A ameaça já estava presente mas foi no fim de semana que Estados Unidos da América e Israel decidiram atacar o Irão, matando o líder iraniano Ali Khamenei. Uma ação que se arrastou a vários países vizinhos e que continua há alguns dias. Donald Trump admitiu uma intervenção rápida, mas depois foi dando outras possíveis evoluções. Sem fim à vista, os efeitos económicos começam a sentir-se.
Os preços do petróleo, do gás natural, do gasóleo dispararam e ameaçam contagiar o resto da economia. Só com a evolução do início da semana já se antecipam subidas recorde nos preços do gasóleo, que podem chegar aos 20 cêntimos. O Governo já anunciou que, “caso se verifique uma subida de preço superiores a 10 cêntimos face ao valor desta semana”, será introduzido “um desconto temporário e extraordinário” no ISP, para compensar o adicional de receita do IVA, “devolvendo todo esse adicional aos portugueses e empresas”. Esse desconto foi implementado na altura da guerra da Ucrânia e que foi sendo retirado por pressão de Bruxelas. O primeiro-ministro Luís Montenegro recusou, no entanto, entrar, a pedido do PS, num leilão de medidas.
O impacto do conflito do Médio Oriente acontecerá também no gás, até pela diminuição das reservas europeias, após um inverno frio. E que chegará à eletricidade e a outros produtos. É com esse contágio em mente que se antecipam cenários de novo surto inflacionista. Há projeções a apontar para uma taxa de inflação de 3%, o que faz soar os alarmes dos bancos centrais que estavam a voltar à trajetória de normalização dos juros.
Isto porque não apenas a guerra afeta produtores de petróleo como se situa numa zona por onde passa 20% do comércio internacional de petróleo e gás — o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico que fornece, em particular, a Ásia, mas que acaba a afetar todo o negócio mundial, até pelo efeito concorrência. Os Estados Unidos acautelaram algum do fornecimento com a Venezuela, antes do ataque ao Irão, e são hoje um dos principais produtores. Já a Europa depende de outros fornecimentos e poderá ser obrigada a atirar-se para o petróleo e gás russo. É esse também o olhar da China como alternativa à Venezuela e ao Irão. A aviação é um dos setores apanhados pelos efeitos da guerra, não apenas porque na região situam-se dois grandes hubs internacionais, mas também pelo aumento de custos decorrente do agravamento do preço do jet fuel.
Este é o início de mais um conflito com chancela de Trump que atinge, também, diretamente a União Europeia. O Presidente dos EUA ameaçou Espanha de travar todo o comércio com o país vizinho, apesar das dificuldades práticas no terreno.
Um lay-off pago a 100% por coligação negativa. PSD admite recorrer
Um pagamento a 100% prometido pelo Ministério do Trabalho inicialmente, mas não implementado na lei publicada (que corta salário). Foi essa alteração de posição do Governo que levou Bloco de Esquerda, Livre e PCP a chamarem para discussão parlamentar o diploma que estabelece o lay-off simplificado para as empresas afetadas pelas calamidades climáticas. O diploma foi chamado ao Parlamento e alterado para que seja mesmo pago a 100%, prevenindo a norma-travão considerando a possibilidade da despesa ser inscrita no Orçamento para 2027. Foi aprovado já na especialidade, faltando carimbar a aprovação global, na próxima sexta-feira. Não há custos projetados. Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, salientando o facto da proposta ter sido aprovada com Chega e PS, garantiu que “o grupo parlamentar vai estudar todas as consequências e não deixaremos de ir até à última consequência se acharmos que há alguma violação da lei”. Ou seja, ir até ao Tribunal Constitucional. Isto apesar de Luís Montenegro dizer que a questão não é pela “importância financeira” que é “relativamente baixa”. “É uma questão de justiça relativa”, declarou no debate quinzenal, dizendo que foram feitos 443 pedidos para 4.233 trabalhadores.
Na “novela” pacote laboral, finalmente a concertação social reuniu-se, o que não acontecia desde setembro. Tem havido negociações para a reforma laboral, mas esta ainda não está consensualizada. E poderá não ficar. Na reunião de concertação social houve mais alguns (pequenos) avanços, mas continuam batalhar por resolver para as últimas negociações. Saiu no entanto um prazo indicativo para chegar a acordo ou não. Duas semanas. O Governo tem assumido que não quer eternizar as negociações. O que chegará ao Parlamento pode ter a assinatura da UGT ou não.
E a Warner Bros vai para… Paramount
A luta pelo estúdio Warner Bros Discovery (WBD) foi renhida. E acabou por vencer quem chegou em segundo lugar. Depois da oferta (inicialmente aceite) da Netflix para comprar a WBD, a Paramount entrou em campo e pôs mais dinheiro em cima da mesa. Até levar a Netflix a desistir da sua proposta, considerando que o negócio deixou de ser “um negócio financeiramente atrativo”. A Paramount propôs pagar pela dona da HBO, CNN, Discovery Channel e Eurosport 31 dólares (26,3 euros) por ação, e ainda cobrir os 2,8 mil milhões de dólares devidos à Netflix pelo fim do negócio.
Com isto Netflix não junta o HBO Max à sua oferta, mas não se deixa ficar. Ted Sarandos, o CEO da Netflix, diz agora que que estava a lidar com um rival “invulgar, irracional, seja qual for a palavra que queiram usar”, mas deixou a “picada” de que nunca se sabe quando a Warner Bros voltará a estar disponível, face ao histórico de compras e vendas. Para já, o negócio milionário entre a Paramount e a WBD terá de passar pelo crivo dos reguladores.
A EMPRESA
Quando o Orçamento do Estado para 2026 foi apresentado uma linha num dos mapas levava à dúvida. Mil milhões de dividendos que o Estado esperava receber e logo foi referido que seriam da responsabilidade da Caixa Geral de Depósitos. Um valor astronómico e que até levantava dúvidas de poder ser possível. Mas uma operação entre empresas públicas resolveu a questão. A Caixa vendeu a sua posição na Águas de Portugal à Parpública, com uma mais valia de 188 milhões de euros. E que permitiram chegar a um lucro, em 2025, de 1,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. E com isso anunciou um pagamento de dividendo ao Estado de 1,25 mil milhões. Uma boa ajuda para um orçamento público pressionado pelas calamidades climáticas que obrigou a lançar um conjunto de incentivos e, depois, para fazer face aos efeitos da guerra no Irão. E quando já se falava da possibilidade de um orçamento retificativo, o Governo recebe “a boa notícia” da Caixa.
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