1. O que é a gripe?

  2. De acordo com Graça Freitas, sub-diretora da Direção-Geral de Saúde, a gripe é uma infeção aguda das vias respiratórias superiores provocada pelo vírus influenza. É uma doença sazonal, comum no outono e no inverno e que, nos humanos, é provocada por dois tipos de vírus: o A e o B.

    Há dois subtipos do vírus A: o H3N2 e o H1N1. Quando infetam as células das vias respiratórias, os vírus replicam-se. Essas réplicas não têm informação genética precisamente igual à do vírus que lhes deu origem: surgem com pequenas diferenças que determinam também o seu funcionamento. Essas diferenças formam estirpes. Este ano, diz o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, foram encontrados geneticamente trinta vírus da gripe do subtipo A(H3N2).

    Para efeitos de estudo, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge define “época de gripe” como sendo as trinta e três semanas que decorrem entre entre a semana 40 de um determinado ano (início de outubro) e a semana 20 do ano seguinte (meados de maio).

    Numa pessoa saudável, a gripe pode desaparecer sem tratamento especializado e sem deixar mazelas.

  3. Porque é que esta gripe é mais intensa que as anteriores?

  4. A Direção-Geral de Saúde já informou a população de que a gripe da época 2016/2017 é mais intensa do que o normal. A mortalidade associada à gripe foi superior à calculada. De acordo com o último Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, na última semana do mês passado registaram-se 113 pessoas infetadas por cada 100 mil habitantes. Isto significa que a gripe está a ter “intensidade moderada”, mas com “tendência crescente”.

    Esta gripe é causada por um vírus do tipo A(H3N2). Este é o vírus “totalmente dominante”, porque a esmagadora maioria dos casos registados até agora resultou de uma infeção por este subtipo do vírus influenza. Historicamente, as gripes provocadas por este vírus tendem a ser mais intensas, ou seja, há mais pessoas infetadas.

  5. O que está a contribuir para a gravidade desta gripe?

  6. Os cientistas ainda não sabem explicar porque é que o vírus tem este comportamento. Mas podem prever a sua chegada, explica Graça Freitas: normalmente, o vírus dominante numa época de gripe no hemisfério norte foi o que mais problemas causou na época de gripe anterior no hemisfério sul.

    Ainda assim, o número de pessoas infetadas e a gravidade dessa infeção é superior ao esperado, porque está demasiado frio. O relatório apresentado pela Direção-Geral de Saúde indica que a temperatura mínima do ar foi de 3,2°C, um valor demasiado baixo para o último mês de dezembro.

    O facto de a temperatura ser mais baixa e de, nos meses de outono e de inverno, estarmos expostos a níveis mais baixos de radiação ultravioleta, aumenta o tempo de sobrevivência do vírus dentro de uma pessoa infetada. Essa pessoa poderá então ter maior probabilidade de infetar pessoas saudáveis.

  7. Quando vai ser o pico desta gripe?

  8. O pico da gripe deve acontecer durante a primeira e a segunda semanas de janeiro. A época típica das gripes começou no outono de 2016, durante o mês de outubro, e só deverá acabar dentro de seis semanas, no início de março.

    A partir dessa altura, o número de casos de gripe vai diminuindo progressivamente até desaparecer. A gripe vai então aparecer no hemisfério sul, com uma nova estirpe a que os cientistas deste lado do mundo devem estar atentos para prever o que vai acontecer na época 2017/2018.

  9. Quais são os sintomas a que devemos estar atentos?

  10. As pessoas com gripe sentem um mal-estar generalizado, muita febre, dores musculares e articulares, tosse, arrepios, muitas dores de cabeça e inflamação nos olhos. Podem também sentir prostração (um desânimo físico e psicológico, falta de motivação para trabalhar e fraca reação aos estímulos), dores de barriga, vómitos e diarreia.

