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Mark Rutte deixou claro, ao lado do primeiro-ministro, que nem os 2% do PIB em gastos na área da segurança e da defesa são "suficientes" para os "desafios" que a aliança transatlântica enfrenta
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▲Mark Rutte deixou claro, ao lado do primeiro-ministro, que nem os 2% do PIB em gastos na área da segurança e da defesa são "suficientes" para os "desafios" que a aliança transatlântica enfrenta

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

▲Mark Rutte deixou claro, ao lado do primeiro-ministro, que nem os 2% do PIB em gastos na área da segurança e da defesa são "suficientes" para os "desafios" que a aliança transatlântica enfrenta

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Trump aumenta a parada, Rutte concorda, mas Portugal mantém-se longe da meta. 7 respostas para entender os gastos com a NATO

Trump quer Estados a canalizarem 5% do PIB em gastos para a Defesa. Rutte não é tão ambicioso, mas também exige mais. Portugal só atinge meta de 2% em 2029 — e é um dos aliados que menos investe.

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Uma possibilidade, mas longe de ser uma certeza. Perante os apelos para os Estados-membros da Aliança Atlântica aumentarem os gastos na Defesa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não fez qualquer anúncio ao lado do secretário-geral da NATO, que veio a Lisboa esta segunda-feira. Apenas mostrou disponibilidade para “antecipar ainda mais o calendário” no que toca ao aumento de investimento naquela área. Portugal está ainda longe de gastar a meta mínima estipulada pela aliança — 2% do PIB em Defesa. Apenas o prevê fazer em 2029. No entanto, Mark Rutte, na visita desta segunda-feira a Lisboa, já deixou o aviso: esses 2% já são, em 2025, insuficientes.

A meta apontada por Luís Montenegro incompabiliza-se com a liderança da NATO — que está cada vez mais exigente. Não só por causa dos desafios que uma Rússia mais agressiva representa para o espaço transatlântico, como também pela liderança norte-americana, que olha com muita desconfiança para a organização militar. O Presidente Donald Trump nunca escondeu que não vê grande utilidade na Aliança e considera injusto que os Estados Unidos da América (EUA) tenham de assumir grande parte dos custos para defender a Europa.

No Fórum Davos, numa declaração por videoconferência na semana passada, Trump avisou que ia “pedir a todas as nações da NATO para aumentar as despesas em Defesa para 5%, algo que já deveria ter acontecido há vários anos”. Na mesma linha, o secretário-geral também já incentivou várias vezes os aliados a aumentarem as contribuições.

▲ NATO quer aumentar contribuição dos Estados-membros à NATO

CHRISTIAN BRUNA/EPA

Mark Rutte chegou mesmo a dizer que, se os europeus não o fizerem, “devem inscrever-se num curso de russo ou devem ir para a Nova Zelândia”. “Estou profundamente preocupado com a situação da segurança na Europa. Não estamos em guerra, mas também não estamos em paz. Isto significa que precisamos investir mais em Defesa e produzir com mais capacidade. Isto não pode esperar.”

Depois de Luís Montenegro assinalar que Portugal ainda se mantém longe de atingir a meta mínima, Mark Rutte deixou claro esta segunda-feira, ao lado do primeiro-ministro português, que nem os 2% do PIB em gastos na área da Defesa são “suficientes” para os “desafios” que a Aliança Transatlântica enfrenta, apesar de “saudar” o aumento português. A discordância ficou patente na conferência de imprensa, mesmo que o chefe do Executivo tenha realçado que o apoio português não pode ser visto apenas do “ponto quantitativo” — também tem de ser encarado “do ponto de vista qualitativo”. 

Como Montenegro justifica o facto de Portugal não poder contribuir tanto como outros países?

Existe um “forte compromisso” do Governo em atingir a meta dos 2% do PIB em Defesa, garantiu Luís Montenegro ao lado de Mark Rutte, no Palácio de São Bento. O primeiro-ministro não se esqueceu de mencionar também que o maior partido da oposição, o PS, não coloca qualquer entrave a esse objetivo. Mas há um problema para o líder do Executivo: o equilíbrio financeiro.

▲ Montenegro e Rutte na conferência de imprensa desta segunda-feira no Palácio de São Bento

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“O Governo português vai caminhar para reforçar o seu investimento em Defesa sem colocar minimamente em causa o seu equilíbrio financeiro, contas públicas saudáveis, um país estável, um país seguro, um país atrativo para colocar a economia a crescer”, assinalou o primeiro-ministro, acrescentando que, se o país não conseguir ter um “Estado social salvaguardado”, não terá recursos humanos para promover as mudanças que irão colocar a economia a crescer. “Se nós não conseguirmos colocar a economia a crescer, não temos meios para investir na Defesa, como noutras políticas públicas.”

