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No último ano, os artigos publicados na imprensa contribuíram para a sua informação sobre AVC e enfartes (nomeadamente, prevenção, fatores de risco ou acesso a cuidados)? Esta é uma das perguntas do inquérito que estamos a fazer no Arterial. Além desta temos mais duas. Demora apenas trinta segundos.
Estas respostas podem ser úteis. Para nós e para a sua saúde. As linhas que se seguem ajudam a explicar porquê.
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O arranque da segunda temporada da secção do Observador dedicada às doenças cérebro-cardiovasculares aconteceu em final de março, quando publicámos esta reportagem. Dias antes fazíamos o balanço do primeiro ano do projeto, que chegou, durante onze meses, a mais de cinco milhões de pessoas e que tem permitido alertar para a principal causa de morte e de incapacidade prematura em Portugal. Se ainda não leu, viu ou ouviu todos, pode fazê-lo. São reportagens, vídeos, explicadores, episódios de podcast e artigos de opinião. |
Ao ouvirmos as histórias de sobreviventes de enfarte e AVC, mas também os muitos profissionais que trabalham diretamente com os doentes durante os episódios súbitos ou na sua reabilitação, deparámo-nos com algumas preocupações. Desde logo, nem todos chegam em tempo útil aos hospitais — ou através dos meios mais adequados, pela Via Verde AVC ou Via Verde Coronária [após contacto com o 112] — e muitos aguardam demasiado para acederem à reabilitação. Faltam camas em hospitais? Faltam recursos humanos? Existem classes desaproveitadas, como os médicos de família, os enfermeiros e os fisioterapeutas? Conversámos com bastonários de ordens profissionais, representantes de associações, gestores hospitalares e profissionais de saúde para conhecer as prioridades que escolheriam se fossem ministros da saúde. Pode ouvir aqui todos os episódios do podcast “Se eu fosse ministro da saúde”. |
Do lado dos sobreviventes ouvimos outras barreiras ao tratamento, como as dificuldades de apoio ao nível da Segurança Social, contadas na primeira pessoa por Anabela Moreira, na rubrica “Quando a minha vida mudou”, que viu o subsídio de doença cortado depois de ter um AVC, aos 45 anos e com um filho de dois. Mas também ouvimos os receios e o medo que fica depois de uma paragem cardiorrespiratória, como aconteceu a Ana Isabel Mendes, uma semana depois do nascimento da quinta filha. “Tenho medo todos os dias”, admitiu à jornalista Sofia Teixeira. O sentimento de impotência perante a doença foi também partilhado por Henrique Costa, convidado da mesma rubrica — com imagem de Nuno Neves e Kimmy Simões — diagnosticado com esclerose sistémica difusa, uma doença autoimune e, depois, com uma insuficiência cardíaca que quase o matou. “Andava em sobrevivência. Passei a viver”. A vida e a esperança foram-lhe devolvidas depois de se submeter a um transplante cardíaco, com apenas 21 anos. “Receber um novo coração deu-me quase um sentimento nostálgico de conseguir fazer as coisas normalmente (…) conseguia levantar-me, conseguia andar”. O episódio em vídeo pode ser visto aqui e o podcast aqui. |
Nesta luta pela sobrevivência, os cuidadores ocupam o lugar de protagonistas no apoio que podem dar aos seus familiares, amigos e vizinhos. Nas reportagens para a rubrica “A Minha Rede”, juntamos várias pessoas na casa dos sobreviventes, muitas vezes a quilómetros de distância, e ouvimos os anseios, mas também o apoio dado na prática para reerguer quem teve um enfarte ou um AVC. A jornalista Paula Sofia Luz e alguns fotojornalistas demoram-se na escuta e registam histórias de recuperação, algumas com anos de terapias diversas e que envolvem várias especialidades. |
É o caso de Carlos Semedo, programador cultural, que viu a vida parar, aos 57 anos, ele que dava prioridade ao trabalho, prolongava as horas de stresse, e até se esquecia de comer. “A responsabilidade do meu AVC é minha”, disse à jornalista. Os amigos e familiares reconhecem, no entanto, a força e determinação com que deitou mãos à recuperação. E a médica internista, Raquel David, também. Elogia-lhe a humildade e o facto de ter compreendido “muito bem as alterações que teria de fazer no seu estilo de vida”. |
A principal causa de morte não escolhe idades, é democrática, tem vários fatores de risco associados. Quando acontece um primeiro episódio, o risco de ter um segundo aumenta, e é preciso não deixar de tomar a medicação sem acompanhamento médico. Não sou eu que o digo, são os médicos e enfermeiros que ouvimos. E é preciso estar atento aos fatores de risco. Afinal, “se sabemos que 80% das doenças cérebro-cardiovasculares podem ser evitadas e tratadas, porque continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e no mundo ocidental?” A pergunta é de Carlos Morais, diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital Doutor Fernando Fonseca. O também vice-presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia apresenta algumas propostas práticas e eficazes para alterar esta realidade. Uma boa reflexão em vésperas do mês do coração, que se assinala em maio. |
E o leitor, já procurou avaliar a sua saúde, mesmo sem sintomas? Que conhecimentos tem sobre alguns temas em destaque no Arterial? É isso que procuramos saber. Se não respondeu ao questionário no início desta newsletter, que tal fazê-lo agora? São apenas três perguntas, as respostas são anónimas e demora menos de trinta segundos. |
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REPORTAGENS E ENTREVISTAS
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Arterial
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Quando uma veia entupiu no cérebro de Carlos Semedo, partiu também a corda que o agarrava ao trabalho a toda a hora, que o fazia viver no limite. Com a ajuda de uma rede coesa conseguiu recuperar.
