No passado dia 23 de agosto, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro,  esteve envolvido em mais uma polémica: ameaçou fisicamente um jornalista da Globo, depois deste ter feito uma pergunta sobre os alegados depósitos feitos na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O momento tornou-se viral e fez com que, logo no dia a seguir, surgissem publicações sobre o vídeo, onde terá sido dito o seguinte, para justificar a agressividade de Bolsonaro: “vamos visitar a sua filha na cadeia”. No entanto, como o vídeo foi editado, as publicações são falsas.

Publicação tem legenda para sugerir que foi isso que foi dito pelo jornalista a quem Bolsonaro ‘ofereceu’ porrada

Foram várias as publicações, em diferentes redes sociais, que utilizaram a citação “vamos visitar a sua filha na cadeia” como mote para defender o presidente brasileiro, que afirmou ter “vontade de encher a sua boca de porrada”. No início do vídeo, com a duração total de oito segundos, ouve-se a voz de um homem, mas não é, de todo, percetível o que diz. Ou seja, não é seguro afirmar que terá sido feita aquela insinuação sobre a filha de Bolsonaro.  O que se diz, como relatado pela imprensa que esteve no local, é o seguinte: “vamos visitar a nossa feirinha na catedral”. Por outro lado, a citação do presidente Brasileiro é perfeitamente audível.

Por se ter tornado viral, o vídeo partilhado foi verificado no Brasil, quer pela AFP Checamos, quer pela a Agência Lupa ou pelo portal UOL . Todos consideraram como falsas as publicações em questão. Segundo a AFP Checamos, que verificou estas publicações, Bolsonaro estava de visita à Catedral Metropolitana de Brasília, rodeado por jornalistas. Comparando o vídeo partilhado e um dos que foi captados pelos média, neste caso da Globo, percebe-se que os dois não são iguais. A frase “vamos visitar a sua filha na cadeia agora” não consta do vídeo partilhado pela imprensa. O que se ouve, na verdade, é o seguinte: “Vamos visitar a nossa feirinha da catedral, presidente”. O homem que diz estas palavras voltaria a repeti-las, depois de Bolsonaro ter ameaçado o jornalista. Esse convite foi feito três vezes. Ou seja, o vídeo foi editado propositadamente para manipular a informação veiculada.

O fotógrafo da AFP Sérgio Lima, que estava a acompanhar Bolsonaro nesse dia, foi contactado pela AFP Checamos, negando que terão sido feitas insinuações relativamente à filha do presidente brasileiro. “Não ouvi nada parecido com isso. Um dos vendedores pediu que o Bolsonaro visitasse a feirinha. E ele foi, realmente”, afirmou ao Checamos.

Segundo revelou a revista Crusoé, o ex-assessor  de Flávio Bolsonaro, filho do presidente do Brasil, terá depositado 72 mil reais em cheques na conta da primeira-dama entre 2011 e 2016. Esta investigação foi o centro da irritação de Bolsonaro em relação ao jornalista da Globo, que o questionou sobre o assunto, ainda que o presidente brasileiro tenha, inicialmente, evitado responder.

Mesmo tendo sido viral, alguns blogues ou sites que partilharam o video editado já apagaram as suas publicações, como conta o portal UOL. Por exemplo, o Blog Senso Incomum chegou a retirar a acusação das suas redes sociais. “Apagámos o post sobre a fala do presidente, já que alguns internautas ouviram ‘visitar nossa feirinha na catedral’ e não ‘filha na cadeia’, como entendemos”, escreveram, citados pelo UOL.

Conclusão

Não é verdade que um jornalista brasileiro tenha dito que iria visitar a filha de Jair Bolsonaro à cadeia. A publicação viral que surgiu em defesa do presidente brasileiro, depois deste ter ameaçado fisicamente um jornalista da Globo, partilhou um vídeo editado e manipulado. O que se ouve, de facto, no vídeo original é “vamos visitar a nossa feirinha da catedral, presidente”. Vários sites de fact-checking no Brasil já consideraram estas informações como falsas.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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