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Os Ensaios do Observador juntam artigos de análise sobre as áreas mais importantes da sociedade portuguesa. O objetivo é debater — com factos e com números e sem complexos — qual a melhor forma de resolver alguns dos problemas que ameaçam o nosso desenvolvimento.

Os alunos portugueses do ensino básico terão, no terceiro período de aulas, uma nova ferramenta à sua disposição. A RTP passará a emitir módulos com conteúdos pedagógicos, alinhados com o currículo nacional, em sinal aberto. Os conteúdos serão integralmente da responsabilidade do Ministério da Educação, que está a coordenar esforços para tornar este novo formato de “telescola” numa solução útil para o trabalho dos professores e alunos, num contexto particularmente inesperado e exigente. E, não é segredo, o objectivo é alcançar especialmente os alunos que, por falta de condições materiais (internet e computador), são os maiores prejudicados pela ausência de ensino presencial nas escolas, ficando excluídos de uma continuidade pedagógica com os seus professores.

Portugal não está isolado neste tipo de iniciativas. Por todo o mundo, emissoras de televisão estão a introduzir conteúdos educativos na sua programação, com ou sem intervenção dos respectivos ministérios da educação. Em alguns países, a existência desse tipo de programação já está consolidada e os conteúdos criados — por exemplo, em Itália, a Rai Scuola tem mais de 20 anos de operação. Noutros países, conteúdos estão a ser preparados para responder às necessidades desta crise sanitária e, em tempo recorde, abrir uma “escola na televisão” — exemplo do que acontece no reforço dos conteúdos educativos na BBC (Reino Unido) ou na Letónia. Ora, independentemente do seu nível prévio de desenvolvimento, todas estas iniciativas partilham objectivos: na medida do possível, manter um acesso universal à educação e minorar o impacto do isolamento social no percurso escolar dos alunos.

É então que se chega à questão-chave do ponto de vista da aprendizagem: pode a televisão ser uma ferramenta educativa eficaz? A investigação na área demonstra que sim, é possível ser uma ferramenta útil, mas isso depende sobretudo da qualidade dos conteúdos transmitidos. E, no plano das políticas públicas, depende igualmente do seu alcance — nomeadamente, se consegue ou não chegar aos alunos mais desfavorecidos.

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