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Economia. Milhões de combustíveis (com desconto no imposto), milhões de lucros e poucos milhares de lay-off (mas com coligação negativa)

04 mar. 2026, 17:54
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Economia

quarta, 04 mar. 2026
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Fotografia de Alexandra Machado
Alexandra Machado
Editora de Economia
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A ameaça já estava presente mas foi no fim de semana que Estados Unidos da América e Israel decidiram atacar o Irão, matando o líder iraniano Ali Khamenei. Uma ação que se arrastou a vários países vizinhos e que continua há alguns dias. Donald Trump admitiu uma intervenção rápida, mas depois foi dando outras possíveis evoluções. Sem fim à vista, os efeitos económicos começam a sentir-se.

Os preços do petróleo, do gás natural, do gasóleo dispararam e ameaçam contagiar o resto da economia. Só com a evolução do início da semana já se antecipam subidas recorde nos preços do gasóleo, que podem chegar aos 20 cêntimos.  O Governo já anunciou que, “caso se verifique uma subida de preço superiores a 10 cêntimos face ao valor desta semana”, será introduzido “um desconto temporário e extraordinário” no ISP, para compensar o adicional de receita do IVA, “devolvendo todo esse adicional aos portugueses e empresas”. Esse desconto foi implementado na altura da guerra da Ucrânia e que foi sendo retirado por pressão de Bruxelas. O primeiro-ministro Luís Montenegro recusou, no entanto, entrar, a pedido do PS, num leilão de medidas.

O impacto do conflito do Médio Oriente acontecerá também no gás, até pela diminuição das reservas europeias, após um inverno frio. E que chegará à eletricidade e a outros produtos. É com esse contágio em mente que se antecipam cenários de novo surto inflacionista. Há projeções a apontar para uma taxa de inflação de 3%, o que faz soar os alarmes dos bancos centrais que estavam a voltar à trajetória de normalização dos juros.

Isto porque não apenas a guerra afeta produtores de petróleo como se situa numa zona por onde passa 20% do comércio internacional de petróleo e gás — o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico que fornece, em particular, a Ásia, mas que acaba a afetar todo o negócio mundial, até pelo efeito concorrência. Os Estados Unidos acautelaram algum do fornecimento com a Venezuela, antes do ataque ao Irão, e são hoje um dos principais produtores. Já a Europa depende de outros fornecimentos e poderá ser obrigada a atirar-se para o petróleo e gás russo. É esse também o olhar da China como alternativa à Venezuela e ao Irão. A aviação é um dos setores apanhados pelos efeitos da guerra, não apenas porque na região situam-se dois grandes hubs internacionais, mas também pelo aumento de custos decorrente do agravamento do preço do jet fuel.

Este é o início de mais um conflito com chancela de Trump que atinge, também, diretamente a União Europeia. O Presidente dos EUA ameaçou Espanha de travar todo o comércio com o país vizinho, apesar das dificuldades práticas no terreno.

Um lay-off pago a 100% por coligação negativa. PSD admite recorrer

Um pagamento a 100% prometido pelo Ministério do Trabalho inicialmente, mas não implementado na lei publicada (que corta salário). Foi essa alteração de posição do Governo que levou Bloco de Esquerda, Livre e PCP a chamarem para discussão parlamentar o diploma que estabelece o lay-off simplificado para as empresas afetadas pelas calamidades climáticas. O diploma foi chamado ao Parlamento e alterado para que seja mesmo pago a 100%, prevenindo a norma-travão considerando a possibilidade da despesa ser inscrita no Orçamento para 2027. Foi aprovado já na especialidade, faltando carimbar a aprovação global, na próxima sexta-feira. Não há custos projetados. Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, salientando o facto da proposta ter sido aprovada com Chega e PS, garantiu que “o grupo parlamentar vai estudar todas as consequências e não deixaremos de ir até à última consequência se acharmos que há alguma violação da lei”. Ou seja, ir até ao Tribunal Constitucional. Isto apesar de Luís Montenegro dizer que a questão não é pela “importância financeira” que é “relativamente baixa”. “É uma questão de justiça relativa”, declarou no debate quinzenal, dizendo que foram feitos 443 pedidos para 4.233 trabalhadores.

Na “novela” pacote laboral, finalmente a concertação social reuniu-se, o que não acontecia desde setembro. Tem havido negociações para a reforma laboral, mas esta ainda não está consensualizada. E poderá não ficar. Na reunião de concertação social houve mais alguns (pequenos) avanços, mas continuam batalhar por resolver para as últimas negociações. Saiu no entanto um prazo indicativo para chegar a acordo ou não. Duas semanas. O Governo tem assumido que não quer eternizar as negociações. O que chegará ao Parlamento pode ter a assinatura da UGT ou não.