Aproveitando que Mark Rutte já foi primeiro-ministro dos Países Baixos (e colega no Conselho Europeu), Luís Montenegro pediu ao líder da NATO que compreenda a situação de Portugal. “Sabemos que sabe, como poucos, reconhecer o esforço que Portugal fez nos últimos anos para estarmos hoje numa situação financeira de grande estabilidade e sustentabilidade, para estarmos hoje numa situação social em que este Governo se empenha todos os dias em melhorar os serviços públicos essenciais.”

Luís Montenegro defendeu que o apoio de Portugal também tem de ser visto de um ponto de vista “qualitativo”, principalmente nos investimentos, “na capacidade de inovar e investigar”, para que a NATO esteja na “linha da frente das indústrias de Defesa” — e não dependa tanto de outros fornecedores. Para além disso, o primeiro-ministro aproveitou para enfatizar o papel que Portugal tem nas relações com a “vizinhança sul da NATO”. O país tem sido, sublinha Luís Montenegro, um “porta-voz da preocupação” do que “se passa a sul da Europa”.

▲ Montenegro diz que apoio de Portugal também é "qualitativo"

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Que avisos deixou Rutte em Lisboa?

Durante a conferência de imprensa, o secretário-geral da NATO recordou o momento que a Aliança vive. No almoço de trabalho que mantiveram antes da conferência de imprensa, Mark Rutte e Luís Montenegro discutiram a “situação securitária na Europa”. “A Rússia está a tentar desestabilizar os nossos países e está a desafiar a resistência das nossas sociedades”, avisou o antigo primeiro-ministro dos Países Baixos, elencando que Moscovo tem levado a cabo “tentativas de assassínios, ciberataques e sabotagem”.

Recordando igualmente que a Rússia continua uma “guerra brutal” na Ucrânia, Mark Rutte notou que a NATO precisa de “garantir a segurança” e “redobrar os esforços” por causa das ameaças de Moscovo. “Isso também significa gastar mais em Defesa”, salientou o líder da Aliança Atlântica.

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Numa mensagem dedicada a Portugal e a todos os países geograficamente mais afastados da Rússia, que não têm tanto sentido de urgência em aumentar os gastos com a Defesa, o líder da organização militar frisou que as “ameaças russas parecem distantes, mas deixem-me garantir que não estão”. Neste sentido, Mark Rutte deu um exemplo, referindo que os “navios e bombardeiros de longo alcance russos” representam uma “ameaça para a costa portuguesa”. A única ameaça não é só Moscovo, contudo. A Aliança deve também “endereçar os desafios oriundos do Sul”.

▲ Mark Rutte avisou que ameaça da Rússia não está assim tão "longíqua"

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“Todos os aliados precisam de se esforçar para que a nossa aliança se mantenha segura não só hoje, como também nos próximos anos”, frisou Mark Rutte em Lisboa.

Como é a relação de Donald Trump com a NATO?

Neste momento, nenhum país chega perto da meta que Donald Trump anunciou que quer aplicar na NATO. Nem mesmo os Estados Unidos, que, segundo as contas da aliança, atribuem 3,38% do seu Produto Interno Bruto nos gastos de Defesa. Em 2024, foi a Polónia, que faz fronteira tanto com a Rússia como com a Ucrânia, o país que proporcionalmente mais gastou (4,12%).

Donald Trump justificou a meta dizendo que está a tentar assumir uma posição “construtiva”. “Amo a Europa”, salientou o líder norte-americano no Fórum Davos. Numa conferência de imprensa antes de tomar posse, em Mar-a-Lago, o Presidente enfatizou que todos os Estados-membros conseguem “pagar” esses custos na Defesa.

GettyImages-2194844562

▲ Trump deixou avisos à NATO em Davos

Bloomberg via Getty Images

Mantendo sempre o seu tom maximalista, Donald Trump declarou, nessa mesma conferência de imprensa, que foi ele quem “salvou a NATO”. “Angariei mais de 80 mil milhões de dólares, o dinheiro começou a cair a rodos”, alegou o chefe de Estado norte-americano. E questionou: “Temos uma oceano entre nós, certo? Porque é que estamos a dar milhões e milhões de dólares à Europa?”