    Estes sintomas são bastante diferentes dos que surgem numa constipação: “A pessoa que diz estar engripada, mas que está a rir enquanto conversa com os colegas de trabalho no elevador, não está realmente engripada. Deve estar só constipada”, exemplifica Graça Freitas ao Observador. Por norma, os sintomas da constipação são nariz entupido, espirros, olhos húmidos e irritação da garganta. Normalmente não causam muitas dores corporais nem febre.

  11. Como é que acontece o contágio?

  12. O vírus da gripe é transmitido de forma muito fácil, avisa a sub-diretora da Direção-Geral de Saúde.

    Passa de uma pessoa para outra através de gotículas expelidas pela tosse, pelos espirros ou quando falamos. Quando o vírus entra no corpo humano, entra nas células que compõem as vias respiratórias superiores e passa por um período de incubação de dois dias. A seguir, replica-se no seu interior. Depois, sai da célula já doente e viaja para outras onde voltará a replicar-se.

    Forma-se assim uma infeção.

  13. Vale a pena ser vacinado?

  14. A vacina é o método mais eficaz de prevenção de uma infeção pelo vírus da gripe, alerta Graça Freitas. É eficaz na grande maioria dos casos, porque evita o aparecimento da infeção em 75% das pessoas vacinadas. Mesmo naquelas que ficam doentes, a vacina consegue diminuir a gravidade da doença em 98% dos casos.

    Todas as pessoas com mais de seis meses de idade podem ser vacinadas, embora o Sistema Nacional de Saúde (por aconselhamento da Direção-Geral de Saúde) só forneça a vacina gratuitamente aos grupos de risco. Esses grupos de risco são compostos por idosos com mais de 65 anos – que normalmente têm o sistema imunitário mais frágil e outras complicações de saúde -, doentes crónicos, grávidas e profissionais de saúde.

    Mas atenção: a vacina não é eficaz a longo prazo. É importante que seja tomada apenas enquanto a gripe estiver ativa (entre outubro e março). Além disso, a vacina deve ser tomada de novo todos os anos porque as estirpes do vírus mudam constantemente e, sendo assim, o corpo humano não consegue desenvolver imunidade específica às estirpes individuais que vão surgindo anualmente.

  15. O que devo fazer se me sentir doente?

  16. Não corra para o hospital, onde normalmente se aglomera muita gente, explica a Direção-Geral de Saúde: se estiver doente, pode infetar os outros doentes; e se não estiver doente, pode ser infetado por alguém que esteja. Antes de sair de casa deve procurar conselho através da Linha Saúde Pública (808 211 311) ou através da Linha Saúde 24 (808 24 24 00).

    Se realmente estiver doente deve ficar em casa: não vá trabalhar, nem para a escola, porque pode contagiar as pessoas que o rodeiam. Deve descansar bastante, beber muitos líquidos, fazer uma alimentação saudável e evitar mudanças de temperatura. Pode ainda tomar medicamentos para baixar a febre e diminuir as dores, como os remédios à base de paracetamol, que se vendem sem receita médicas nas farmácias.

    Não tome antibióticos sem aconselhamento médico. Se tiver outras doenças ou estiver grávida, contacte imediatamente o seu médico de família.

  17. O que acontece se uma gripe não for tratada convenientemente?

  18. Graça Freitas, sub-diretora da Direção-Geral de Saúde, explica que a gripe é uma doença benigna, porque normalmente não avança para estados mais agravados. No entanto, se não for tratada convenientemente, pode evoluir para infeções respiratórias alargadas: se o vírus se espalhar por todo o trato respiratório é possível que a gripe evolua para pneumonia, uma doença inflamatória no pulmão causada por bactérias.

    A gripe, se não for bem curada, pode ainda evoluir para bronquite, uma inflamação dos brônquios provocada por vírus ou bactérias, que provoca a redução da capacidade normal de respiração nos doentes. Se as pessoas tiverem outros tipos de complicações de saúde, elas podem agravar-se se a gripe não for curada convenientemente.

    Durante esta época já morreram 11 pessoas infetadas com o vírus da gripe.