal qual é o melhor álbum dos The Beatles ou dos The Smiths? Depende da altura, do tempo, de ti, de muita coisa. Não gosto muito de dizer “o melhor álbum”, mas se calhar o mais forte, quer nos beats como nas próprias letras."

O que traz de novo este Do Outro Lado?
Estranhamente acho que me exponho mais, mesmo na parte dos instrumentais, o álbum é mais consistente, mais sólido e maduro. Sente-se uma história mais coerente, do princípio ao fim, é uma viagem mais pessoal quando o ouço. Normalmente quando acabo de fazer um disco acho sempre que é o melhor, mas afinal qual é o melhor álbum dos The Beatles ou dos The Smiths? Depende da altura, do tempo, de ti, de muita coisa. Não gosto muito de dizer “o melhor álbum”, mas se calhar o mais forte, quer nos beats como nas próprias letras. Acho que tive a capacidade de voltar a experimentar e de fazer um álbum diferente dos outros. Não vou estar sempre a falar de croquetes, até me sugeriram para fazer uma música sobre rissóis. Não é isso que eu quero. As músicas nascem dependendo do momento da vida em que estás e neste momento surgiu este assim.

Dos 11 temas do álbum, algum que destaques?
Talvez o “Parte de Mim São Falhas”. É um tema mais introspetivo, no qual dediquei mais tempo. Entrei muito nessa música, na própria letra. Acho que para já é minha música favorita.

No sábado inicias a tour no Pérola Negra. O que se pode esperar do concerto?
Vou tocar músicas do novo álbum, claro, e outras como “Neura”, “Croquetes”, “Dinheiro”, “Cara de Chewbacca” ou “Caga Nela”. Vai estar o disco físico à venda pela primeira vez e vou introduzir elementos novos do vídeo clip do “Realidade Paralela”, mais para interação com o público. Ah e vou de pijama, por isso convido toda a gente a ir de pijama também. Queria que fosse uma festa de pijama à moda antiga. Estou super ansioso que comece.

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