Esta posição de ceticismo em relação à NATO não é nova. Durante o primeiro mandato, o Presidente norte-americano manifestou várias reservas sobre o funcionamento da Aliança Atlântica. Em dezembro de 2024, numa entrevista, ameaçou mesmo a retirada dos EUA da organização militar, o que significaria o fim da mesma. Porém, esclareceu: “Se pagarem as suas contas e nos tratarem de forma justa, a resposta é ‘Absolutamente, ficarei na NATO'”.

Em fevereiro de 2024, Donald Trump ainda foi mais longe. Durante um comício no estado da Carolina do Sul, o magnata lembrava uma conversa que teve com um “líder de um grande país” durante o primeiro mandato, em que este perguntou o que faria se a Rússia invadisse um país pertencente à Aliança: “Eu disse: ‘Não pagaste, seu delinquente? Não, não vos protegeria. Na verdade, até os encorajaria a fazer o que quisessem. Vocês têm de pagar’”.

epa11853178 US President Donald J. Trump speaks at an event at the Circa Resort and Casino in Las Vegas, Nevada, USA, 25 January 2025.  EPA/BIZUAYEHU TESFAYE

▲ Trump já ameaçou sair da NATO caso Estados-membros não contribuírem o suficiente para a aliança atlântica

BIZUAYEHU TESFAYE/EPA

A meta dos 5% do PIB em Defesa é exequível?

A pergunta é difícil de responder, mas vários analistas sinalizam que é uma meta que só pode ser alcançada a longo prazo — num futuro próximo, será quase impossível atingi-la. A especialista em Defesa e Economia no think tank Institute for Strategic Studies, Fenella McGerty, diz à Reuters que os países europeus têm investido cada vez mais na Defesa, mas ressalvou que levaria anos até que todos os Estados-membros atribuíssem 5% do PIB à área da Defesa.

“Mesmo que a Europa continue a investir num ritmo de crescimento extraordinário, levaria dez anos para chegar a 3% do PIB” em todos os Estados-membros, explica Fenella McGerty, justificando com os elevados custos que os investimentos na Defesa acarretam.

A meta dos 5% do PIB na Defesa seria, por isso, muito ambiciosa. Porém, essa talvez seja uma estratégia de Donald Trump; não seria a primeira vez que o Presidente norte-americano apresenta inicialmente cenários extremos, mas depois vai negociando e moderando-se.

"Mesmo que a Europa continue a um ritmo de crescimento extraordinário, levaria dez anos para chegar a 3% do PIB."
Especialista em Defesa e Economia no think tank Institute for Strategic Studies, Fenella McGerty

O antigo embaixador dos Estados Unidos na NATO, Kurt Volker, aponta para essa tese. Num artigo publicado no site do think tank Center for European Policy Analyis, o antigo diplomata sugere que Donald Trump quer que os Estados-membros “ajustem os seus gastos em Defesa” e que “efetivamente aloquem recursos” para aquela tutela. “Suspeito que ele espera que os países estipulem uma meta à volta dos 3,5% do PIB em Defesa e elaborem planos realistas para lá chegar.”

Como reagiram os Estados-membros à proposta de Trump?

Entre os 32 Estados-membros, houve várias reações ao anúncio de Donald Trump. Uns concordam, outros  discordam totalmente. Luís Montenegro pertence à segunda categoria. “Naturalmente não é exequível no curto prazo, nem no médio prazo, um rácio desses em termos de despesa versus o Produto Interno Bruto (PIB)”, considerou o primeiro-ministro português.

Vários líderes europeus concordam com Luís Montenegro. O ministro da Defesa de Itália, Guido Crosetto, considera que a meta dos 5% é “impossível para quase todas as nações no mundo”. O chanceler alemão, Olaf Scholz, também discorda do objetivo de Donald Trump, aclarando que tal só seria possível com “aumentos de impostos ou cortes massivos” em áreas como as pensões, a gestão do governo local ou as infraestruturas.

epa11830383 German Chancellor Olaf Scholz attends a joint press conference after a meeting with Swedish Prime Minister Kristersson at the Chancellery in Berlin, Germany, 17 January 2025.  EPA/FILIP SINGER

▲ Olaf Scholz discorda com a posição de Donald Trump

FILIP SINGER/EPA

Países como a Suécia ou a Chéquia já revelaram que concordam com a ideia de aumentar os gastos com a Defesa, mas dizem que é preciso moderar expectativas. Contudo, há Estados-membros como os Bálticos e a Polónia que concordam com Donald Trump — e incentivam os outros países a seguir a recomendação do Presidente norte-americano.

