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As eleições do próximo domingo porão fim ao primeiro governo de coligação em mais de 40 anos de democracia. Em bom rigor, desde a década de 1930 que o país não é governado por mais de um partido. A estabilidade política, o crescimento económico e o desenvolvimento social estiveram associados a Executivos monocolores do Partido Popular (PP) e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), forças políticas bem alinhadas na defesa dos sustentáculos do regime democrático, mas com projectos distintos e competitivos.

Porém, em Espanha, como em outros países europeus, o que nunca foi simples tornou-se mais complicado. Nos anos dourados do bipartidarismo, centro-direita e centro-esquerda representavam cerca de 80% do eleitorado; nas últimas legislativas, em novembro de 2019, não chegaram aos 50% dos votos contabilizados. O regresso ao passado é improvável, mesmo que se verifique um reforço do centro no domingo. A acontecer algo surpreendente e igualmente inverosímil, como uma maioria absoluta dos populares, será um fenómeno pontual.

Sendo certo que a alternância entre centros foi extinta por partidos hoje em fase de estertor final, o Podemos (esquerda radical populista) e o Ciudadanos (centro liberal), existem novas forças nos dois campos do espectro político, acompanhadas pelo crescimento de alguns partidos regionais, o que desenha um parlamento fragmentado. O fim do bipartidarismo faz com que centro-direita e centro-esquerda dependam hoje de terceiros para formar maiorias amplas. E os terceiros são partidos radicais. Este é o drama de Espanha.

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