Sung-Yoon Lee, investigador sul-coreano do Wilson Center, estuda a Coreia do Norte há mais de 20 anos. O seu primeiro livro, porém, só foi publicado em 2023, chegando agora a Portugal pela mão da editora Vogais. Chamou-lhe “A Irmã”. É que, depois de anos a olhar para os Kims, este académico achou que o mais interessante não são os mitos criados em torno dos três líderes (Kim Il-sung, Kim Jong-il e Kim Jong-un), os avanços e recuos nas cimeiras com líderes internacionais ou o programa nuclear de Pyongyang.

O autor ficou mais fascinado com Kim Yo-jong, a irmã mais nova do líder norte-coreano, desde que a viu pela primeira vez nas imagens do funeral do pai. “Ela não queria saber se estava a ser observada. Parecia totalmente devastada. Estava muito magra, as bochechas estavam cavadas, como se não comesse há vários dias”, descreveu numa entrevista ao Observador por Zoom. “Parecia estar numa mágoa e dor profundas.” A que se juntou o facto da sua presença fisicamente próxima do futuro líder, Kim Jong-un: “Ter esta irmã mais nova tão perto do novo líder supremo fez-me perceber que ela não era apenas uma familiar, que já tinha um papel importante no novo governo.”

Desde então, o mundo conheceu melhor Kim Yo-jong. Na visita à Coreia do Sul, em 2018, deu nas vistas como “a face humana” do regime. Mais recentemente, desde a Covid, tem protagonizado as tiradas mais violentas vindas do regime. Simpática e inofensiva ou violenta e tirânica? É a essa dúvida que Sung-Yoon Lee tenta responder neste livro, destacando repetidamente que, independemente de tudo, Yo-jong é “muito inteligente” e uma possível sucessora ao irmão.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.