Enquanto país que atualmente aloca mais recursos para a Defesa, a Polónia sublinha as palavras de Donald Trump. O ministro daquela tutela, Władysław Kosiniak-Kamysz, disse ao Financial Times que as declarações do líder norte-americano são uma “importante chamada de atenção”. O governante polaco reconhece que deverá demorar “uma década” a atingir essa meta. “Mas não devemos criticar que tenha sido definida uma meta ambiciosa, porque, caso contrário, haveria países que iam continuar a debater se gastar mais na Defesa é realmente necessário”, disse.

A proximidade à Rússia parece ser o fator que mais motiva os países a concordarem com a intenção do Presidente norte-americano. Não é de estranhar, portanto, que a Estónia e a Lituânia, duas das repúblicas Bálticas que partilham fronteira com território russo, tenham esta segunda-feira chegado a um compromisso em como investirão mais de 5% do seu PIB na Defesa.

epa11216170 Polish Defence Minister Wladyslaw Kosiniak-Kamysz speaks during a ceremony marking the 25th anniversary of the Polish accession to NATO in front of the Museum of the Polish Army in Warsaw, Poland, 12 March 2024. On 12 March 1999 Poland joined to the North Atlantic Treaty Organization NATO.  EPA/PAWEL SUPERNAK POLAND OUT

▲ Władysław Kosiniak-Kamysz, ministro da Defesa da Polónia, concorda com alocação de 5% do PIB à Defesa

PAWEL SUPERNAK/EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Kęstutis Budrys, reconhece que existe “pressão”, mas é uma “boa e construtiva pressão” dos Estados Unidos: “Não podemos ignorar os sinais. É existencial para nós que tenhamos capacidades de combate”. Por sua vez, o primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, “concorda totalmente” com Donald Trump e com o governante lituano. “A defesa da NATO deve aumentar. Sabemos quem é o nosso oponente e eu concordo totalmente — o nosso objetivo deve ser 5%.”

E Mark Rutte? Quer alcançar a meta dos 5% do PIB?

O secretário-geral da NATO já reiterou publicamente que deseja um maior gasto dos Estados-membros na área da Defesa. Mas, ao contrário de Donald Trump, o líder da Aliança nunca estipulou nenhuma meta em concreto e nunca sugeriu os 5%. Mark Rutte deixou claro, porém, que o líder norte-americano “tem razão” em defender um aumento da despesa militar: “O problema não são os EUA, são a Europa”.

▲ Rutte já avisou que o problema não são os EUA, mas "sim a Europa"

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Já houve uma meta a ser sugerida por Mark Rutte: 3,7% do PIB. Entre todos os Estados-membros, até ao dia de hoje, apenas a Polónia cumpre. Porém, o líder da organização militar já esclareceu que há outras formas de diversificar os investimentos na área da Defesa além da comparação com o PIB, dando o exemplo de aquisições conjuntas de armamento pelos 27 países que compõem a União Europeia, ou então por investimentos na inovação bélica.

Para já, a intenção do líder da NATO consiste em aumentar os gastos em Defesa nos países que menos contribuem, como Portugal e Espanha. Após a conferência de imprensa ao lado de Luís Montenegro, Mark Rutte deslocou-se à capital espanhola, onde se encontrou com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Em 2024, o governo espanhol foi o que menos contribuiu para a área da Defesa. Na sua visita-relâmpago a Madrid, Mark Rutte destacou, no X (antigo Twitter), que Espanha desempenha um “papel importante na segurança partilhada”, mas destacou a Pedro Sánchez que é “urgente investir ainda mais” em Defesa.

Que países cumprem a meta de 2% do PIB?

Em 2024, de acordo com as estimativas da NATO, oito países não atingiram a meta dos 2% do PIB: Espanha (1,28%), Eslovénia (1,29%), Luxemburgo (1,29%), Bélgica (1,30%), Canadá (1,37%), Itália (1,49%), Portugal (1,55%) e Croácia (1,81%). Ainda que faça parte da Aliança militar, a Islândia não contribui, dado que não tem Forças Armadas.

Em contraposição, 23 países cumpriram a meta dos 2% do PIB em Defesa em 2024: Eslováquia (2,00%), Montenegro (2,02%), Albânia (2,03%), Países Baixos (2,05%), França (2,06%), Turquia (2,09%), Chéquia (2,10%), Hungria (2,11%), Alemanha (2,12%), Suécia (2,14%), Bulgária (2,18%), Noruega (2,20%), Macedónia do Norte (2,22%), Roménia (2,25%), Reino Unido (2,33%), Dinamarca (2,37%), Finlândia (2,41%), Lituânia (2,85%), Grécia (3,08%), Letónia (3,15%), Estados Unidos (3,38%), Estónia (3,43%), e Polónia (4,12%).

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