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Arterial
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Sete dias depois de ser mãe novamente, Ana Isabel Mendes teve uma paragem cardiorrespiratória. Acordou dias depois sem saber pegar num copo de água. E não se lembrava da filha recém-nascida.
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Ciência
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Os médicos não são suficientes para o diagnóstico e tratamento da hipertensão. É necessário o apoio de uma equipa, defende Fernando Martos Gonçalves, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.
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Ciência
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Faltam médicos de família, diz Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. E são pouco ouvidos pelo Governo no momento de definir estratégias na área da saúde.
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Ciência
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Vivemos mais tempo, mas com mais doenças. "Temos de investir na prevenção secundária para reduzir internamentos e idas às urgências", diz Luís Filipe Barreira, bastonário da Ordem dos Enfermeiros.
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Ciência
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Há uma falha no acesso aos fisioterapeutas depois de um AVC ou enfarte. Quando acontece, os doentes já têm muitas sequelas irreversíveis, diz António Lopes, bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas.
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Arterial
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“Não vamos conseguir alimentar o sistema de profissionais de saúde de forma infinita", diz a presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino.
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Ciência
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Adaptar o sistema aos problemas atuais e futuros e fazer da prevenção uma prioridade são os grandes desafios do SNS, acredita Sónia Dias, Diretora da Escola Nacional de Saúde Pública.
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Arterial
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Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares aponta a falta de recursos humanos e de estruturas para diminuir a principal causa de morte em Portugal.
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Arterial
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Durante 32 dias em que esteve em coma depois do aneurisma, Sérgio recebeu um diário no telefone com tudo o que estava a acontecer lá fora. Está a voltar à vida, amparado pelos amigos e pela família.
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Arterial
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Vitor Tavares teve um AVC dentro de um avião prestes a aterrar. Quase morreu num hospital da Tailândia e ficou com muitas sequelas. Apesar da reabilitação, sabe que nunca vai recuperar completamente.
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Arterial
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Anabela Moreira teve um AVC aos 45 anos e sentiu-se desamparada. Recuperou, mudou de hábitos e luta agora para tentar humanizar e tornar mais justas as juntas médicas de incapacidade para o trabalho.
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Arterial
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Passava 20 horas por dia frente ao ecrã, comia em dez minutos. Até que um AVC aos 41 anos o obrigou a mudar tudo. Há dez anos que José Miguel Tomaz, um génio da informática, reaprende a viver.
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Arterial
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Primeiro veio o diagnóstico: esclerose sistémica difusa. Depois a insuficiência cardíaca que quase o matou. Henrique Costa tem apenas 23 anos e um coração novo que lhe permite viver.
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Arterial
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Parado, lento, menos lento: as "três velocidades" de Miguel Seabra. O ator e encenador teve um AVC há trinta anos. Persistência, apoio familiar e condições financeiras foram essenciais na recuperação.
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OPINIÃO
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Sabemos que 80% das doenças cérebro-cardiovasculares podem ser evitadas e tratadas. Então porque continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e no mundo ocidental?
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Na Austrália, um homem viveu durante mais de cem dias com um coração artificial totalmente feito de titânio, implantado no peito, até que surgisse um dador que lhe permitisse ser transplantado.
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Quem nos salva da sobrevivência, afinal? Não estive apenas doente — também morri. E é difícil voltar depois de morto. O regresso é um lugar de solidão.
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O rastreio da doença arterial periférica está recomendado nos doentes com diabetes há mais de dez anos, uma vez que a prevalência neste grupo ronda os 25% e os sinais aparecem tarde demais.
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Nesta área, os avanços têm sido extraordinários e dignos da imaginação das mentes mais brilhantes da ficção científica. O futuro próximo pode ser ainda mais espetacular. Esta é história do Sr. Silva.
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AGENDA
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O QUE SE ESCREVE LÁ FORA
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