É prática comum dos principais titulares dos mais altos cargos da Nação fazer declarações sobre quase tudo à margem de eventos. Funciona como estratégia para obter cobertura mediática. No entanto, também se tem revelado como forma perversa de manipulação da opinião pública ao pretender influenciar a perceção do público e direcionar a narrativa de acordo com seus interesses.

Infelizmente, essa estratégia de manipulação da opinião pública encontra espaço abundante nos telejornais e os comentadores de turno apressam-se a fazer a impossível exegese dessas frases atiradas ao ar como fogos de artifício. As declarações à margem de eventos, por serem equívocas ou por não darem a resposta adequada deveriam simplesmente ser ignoradas. Mas como não são, enchem a maior parte do espaço noticioso. Como resultado, assuntos relevantes e questões cruciais que afetam a sociedade são deixados de lado, enquanto o foco é desviado para o espetáculo político.

Há perguntas que não se respondem com frases feitas ou enigmáticas, de passagem para outras coisas “mais importantes”. Por exemplo as que dizem respeito à corrupção.

A corrupção afeta profundamente a confiança na política e nas instituições democráticas.

A negligência dos políticos em abordar os problemas de corrupção por meio de declarações à margem de eventos tem consequências graves para a sociedade. Primeiramente perpetua a impunidade e a falta de responsabilização dos envolvidos em atos corruptos. A corrupção mina os recursos públicos, prejudica os serviços essenciais e gera desigualdade social. Ao não enfrentar essas questões de forma direta e consistente, os governantes perpetuam um ambiente propício à corrupção em todos os âmbitos.

Além disso, a manipulação da opinião pública em detrimento da discussão sobre corrupção fortalece a descrença dos cidadãos nas instituições políticas. Quando os problemas de corrupção são relegados para declarações marginais, os políticos enviam uma mensagem de que não estão dispostos a lidar de maneira eficaz com um dos maiores desafios enfrentados pela sociedade. Isso aumenta a desconfiança dos cidadãos na política e mina a legitimidade do sistema democrático.

Ao negligenciar a gravidade dos problemas de corrupção em declarações marginais, ou não respostas, os políticos demonstram uma falta de compromisso com a transparência, a responsabilidade e a erradicação desse problema sistêmico. É fundamental que os cidadãos exijam que os políticos tratem seriamente as questões de corrupção e promovam medidas eficazes para combatê-la. Somente assim poderemos fortalecer a confiança na política e nas instituições democráticas, construindo uma sociedade mais justa e equitativa.

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