E a Warner Bros vai para… Paramount

A luta pelo estúdio Warner Bros Discovery (WBD) foi renhida. E acabou por vencer quem chegou em segundo lugar. Depois da oferta (inicialmente aceite) da Netflix para comprar a WBD, a Paramount entrou em campo e pôs mais dinheiro em cima da mesa. Até levar a Netflix a desistir da sua proposta, considerando que o negócio deixou de ser “um negócio financeiramente atrativo”. A Paramount propôs pagar pela dona da HBO, CNN, Discovery Channel e Eurosport 31 dólares (26,3 euros) por ação, e ainda cobrir os 2,8 mil milhões de dólares devidos à Netflix pelo fim do negócio.

Com isto Netflix não junta o HBO Max à sua oferta, mas não se deixa ficar. Ted Sarandos, o CEO da Netflix, diz agora que que estava a lidar com um rival “invulgar, irracional, seja qual for a palavra que queiram usar”, mas deixou a “picada” de que nunca se sabe quando a Warner Bros voltará a estar disponível, face ao histórico de compras e vendas. Para já, o negócio milionário entre a Paramount e a WBD terá de passar pelo crivo dos reguladores.

O presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo (C), à chegada para a apresentação de resultados de 2025 da instituição bancária em Lisboa, 26 de fevereiro de 2026. RODRIGO ANTUNES/LUSA

A EMPRESA

Quando o Orçamento do Estado para 2026 foi apresentado uma linha num dos mapas levava à dúvida. Mil milhões de dividendos que o Estado esperava receber e logo foi referido que seriam da responsabilidade da Caixa Geral de Depósitos. Um valor astronómico e que até levantava dúvidas de poder ser possível. Mas uma operação entre empresas públicas resolveu a questão. A Caixa vendeu a sua posição na Águas de Portugal à Parpública, com uma mais valia de 188 milhões de euros. E que permitiram chegar a um lucro, em 2025, de 1,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. E com isso anunciou um pagamento de dividendo ao Estado de 1,25 mil milhões. Uma boa ajuda para um orçamento público pressionado pelas calamidades climáticas que obrigou a lançar um conjunto de incentivos e, depois, para fazer face aos efeitos da guerra no Irão. E quando já se falava da possibilidade de um orçamento retificativo, o Governo recebe “a boa notícia” da Caixa.

A Caixa Geral de Depósitos não foi a única instituição bancária a apresentar bons resultados. A “chapa” dos mil milhões foi também batida pelo BCP, que lucrou 1.018,6 milhões.  Perto disso ficou o Santander Portugal (964 milhões). Os resultados foram apresentados na mesma altura em que o Banco de Portugal admitiu estar a preparar uma nova taxa sobre os bancos. 

Na linha dos milhões de lucros, e fora da banca, a EDP lucrou 1.150 milhões o mesmo que a Galp (1.150 milhões de euros) — empresas no olho do furacão com a nova crise energética que a guerra do Irão pode trazer.

Esta semana ficamos por aqui. Obrigada por subscrever a newsletter de Economia do Observador. Regressamos na próxima quarta-feira. Até lá.

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A semana nos mercados

Evolução semanal

S&P 500 6.873,14 -1,04%
Netflix 98,60$ +19,18%
Apple 264,45$ -3,51%
Stoxx 600 612,72 -3,28%
Ibex 35 17.491,20 -5,33%
PSI 8.931,27 -3,92%
Galp 18,73€ +2,6%
EDP 4,258€ -5,08%
Nos 5,380€ +6,75%
Brent 81,56$ +15,24%
WTI 74,93$ +14,55%
Dólar 0,8599€ +1,56%
Bitcoin 73.161,3$ +7,63%

Os próximos dias

5 de março

13h30 Divulgadas atas do último encontro de política monetária do BCE
17h00 Resultados anuais de 2025 da REN

6 de março

Resultados de 2025 do Novo Banco
09h00 Resultados da Lufthansa
10h00 Debate no Parlamento sobre política do Governo, proposta para revisão do regime do mecenato e alteração do código das expropriações
Votação final do pagamento a 100% do lay-off por causa da tempestade kristin
11h00 INE divulga atividade dos transportes do quarto trimestre
Fitch deve divulgar nota sobre rating de Portugal

7 de março

15h00 Mesa-redonda “Ser Mulher Trabalhadora, Antes e Depois da Revolução” organizada pela CGTP
Cimeira regional entre Estados Unidos e Argentina, Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras e Paraguai
Primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, termina périplo pela Índia, Austrália e Japão

8 de março

10h00 Termina Semana da Igualdade promovida pela CGTP com concentração no Hospital S. José
Eleições legislativas na Colômbia
Presidente argentino, Javier Milei, inicia visita Estados Unidos

9 de março

09h00 Sessão solene de tomada de posse do novo Presidente da República, António José Seguro
Reunião do Eurogrupo em Bruxelas

10 de março

Termina período de consulta pública de plano decenal para a BBC

11 de março

09h30 Mota-Engil apresenta plano estratégico 2026-2030
11h00 INE divulga primeira leitura da inflação de fevereiro
OPEP divulga relatório mensal do mercado de petróleo
Tomada de posse de José Antonio Kast como presidente do Chile
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